Márcio Castilho: ‘La Corona del espiño’

17/06/2021 13:15

Márcio Castilho

La Corona del espiño

O vírus grassa

Nos glossários,

Na aglomeração,

Sem antígeno,

Sem antídoto,

Sem vacinação.

O vírus das classes,

O vírus dos pobres,

O vírus dos nobres,

O vírus crescente,

Dos descrentes

Ou não.

O vírus dos perdigotos,

O vírus dos perdidos,

O vírus dos presidentes,

O vírus do meio termo,

O vírus do meio oposto,

O vírus dos povos.

O vírus do amor,

Do sexo,

Dos exsudatos,

Dos atos,

De Buda, Jeová,

Oxalá, Alá, e Odin,

Da seleção de Darwin,

Da manifestação.

O vírus dos entes doentes,

O vírus das raças,

O vírus das castas,

O vírus onipresente,

O vírus da criação.

O vírus das portas fechadas,

Dos noticiários,

Das TVs ligadas

A discorrer

Sobre imunização.

O vírus das gotas

E dos gestos,

O vírus da internet

E da gente,

O vírus sem beijos,

sem abraços,

sem aperto de mãos.

Ante tantos vírus,

De cara,

A coroa veio,

Coroando

Sem floreios,

Nem rodeios,

O mundo,

O meio,

A multidão.

O vírus da clausura,

Do pânico,

Do para onde?

Do para quando?

Do para hoje,

Da postergação.

O vírus da Espanha,

Da Itália,

Da China

E também da

Nossa nação.

O vírus presente

Na praça,

No público,

No ensino,

Na saúde,

Na educação.

O vírus da pandemia,

O vírus da pantomina,

O vírus que isola as fronteiras,

O vírus sem eira,

Nem beira,

Num teatro,

Sem ventilação.

O vírus veio

A registrar em nossa história

O dia em que a Terra, sem vitória,

Parou…

Parou toda a humanidade,

Sem ser greve,

Sendo grave,

Sendo crise social

Em plena proliferação.

O vírus da discórdia,

O vírus do porquê,

O vírus sem questão.

 

Márcio Castilho

marciocastilho74@outlook.com

 

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