Teatro Escola Mario Persico estreia novo espetáculo: O amor do soldado

05/09/2019 08:53

 A peça estreia neste sábado apenas para convidados; no domingo, aberta ao público em geral, às 20h

Estreia neste sábado apenas para convidados e no domingo aberta ao público em geral a nova montagem da Cia Clássica de Repertório.

Sempre ancorada numa dramaturgia de peso, os textos da Cia geralmente trazem a cena grandes autores, clássicos ou contemporâneos, nacionais ou não. Assim, consta do currículo da Cia, Camões, Moliere, Arthur Miller, Tenesse Willians, Jorge Andrade, Nelson Rodrigues, Shakespeare, ou adaptações de obras de autores clássicos da literatura, como Eça de Queiroz, Clarice Lispector, Somerset Maughan, entre outros.

Com direção de Mario Persico e contando com atores vindos da montagem de Vereda da Salvação que cumpriu longa temporada no Teatro Escola Mario Persico, O Amor do Soldado, única obra teatral de Jorge Amado, foi escrita em 1944, atendendo a um pedido da atriz e diretora Bibi Ferreira, que pretendia encená-la. A companhia de Bibi, no entanto, logo se desfez, e a peça não chegou a ser levada ao palco.

Originalmente intitulada O amor de Castro Alves, a obra retoma, em linguagem dramatúrgica, passagens da biografia do poeta, ABC de Castro Alves, realizada por Jorge Amado poucos anos antes.

Elaborado durante a Segunda Guerra Mundial, o texto compara a importância de Castro Alves à dos pracinhas brasileiros que combatiam na Europa. Diz o autor em uma de suas intervenções no texto: “Em honra aos soldados expedicionários brasileiros trazemos à cena a vida do poeta libertário e libertador”. A peça foi publicada em 1947, ano em que se comemorava o centenário de nascimento de Castro Alves, ainda com o título O amor de Castro Alves. A partir de 1958 passou a se chamar O amor do soldado.

Jorge Amado – Jorge Amado de Farias nasceu em 10 de agosto de 1912, em Itabuna, Bahia, e passou a infância entre sua cidade natal e Salvador. Ele estudou por muitos anos em escola de regime interno: primeiro no Colégio Antônio Vieira e, depois, no Ginásio Ipiranga, nos quais começou a desenvolver seu lado de escritor com a criação do jornalzinho A luneta, que distribuía para colegas e parentes, e os jornalísticos A Pátria e A Folha, do grêmio estudantil.

Em 1927, ainda estudante, mas do regime de externato, Jorge começou a trabalhar como repórter no Diário da Bahia. Nessa época ainda, ele recebeu a titulação no candomblé. Jorge Amado foi aprovado na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro em 1931. Nesse mesmo ano, seu primeiro romance, O país do Carnaval, foi publicado e recebeu elogios.

Perseguição política e sucesso na Literatura 

Em razão do seu envolvimento com o comunismo, como a maioria dos escritores da época, ele viu seu romance seguinte, Cacau, ser apreendido por policiais. Por esse motivo, o escritor passou certo tempo exilado na Argentina. Mais tarde, entre 1936 e 1937, Jorge foi preso por opor-se ao Estado Novo. Contudo, antes mesmo desse tempo na prisão, o livro Cacau foi publicado e também tornou-se um sucesso entre as críticas.

Em dezembro de 1933, o escritor baiano casou-se com a primeira mulher, Matilde Garcia Lopes, com quem teve uma filha, Eulália. Um ano depois, ele publicou os romances Suor e Jubiabá e formou-se em Direito, quando começaram, então, as perseguições que o levariam depois à detenção. O livro Mar morto foi publicado e recebeu o prêmio Graça Aranha. 

Enquanto Jorge Amado viajava para o exterior, o livro Capitães da Areia era publicado e, de volta ao Brasil, o escritor foi preso novamente quando tentava escapar indo para Manaus. Milhares de exemplares de seus livros publicados, tidos como revolucionários, foram queimados em Salvador por ordem militar.

Após pouco tempo na prisão, Jorge foi solto em 1938, quando mudou-se para São Paulo. Seus livros começaram a ser traduzidos e publicados no exterior. Ainda envolvendo-se com questões de ordem política, ele tornou-se redator das revistas Dom Casmurro e Diretrizes. Em 1942, ele publicou em Buenos Aires a biografia A vida de Luís Carlos Prestes, com o intuito de ajudar na anistia do comunista.

Mais uma vez, Jorge foi preso ao desembarcar em Porto Alegre e, então, foi proibido de sair das terras de Salvador. Naquela época, ele publicou o livro Terras do sem fim, que não chegou a ser censurado. O escritor separou-se de Matilde em 1944.

Em 1946, Jorge Amado passou a envolver-se mais intensamente com a política e candidatou-se a deputado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Apesar de eleito, ele teve o mandato suspenso por alegação de ilegalidade do partido. Nesse período, o escritor conheceu Zélia Gattai, com quem passou a viver. Em 1946, ele publicou o romance sobre a seca Seara Vermelha. Um ano depois, Jorge lançou O amor de Castro Alves e nasceu seu primeiro filho, João Jorge.

Participam da montagem os atores, Matheus Caruso, Valéria Nastri, Jefferson Pereira, Pedro Sales, Davi Gemelgo, Rafael Alexandre, Emily Azous, Sérgio Bacetti, Michele Sonsin e Mario Persico que também assina o espetáculo.

Serviço:

Espetáculo: O Amor do Soldado

Local: Teatro Escola Mario Persico

Endereço: Rua da Penha, 823 – Centro

Horário: 20h00

Data: 08/09/2019 (domingo)

Ingressos:  RS 20,00 e RS 10,00

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