Fábio Ávila: ‘200 anos de Imigração suíça para o Brasil’ – Parte 16

03/07/2021 15:23

Fábio Ávila

200 anos de Imigração suíça para o Brasil – Parte 16

 

GUILHERME GAENSLY
REGISTRO FOTOGRÁFICO DE ÉPOCA

Um imigrante suíço se tornou referência em fotografia no Brasil. Guilherme Gaensly, nasceu em 1843 em Wehlhausen, Cantão de Thurgau. Com cinco anos mudou-se para Salvador, junto com seu pai Jacob Endrich Gaensly, que lá esta beleceu uma firma importadora de tecidos e exportadora de algodão.

Na capital baiana, Gaensly aprendeu a fotografar entre 1866 e 1870, perí odo em que trabalhou no estúdio do fotógrafo Albert Henschel (1827-1882).

Na década de 1870, Gaensly realizou os álbuns “Vistas da Cidade da Bahia”, em parceria com J. Schleier. Em 1871, em sociedade com Waldemar Lange, abriu seu primeiro estúdio em Salvador.

Era o início da empresa Gaensly & Lange que inicialmente instalou-se na ladeira de São Bento e, em 1872, mudou-se para o Largo do Teatro, atual
Praça Castro Alves. Em 1881, a empresa promoveu no Rio de Janeiro a mostra “Exposição de História do Brasil”, com imagens da estrada de ferro na região do Rio São Francisco, Bahia.

Em 1894, o fotógrafo suíço mudou-se para São Paulo onde logo abriu uma filial da empresa Photographia Gaensly & Lindemann, na Rua XV de Novembro, no centro histórico da capital. Seu olhar artístico captou os casarões da então recém-construída Avenida Paulista, com seus primeiros bondes circulando e os ares de modernidade que passava a predominar com a riqueza do café. Depois, registrou ainda as plantações nas grandes fazendas cafeeiras no interior do Estado. Gaensly recebeu prêmios tanto na Exposição Universal de Paris, em 1889, como na Exposição Internacional de Saint-Louis, nos Estados Unidos, em 1904. A partir de 1898, prestou serviços para diferentes entidades e publicou cartões postais sobre São Paulo, projetando seu nome no universo das artes visuais.

Em 1899 fez uma parceria com a São Paulo Tramway, Light and Power Com pany. Por 26 anos registrou obras urbanísticas da empresa e eternizou fotografica mente as mudanças de São Paulo nesse período pujante.

Com 85 anos e sem filhos, faleceu em junho de 1928 em decorrência de uma pneumonia. Sua esposa, Ida Gaensly, morreu em 1933, também em São Paulo.

RIQUEZAS DO NOVO MUNDO:
CACAU, FUMO E BORRACHA

A Bahia continuou a atrair empresários europeus ao longo do século XIX e no início do século XX, caso de Hermann Braem, suíço de Buelach, Zurique, que dirigiu a filial da empresa Müeller e Cia. em Ilhéus. Essa cidade na década de 1890 se tornou muito conhecida por concentrar um alto volume de negócios de cacau no sul do Estado.

Outros dois suíços, Emil Wilderberger e Hugo Kaufmann, eram compatriotas que se tornaram concorrentes, pois, ambos com raro tino comercial, praticamente comandaram o comércio do cacau no Estado e foram extremamente importantes para a econômica baiana até a criação em 1931 do Instituto do Cacau da Bahia.

 

Fotografia de Guilherme Gaensly. Fonte: Livro “Suíça-Brasil: 200 anos de Imigração”

 

Fotografia de Guilherme Gaensly. Fonte: Livro “Suíça-Brasil: 200 anos de Imigração”

 

 

 

 

 

Fotografia de Guilherme Gaensly. Fonte: Instituto Moreira Salles

 

Fábio Ávila

fabioavilaartes@gmail.com

 

 

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