TVs abertas demitindo funcionários e encerrando programas. Crise por boicote ou por evolução?

20/11/2019 12:26

Está muito comum hoje, principalmente nesses tempos de polarização política, presenciarmos campanhas nas redes sociais do tipo, não assista a TV aberta X, não veja a TV Y, não comprem produtos dos anunciantes da TV Z e por aí vai.

Coincidentemente, também estamos vendo nos noticiários que as emissoras estão gradativamente demitindo funcionários, inclusive atores famosos e apresentadores consagrados, com o encerramento de programas já consolidados nas grades das emissoras.

Mas será que existe relação entre esses cortes com as campanhas que estamos vendo nas redes sociais?

Respondo com certeza que não, nenhuma relação, e sim, uma evolução radical na forma como as pessoas consomem conteúdo dessa mídia.

O principal fator dessa mudança é a internet, que nos últimos anos, evoluiu estrondosamente e alcançou praticamente todos os grupos sociais, alterando desde a forma como pedimos comida até como vemos as notícias do dia.

Segundo pesquisa do IBGE divulgada em 2018, existem 102.633 milhões de televisões em domicílios brasileiros, já o número de smartphones com internet são 230 milhões de aparelhos ativos, além disso, 74% da população urbana, 49% da população rural e 48% da população das classes D e E, possuem internet na residência.

A televisão deixou de ser a única fonte de entretenimento e houve uma mudança na cultura do público telespectador.

Essa mudança ainda é recente no Brasil, se comparada a outros países onde a popularização da internet é mais antiga, como os EUA e Coréia do Sul por exemplo. Nesses países, a televisão no modelo tradicional luta para sobreviver, para não dizer agoniza, pois já não funciona com eficiência a venda de comerciais nos intervalos de programas, lembrando que aqui no Brasil esse modelo de receita foi introduzido em 1951, um ano após a chegada da TV e é usado até hoje.

Falando dos EUA, o YouTube já é mais visto por lá do que a TV aberta. Ao sentar em frente a um aparelho de TV, 17% dos norte-americanos entre 18 e 34 anos optam por assistir algo no YouTube, enquanto apenas 7,5% escolhem alguma das cinco principais redes (ABC, FOX, CBS, NBC, The CW) do país.

O telespectador de lá e da daqui, aprendeu que não precisa mais ficar condicionado a horários fixos para ver seus programas favoritos, pois na internet ele pode assistir o que quiser, na hora que preferir, no ônibus a caminho do trabalho, no horário do almoço e até no banheiro, com a vantagem de poder pausar e continuar de onde parou.

E não só o público, mas as empresas também já mudaram suas estratégias de marketing, fazer propaganda na televisão deixou de ser tão atrativo para elas, pois nas redes sociais elas conseguem alcançar um público muito maior, mais direcionado ao seu produto e serviço e em qualquer horário, sem ter que esperar o telespectador chegar em casa e ligar a TV no tão disputado horário nobre.

Mas o que vai acontecer com a televisão? Ela vai acabar? A resposta é não, ela vai ter que evoluir e se juntar cada vez mais com a internet, oferecendo programação sob demanda e não mais impondo horários fixos.

O futuro são os serviços de streaming (como são chamados os vídeos sob demanda) e Youtube, Netflix, Disney +, Amazon Prime e muitos outros, estão levando vantagem nessa briga, que não é pequena, só o Netflix tem no Brasil 8 milhões de assinantes, apenas 700 mil a menos que a NET e fatura mais de 50% que o SBT em um ano.

Muitas emissoras do Brasil tentaram diversas ações de combate que se mostraram ineficientes e só restou a rendição nessa batalha e começar a se adaptar, como é o caso da Globo, que está investindo pesado em seu serviço de streaming, o Globoplay.

Ela já migrou para lá suas tão famosas novelas, programas de auditórios e planeja produzir conteúdos exclusivos para esse canal, que não necessita de uma estrutura tão grande e custosa como a televisão tradicional, por isso as demissões tendem a aumentar.

Nessa esteira, as outras grandes emissoras, como SBT, Record e Bandeirantes também estão disponibilizando conteúdos on-line, seja em suas plataformas próprias ou no Netflix.

Assim como foi no passado com o rádio e jornais impressos, agora é a vez da televisão tradicional passar por uma transformação, que na minha opinião é perfeitamente natural, dada a evolução das tecnologias de comunicação e transmissão dados. Ela ainda está longe de acabar por aqui, mas caminha para um mundo onde as pessoas buscam cada vez mais conforto e comodidade e querem estar no controle do que assistir.

E você? Está preparado para a evolução da TV?