Elza Francisco: ‘Sagrada sozinhez’

16/07/2021 17:12

Elza Francisco

Sagrada sozinhez

Vivia sozinha.

Sonhava sozinha.

Seguia sozinha.

Caminhava sozinha.

 

No alto do morro,

o azul do céu

a acolhia sozinha

sob o seu dossel.

 

Sozinha…

espalhou a sua história.

Virou capa de livro.

Tatuagem no braço do sonhador.

Inspirou grandes amores.

Cantou  louvores.

A montanha era toda sua,

somente sua…

nua.

Completamente…

nua!

 

Num dia,

sem poesia…

o machado aos seus pés chegou.

A sagrada sozinhez desabou.

 

Árvore ao solo.

 

Sozinha,

a  sentinela

do sublime amor…

chorou!

 

O sicário…

dissolveu-se no cenário!

 

Elza Francisco

elza.francisco@uol.com.br

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