Clayton Alexandre Zocarato: ‘O significado em ser mãe’

06/05/2022 14:39

Clayton Alexandre Zocarato

O significado em ser mãe

Na cultura pop a figura maternal possui características estruturais que submetem a um doce maniqueísmo, pelos quais  passa por um sistema de interpretações analíticas,  aos quais pode ir tanto para a psicótica mãe de Norman Bates em Psicose de Alfred Hitchcock, como a acolhedora Mãe do romance  Maximo Gorki, que entrelaça elementos pré-revolucionários na Rússia czarista em sua imagística.

Seja como for, Mãe é um termo que  gera uma genealogia de atributos intelectuais em torno de como a “Mãe Terra”, está sendo tratada, perante um zelar coletivo  por rebentos que ainda insistem seu poder matriarcal.

Matricial seria dizer que dentro de uma estrutura de conhecimento filosófico, em determinados momentos, transcorrem sufrágios de um vitimismo por parte de seus pupilos, em desafiar sua “natureza ginecológica” benéfica, para se colocarem como bajuladores de um falocentrismo especulador macabro e exagerado, quanto a se vitimizarem perante os desafios “mais comuns” quanto a compreender e louvar o verdadeiro significado e sentido em ser mãe.

Do desejo “inconsciente freudiano” em o filho ver a mãe como sua primeira amante,  ela está dentro de uma historicidade  em  esgarçar uma ternura levada  ao limite sentimental extremo, ao qual se  ganha um contorno heterodoxo  em refazer críticas contra a  massificação do carinho, e que de certa maneira, faz com que haja flancos metafísicos, quanto a um Romantismo em colocar uma práxis da maternidade  que não objetivamente esteja diretamente  resplandecido ao  fator de reprodução.

Porém, o significado da maternidade entrou no sentido de um ç; transhumanismo, que não importa unicamente o progresso de  seus gametas, ou dos seus genes recessivos, mas sim que a contemporaneidade produziu múltiplos estereótipos, quanto o que representa ser mãe.

Eugen Relgis, escritor romeno do inicio do século XX, “colocou que as sociedades precisam em determinados momentos conter uma representatividade, que faça da sua coletividade uma estrutura de acolhimento e proteção”. Na antiguidade  a crença cristã em  Maria Santíssima, foi um exemplo máximo, de como a “mãe”, padece perante os sofrimentos dos filhos.

E de certa maneira em torno de m senso-comum escatológico, a mãe é um aparador, em tentar parar o “cavalo solto da juventude, no seu vigor corporal, de sempre imaginar ser jovem eternamente e nunca parar de correr”, usando aqui de uma analogia “balzaquiana”.

Ou seja, a mãe, que precisa muitas vezes encontrar seus pimpolhos depois de uma noite de arruaça e cachaça, que tem que levar eles e elas para debaixo do chuveiro para tentar curar o efeito alcoólico de suas veias depois de várias doses, ou que tem que desafiar a autoridade paterna em esconder uma pseudo-maturidade  do jovem que julga muitas vezes já, maduro o suficiente, para enfrentar os  desafios da vida já  somente por si só.

Todavia, é primordial deixar evidenciado, que existem “mães órfãs de seus filhos”, que são depositados em lares desestruturados, sem apreciar a companhia daqueles que um dia esteve sobre suas asas protetoras.

Economicamente, há uma grande falta de planejamento em promover uma informação acerca dos manejos com capitais, quanto à “terceira idade chegar”, em que faz ser vital conter dividendos que possa assim prover recursos para proporcionar um tratamento digno para todas as senhoras mamães, quando a velhice chegar, aos quais há uma lacuna em proporcionar uma educação para os filhos quanto a um sentido de planejamento familiar conciso e claro.

A Sindrome de Peter Pan, que paira sobre uma boa camada populacional jovial, que cresceu corporalmente, mas que não se pode dizer o mesmo de sua mentalidade, vem a desnudar, como o imediatismo, é algo cruel,  fazendo um cogito de aprendizado, em querer negar o poder do tempo,   perante o frescor espiritual e material dos seres humanos, de se considerarem donos das artimanhas cronológicas.

A Mãe é quem pari um universalismo de esperanças, perante a “representatividade social”, que sai de dentro dos espaços fechados, mas que vai aos poucos arquitetando um arquétipo filosófico que segundo Serge Moscovici, “faz com que ocorra sentimentos sinistros, quanto a compreender, que por um certo momento, ela a mãe é tudo para criança”, e que depois pode, sucintamente vir a não representar mais nada.

Dentro da concepção do “ser – temporal” de Martin Heidegger, as mães também vão sendo metamorfoseadas, com um clivo de subjetividade, que possa assim, empreender uma história, em que seus filhos venham a bailar com um gosto sentimental, tanto em ter seu zelo congênito, como a um apreço em saber que seu físico, irá virar uma energia de saudade que vai acompanhar seus passos pelo resto da sua vida.

O “ser mãe, está realçado com sua eterna recordação”, que vai assim tecendo combates diários contra uma admoestação de sua não compreensão perante um mundo, que vai caminhando lentamente para um apodrecimento espiritual, em que as pessoas se acostumaram, a ficarem sozinhas.

Porém o “bastar a si só”, deixa um sínodo psicológico, que enquanto a pessoa detém todo o vigor de suas forças corporais, consegue fazer uma individuação rentável, que venha a outorgar ganhos materiais excêntricos e egoístas, mas a figura materna sempre é imponente perante alertar as pessoas que todos, tem limites.

As mães ultrapassam todos os limites, seja para abandonar sua prole com um sentimento de rejeição, ou por necessidade em ver a criança feliz nos braços de outra família, ou como também em proteger-la por completo até o máximo de suas forças, sua criança, revelando um brio de empatia, que somente as mães podem dar.

As mães são como pelicanos algumas vezes, arrancando da sua própria carne para saciar a fome de seus filhos, e não importa que  para ela o filho seja um delinqüente, um sujeito repleto de crueldade, pois em sua áurea,  contém a vitalização intelectual, que no seu aconchego, pode se mudar e remediar  toda e qualquer dificuldade, em nome da construção de um novo ser humano.

Ser mãe está alem da ideologia de Direita e Esquerda, está além de gênero e classe, além de divisões e ramificações sociais, tão pouco detém algum manual em doutrina em ensinar,  como ser  uma boa mãe.

Mãe é mãe, em qualquer lugar, é ela que em muitas vezes profícua um pragmatismo em realizar condutas que vão organicamente, disseminando um bom cuidar, que se relativiza, diante o surgimento de manifestações multiculturais, que emanam  que o seu amor, está  aquém de  diferenças e preconceitos,  ele é sempre universal.

Antes de ser mulher, mãe é filha, é a princesa, é a rainha, é a namorada, é a esposa, ser mãe se converte em um esclarecimento lúdico, onde não há liames, para o seu amar e cuidar.

Não há classificação de sexualidade definida, pois “mães trans e mães lésbicas, ou gays”, podem transpassar as barreiras da maldade taxativa de normatizações psicossociais arbitrárias,  e demonstrarem uma intensidade de afeto e respeito por seus filhos, que coloca na esfera pública, a urgência em se debater, o sentido sociopolítico em o que é ser mãe na contemporaneidade?

Ser mãe além de tudo é ser guerreira, em meio a um caos líquido de empatia, que vem destruindo a “ética do cuidar, gerando privação e delinqüência”, em grande escala segundo as palavras do psicanalista inglês Donald Winnicott.

 

Clayton Alexandre Zocarato

claytonalexandrezocarato@yahoo.com.br

 

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