Fábio Ávila: ‘200 anos de imigração suíça para o Brasil’ – Parte 13

27/05/2021 13:53

Fábio Ávila

200 anos de Imigração suíça para o Brasil – Parte 13

Um Artista Suíço a Serviço da Realeza

O PINTOR ABRAHAM-LOUIS BUVELOT NA CORTE IMPERIAL

Um dos visitantes mais ilustres da Colônia Leopoldina foi o pintor suíço Abraham-Louis Buvelot que nasceu em 1814 no Cantão de Vaud. Em 1835, ano em que chegou ao Brasil, de imediato visitou seu tio François Buvelot, proprietário de uma fazenda de café na Colônia Leopoldina. Artista plástico, pintor e litógrafo consagrado, Buvelot foi contratado para registrar Dom Pedro II em seu palácio na Cidade Imperial de Petrópolis, entre 1849 e 1851, retornando para a Europa no ano seguinte.

Em 1858, na Colônia Leopoldina existiam 40 fazendas onde habitavam cerca de 200 pessoas divididas entre alemães, suíços, alguns brasileiros e franceses, além de 2.000 negros escravos. O principal produto era o café; a colônia exportava cerca de 1.000 arrobas para a Bahia e para o Rio de Janeiro. Na Colônia Leopoldina havia 12 serrarias e a madeira era um valorizado artigo de exportação.

O ministro da Suíça no Brasil, Albert Gertsch, em 1929 afirmou que a abolição da escravatura foi “o golpe de morte nos produtores”, pois causou o fim do desenvolvimento da Colônia Leopoldina que até então prosperava graças ao trabalho escravo, mas não conseguiu se adaptar à nova realidade. Sua duração foi efêmera pois já em 1861 a Colônia não existia mais.

Estiveram presentes na Bahia outros importantes suíços tais como Benoit Scheurmann e Gabriel Frederic Jules von May, ambos funcionários da empresa Meuron & Cia. Gabriel Frederic chegou em 1819 e posteriormente foi proprietário da Fazenda Vitória, com ajuda do suíço Leo Dupasquier, natural de Neuchâtel.

No ano da Proclamação de Independência do Brasil, em 1822, a Província da Bahia já recebia suíços que buscavam fazer fortuna com o comércio do cacau.

Esses imigrantes eram em sua maior parte empreendedores extremamente competentes e dinâmicos no comércio de exportação do produto.

Ao contrário de outros Estados, a cana de açúcar não vingou na Bahia e a partir de 1836 o cacau passou a ganhar cada vez importância, com destaque para a região de Ilhéus; chegando a ser mais lucrativo do que o cultivo do café.

Ainda assim, muitos suíços passavam por dificuldades, enfrentando problemas como a falta de dinheiro ou mesmo tendo perdas com safras abaixo do esperado. Felizmente muitos desses colonos podiam contar com a ajuda de seus parentes e amigos na Suíça que os auxiliavam com o envio de produtos ou por meio de empréstimos pessoais.

Diz o historiador Neeser: “… nos anos de prolongadas secas e a destruição completa das safras, os colonos não tinham receio de uma execução judicial, quando as dívidas assumidas requeriam, como garantia, a hipoteca das fazendas”.

“… não existem notícias, em toda a história da colonização estrangeira na Bahia, de um único caso de liquidação judicial de propriedade de colonos”.

 

Abraham Louis-Buvelot, 1894, óleo por J.C. Waite. Fonte: Acervo National Gallery of Victoria, Melbourne

 

Vista da Bahia tomada a caminho do Monte Serrat, 1839, de Abraham Louis-Buvelot. Fonte: Acervo Artístico do Ministério das Relações Exteriores – Palácio Itamaraty

 

Ilustração de Lausanne, Cantão de Vaud. Fonte: HiSoUR.com

 

Brasão do Cantão de Vaud. Fonte: Wikipédia

 

D. Pedro II. Fonte: Wikipédia

 

Colônia Leopoldina atualmente. Fonte: Bahia Turismo

 

Fazenda Pombal, Colônia Leopoldina, Século XIX. Fonte: Brasiliana Iconográfica

 

Fábio Ávila

fabioavilaartes@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

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