Fábio Ávila: ‘200 anos de Imigração suíça para o Brasil’ – Parte 15

17/06/2021 16:30

Fábio Ávila

200 anos de Imigração suíça para o Brasil – Parte 15

UMA FAZENDA BEM ADMINISTRADA

Aos 21 anos chegou a Ilhéus, em 9 de novembro de 1846, o Barão Ferdinand von Steiger, que nasceu em Berna e quando chegou à Bahia comprou a Fazenda Vitória. Em 1851, o Barão von Steiger se casou com uma brasileira das mais importantes famílias da província, Amélia de Sá Bethencourt e Câmara, com quem deixou uma ampla descendência.

Em 1860 o príncipe Maximiliano da Áustria visitou a Fazenda Vitória e escreveu o livro “Mato Virgem”, onde anotou que a propriedade possuía 150 escravos e a considerou muito bem administrada. O barão von Steiger faleceu em Ilhéus em 1887, sendo sucedido por seu filho homônimo que tornou-se o agente consular da Suíça na região.

O SUÍÇO DO MATO
Outro personagem conhecido pelo príncipe Maximiliano durante a viagem ao Brasil foi o suíço Henrique Berbert a quem chamou de “rei da selva”. “Maximiliano fez a Berbert os mais rasgados elogios, frisando as suas qualidades de tapejara e caçador destemido e por todos respeitado, que, de pés descalço, percorria, a pequenos intervalos, os maios ínvios recantos da região apenas acompanhado de seu cão de caça todo lenhado pelos bichos que acoava para seu dono”, disse Frederico Edelweiss, da Universidade Federal da Bahia.

O SOCORRO AOS IMIGRANTES SUÍÇOS

Havia chances de negócios para investidores, mas os primeiros anos dos colonos suíços na Bahia não foram nada fáceis para muitos deles, pois passaram por sérias dificuldades financeiras. Por isso, em 1843, o cônsul geral da Suíça no Brasil, Charles Perret Gentil, tomou a iniciativa de criar a entidade Caixa de Socorro para dar apoio aos conterrâneos que aqui viviam.

A entidade foi extremamente útil naquele período de dificuldades econômicas, sobretudo após a proibição de tráfico negreiro e a abolição da escravatura. O primeiro presidente da Caixa de Socorro foi Charles Stoll, que também era um dos diretores da firma Meuron & Cia., uma das mais importantes empresas da Bahia.

A Caixa de Socorro funcionou bem com esse nome por cerca de 15 anos até ser transformada em novembro de 1857 na Sociedade Suíça de Beneficência, em uma assembleia realizada no Solar do Unhão, em Salvador.

Em 1928, a entidade tinha um caixa robusto com depósitos em bancos suíços e da Bahia, graças aos 70 sócios contribuintes. Posteriormente surgiu a oportunidade de se construir a sede, após a doação de um terreno feita por Carlos Neeser.

Além de eventos culturais e artísticos sempre ligados ao país helvético, a Sociedade tinha como objetivo principal prestar auxílio a qualquer suíço que a ela recorria. Em seus estatutos estava definido que a entidade devia inclusive fornecer subsídios para educação de descendentes de suíços que porventura não possuíam recursos para tal. Essa determinação de ajuda se estende até os dias atuais.

 

Ferdinand von Steiger. Fonte: bancodavitoria.com.br

 

Berna, Suíça. Fonte: Livro “Suíça-Brasil: 200 anos de Imigração”

 

Capa do Livro “Mato Virgem”. Fonte: UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz)

 

Ilheús, Bahia. Fonte: Blog “Ilhéus…com amor!”

 

Logo da Sociedade Suíça de Beneficência da Bahia. Fonte: http://ssbb.ch/index.php/historico/

 

Solar do Unhão, Salvador (Bahia), 1870. Fonte: Bahia Turismo

 

Fábio Ávila

fabioavilaartes@gmail.com

 

 

 

 

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