Fábio Ávila: ‘200 anos de imigração suíça para o Brasil’ – Parte 14

03/06/2021 16:54

Fábio Ávila

200 anos de imigração suiça para o Brasil – Parte 14

VISIONÁRIOS SUÍÇOS NO BRASIL
Um nome se destacou nesse cenário. Quando chegou a Salvador, François Meuron já falava fluentemente português pois fora cônsul da Suíça em Lisboa. Com apurado tino comercial e pleno conhecimento da qualidade do fumo que se produzia na Bahia, em 1827 instalou uma fábrica de rapé, ou seja, pó de fumo, no Solar do Unhão na cidade de Salvador.
Em 1857, após décadas de atividades produtivas, François Meuron, que não tinha filhos, retornou à Suíça. Nessa época o rapé era bem menos consumido pois dava-se preferência aos cigarros e charutos. Ainda assim, sua empresa, a Meuron & Cia., dirigida em parceria com Henry Borell, seu sócio a partir de 1830, prosperava, inclusive com filiais nas cidades de Cachoeira e São Félix, no Recôncavo Baiano.
A Meuron & Cia. foi a mais importante firma de sócios de capital suíço na Bahia. Seu diretor era também um filantropo generoso. Fez uma grande doação em dinheiro ao Colégio do Sagrado Coração de Jesus, bairro de Nazaré, onde eram educadas meninas órfãs. Além disso, a partir de Salvador, ajudou muitos suíços interessados na exploração agrícola no sul da Bahia.
 JEZLER IRMÃOS & TRUMPY
Com filiais em São Félix e Cachoeira, no Recôncavo Baiano, a empresa Jezler Irmãos & Trumpy foi criada em 1829 pelos irmãos Ferdinand e Lukas Jezler, ambos vindos do Cantão de Schaffhausen.
Relata Arnold Wilberger, autor do livro “Meu pai Emil Wildberger”, que: “Ferdinard era o chefe da firma. Lukas viajava pelo interior, vendia e consertava relógios (relógios da Floresta Negra e outros); negociava vidros e trocava ele mesmo as janelas, Trumpy andava com uma caixa nas costas pelo interior adentro, vendendo fitas, utensílios de costura etc. Ferdinand ficava na Bahia e fazia aqui as compras e as importações”.
Os dois irmãos se tornaram abastados comerciantes, vendendo inúmeros produtos importados da Europa. A empresa teve uma longa trajetória e passou a ser denominada em 1903, Wildberger & Cia.
C. F. KELLER & CIA.
Outra importante firma em Salvador foi a C.F. Keller & Cia., uma das mais destacadas da província, que atuava com a importação de produtos europeus e a exportação de produtos agrícolas brasileiros. Em 1884, esta empresa representava agências de companhia de seguro e de navegação estrangeiras. Em 1865, com 76 anos, faleceu na Suíça o principal sócio, Jean Joachin Keller.
A VISITA DO PRÍNCIPE MAXIMILIANO DA ÁUSTRIA À BAHIA
Alguns empresários suíços viam nos engenhos de açúcar locais uma possibilidade de bons negócios. Um exemplo foi a empresa Gex, Decosterd & Frères que teve como um de seus proprietários Henry Gex, primeiro cônsul da Federação Helvética na Bahia e que em 1842 foi sucedido por Auguste Decosterd.
Diz o historiador Cid Teixeira: “Aqueles dois pioneiros suíços bem sentiram que a grande quantidade de engenhos existentes na Bahia eram o mercado natural para novas máquinas, novos progressos, novas técnicas”. Cid Teixeira complementa: “… a firma Gex, Decosterd & Frères passou a ter, entre seus clientes, todas as velhas famílias do latifundiário do açúcar, não somente nas transações de compras de equipamentos como de assistência técnica por serem nomes de grande prestígio e largo trânsito social.”
Outro importante cidadão suíço foi Jean Hohlenweger. Considerado um dos primeiros comerciantes suíços a trabalhar diretamente com a compra e a venda de cacau, ele permaneceu em Ilhéus até 1846 e foi administrador da Fazenda Vitória.

Cidade de Cachoeira, Bahia. Fonte: Bahia Turismo

 

Famosa Charutaria Dannemann em São Félix, Bahia. Fonte: Blog 1000 dias por toda América

 

Prédio Wildeberg & CIA, atualmente. Fonte: Hora de Preservar

 

Princípe Maximiliano da Austria, Século XIX. Fonte: Wikipédia

 

Brasão da Áustria. Fonte: Wikipédia

 

Fábio Ávila

fabioavilaartes@gmail.com

 

 

 

 

Tags: