Célio Pezza: ‘O diabo e os tempos atuais’

30/04/2021 13:40

Célio Pezza

Crônica # 462: O diabo e os tempos atuais

Nesses tempos sombrios, vale perguntar qual é a política do diabo para os humanos, supondo obviamente que o diabo exista. Houve um tempo em que o diabo queria aparecer e fazia questão de que todos os magos e bruxas queimassem nas fogueiras em seu nome. Aquele tempo era bom para ele, pois os sacerdotes que mandavam queimar os coitados, também estavam a seu serviço e o inferno acolhia humanos aos montes. A ignorância era tamanha, que muitos tremiam só de ouvir falar sobre o diabo e sua turma. À medida em que o ser humano ficou mais conhecedor das coisas, ele passou a não acreditar no diabo e o maléfico viu que isso também era bom. Nessa época, ele preferiu se esconder e propagar a sua não existência. Essa política continuou enchendo o inferno de gente que não acreditava no diabo. O diabo percebeu que, quando os homens não acreditavam nele, também não acreditavam no seu oponente e isso era bom. Nessa época o diabo teve grandes aliados na Ciência humana, em especial na Psicanálise e todas as suas manifestações eram prontamente desacreditadas e classificadas como doenças. O diabo se divertia quando via um médico prescrever um medicamento para uma pessoa que tivesse tido algum contato com um demônio qualquer. Assim, a politica do inferno era de manter o ser humano na ignorância e na pretensão de achar que o diabo não existia. A igreja sempre o ajudou nessa tarefa, pois o pintava de tal forma grotesco, com chifres, rabo longo, cor avermelhada, pés de bode, que era fácil muitos acharem tudo bobagem e não acreditar em mais nada. Da mesma forma, pintavam um deus velhinho, de longas barbas, sentado em um trono, rodeado de anjos tocando arpa e cantando louvores. Vejam, é a técnica de falar bastante besteira, para ninguém acreditar em nada e isso é bom para o diabo. O ser humano sempre teve um falso moralismo, e criou uma série de panelinhas na sociedade, algumas secretas e mesmo dentro das religiões. Essas facções produziram a falsa sensação de que estavam protegidos e participando de uma guerra justa. O diabo novamente riu a valer, pois ele sabe que não existe uma guerra justa. Enquanto as facções brigam entre si e defendem suas posições, mais o inferno fica cheio. Temos os caldeirões dos pacifistas, dos anarquistas, dos que brigam por tudo, dos que não tem interesse em nada, dos religiosos, dos ateus, dos que trabalham por uma causa e dos que só criticam. Enfim, em um mundo dividido, sempre ficou mais fácil para o diabo. Um dia, um demônio fez a proposta de  criar uma pandemia de medo entre os humanos, pois  sabiam que o medo era uma força destrutiva poderosa e os humanos se perderiam por completo. O diabo ouviu a proposta e, de um relance, viu que a batalha final poderia ser ganha. Para o diabo, o ser humano não passa de alimento e quanto mais estiver impregnado de medo, mentiras, egoísmo, ódio, perversidade, mais saboroso fica. Já não importa mais se acreditam em nós ou não, disse o diabo. Usaremos a sua ciência e tecnologia de informação para  criar os temperos e milhões deles virão para nós com certeza. O inimigo vai lutar, mas acho que desta vez, vamos ganhar uma grande batalha neste mundo. Um dos demônios alertou que o ser humano poderia receber ajuda de fora, de alguém que conheça o diabo e saiba como ele trabalha. O diabo chefe pensou um pouco: “É só espalhar mentiras e desacreditar quem quer que venha ajudar esses tolos. Afinal, somos mestres nas mentiras.”

Célio Pezza – abril, 2021 – celiopezza@yahoo.com.br

 

 

 

 

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