Teatro Escola Mario Persico apresenta, neste final de semana, os espetáculos: Os Fuzis da Senhora Carrar e Servidão Humana

25/07/2019 13:25

Os Fuzis da Senhora Carrar (27 – sábado – 19h); Servidão Humana (28 – domingo – 20h)

 

OS FUZIS DA SENHORA CARRAR

“Quem não faz a nossa luta, faz a luta dos generais!”

A peça Os fuzis da Senhora Carrar, foi escrita em 1937 por Bertold Brecht em meio a Guerra Civil Espanhola, que entre os anos de 1936 a 1939 levou centenas de pessoas para as linhas de frente da guerra. A obra traz à cena a história de Tereza Carrar, moradora de uma pequena vila de pescadores e mãe de Pedro e Juan. Ela não quer que seus filhos sigam para a guerra, mas os generais avançam a cada minuto. A antagônica luta entre a neutralidade e definição de posicionamento político é levada até as últimas consequências num desfecho surpreendente.

A obra não exige, necessariamente, do espectador uma participação intelectual definida. Ao contrário, a proposta do teatro brechtiano é justamente a de contribuir para a formação intelectual desse mesmo espectador, demonstrando-lhe a realidade de acordo com os processos, conceitos e formas de abordagem tomadas pelo autor à sociologia, ao marxismo, à economia e ao materialismo histórico.

Não há romantismo ou heroísmo em Os fuzis da Senhora Carrar. Há uma espécie de asco, de nojo calculado, de raiva cega contra a estupidez do homem no mundo, uma visão mordaz e clínica dos exageros da guerra, dos traumas ocasionados por ela, das dificuldades em tomar partido, em participar de uma realidade desgastante e corrosiva, angustiante mesma. É o mundo que se desintegra lentamente. É o homem que já não pode fazer frente a si mesmo, entregue, abandonado, miserável e patético: a impotência sempre rediviva.

A peça de Brecht tem como preocupação maior demonstrar que situações de conflito coletivo, como foi a guerra civil espanhola, como foi a Primeira Guerra Mundial, desumanizam as pessoas, minam a capacidade humana de transcender sua desigualdade, de vencer suas diferenças, de ensaiar um mundo justo, que nenhum véu encubra, levando os homens a um abismo moral sem precedentes ou justificativas, como o mesmo Brecht demonstraria, anos mais tarde, com uma outra peça determinante em sua carreira: Mãe Coragem.

Dessa forma, o público de Brecht não precisa ser um leitor dedicado e atencioso de todas as teorias sociológicas ou filosóficas da época para compreender o mundo e a sociedade em que vivia, bastava direcionar-se a um espetáculo do autor e se deparar, clara e precisamente, com sua auto-imagem projetada sobre os palcos, com a realidade transfigurada em motivos cênicos, ainda que, na maioria dos casos, Brecht não deixasse transparecer, graças ao recurso do distanciamento narrativo, que se referia ao mesmo público ali presente, à mesma realidade de todos os dias, aos mesmos dramas, misérias, desesperos e frustrações de que se compõem mesmo o mais inocente de todos os públicos.

Os fuzis da senhora Carrar procura uma estética do “distanciamento” para que o espectador não seja conduzido apenas pela emoção, mas também pela reflexão a respeito dos fundamentos da sociedade capitalista e da necessidade de criar uma ordem social alternativa. A montagem surgiu como um exercício dentro do Módulo Teatro Épico do Teatro Escola Mario Persico. Fazem parte da montagem os atores Matheus Caruso, Rafael Milbio, Giovanna Tegani e Natalia Oliveira.

Serviço:

Espetáculo: Os Fuzis da Senhora Carrar
Local: Teatro Escola Mario Persico
Endereço: Rua da Penha, 823
Data: 27/07/2019
Horário: 19h00
Ingressos: R$ 20,00 e R$ 10,00

SERVIDÃO HUMANA

Quais os limites da paixão?

Embora a história de Servidão Humana seja principalmente conhecida pela relação masoquista do casal principal, vide as adaptações cinematográficas e mesmo as adaptações teatrais, a verdade é que a intenção de Sommerset Maugham foi escrever um romance filosófico. O próprio titulo veio da Ética de Espinoza.

Fortemente influenciado por Maupassant, Zola, Flaubert, Maugham quis lançar um alerta para todos aqueles que se deixam enredar pela armadilha de uma visão romântica da existência, baseando-se nas palavras do próprio Espinosa: “Chamo Servidão à impotência do ser humano para governar ou restringir (às suas) emoções.”

Nesta adaptação o foco também são as relações amorosas e a dificuldade que as personagens têm de manter o controle sobre esses sentimentos. Alberto ama Miriam, ou pensa ama-la, ela ama, ou pensa amar a todos, menos a ele. Uma ciranda trágica da qual eles não possuem o menor controle e que os arrasta para um fatídico desfecho.

A adaptação de Mario Persico se fundamenta na tese de Étienne de La Boétiee seu discurso da Servidão Voluntária, como forma para se entender como algumas pessoas se submetem a tanto sofrimento em nome do amor, em nome de uma paixão que só os arrasta a ruína e a destruição. A Cia Clássica realizou na década de 80 uma primeira adaptação com Mario Persico no personagem central. Se chamava “Tangos” e cumpriu longa temporada. Fazem parte da montagem atual, sob a direção de Mario Persico os atores Tiske Reis (Alberto), Giovana Tegani (Miriam), Gabriele Clemente(Enfermeira) e Tomas Moreno (Guilherme). Reservas Inbox

Serviço:

Espetáculo: Servidão Humana
Local: Teatro Escola Mario Persico
Endereço: Rua da Penha, 823
Data: 28/07/2019
Horário: 20h00
Ingressos: R$ 30,00 e R$ 15,00

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