Sônyah Moreira: ‘Uma breve visão do futuro’

21/02/2020 10:20

Sônyah Moreira

Uma breve visão do futuro

Uma cidade qualquer, em um planeta da via láctea, que mais parece uma maquete de papel, não existem cores, tudo é pintado de branco gelo, é aquele branco encardido! As cores foram proibidas. Estamos no século XXV, ano de 2419.

Os jardins são de flores e gramas artificiais, nada mais é natural, orgânico, tudo virou sintético.

Animais não existem mais, nem em terra, ar e muito menos nos mares e rios. Eles deixaram de se procriar, perderam o instinto de sobrevivência da espécie, que era inato em todo ser vivo, e assim foram se extinguindo, espécie por espécie.

Não há necessidade de plantações, tudo é processado em laboratório, tudo sintético, as plantas com tantas modificações, perderam a capacidade de germinar, e com a extinção das abelhas responsáveis pela polinização, não restou nada de vegetal.

As pessoas vestem roupas de material sintético, grudadas ao corpo, não necessita trocar ou lavar, pois a água é usada apenas em doses regradas para beber.

Banhos de piscina, chuveiro ou banheira, isso ficou no passado, é proibido que tenham mais que 5 litros de água por individuo. E mesmo essa água, é derivada da reutilização, tamanha escassez desse bem precioso.

Nesta cidade, tudo é elétrico, com o pouco de luminosidade que ainda restou, captam energia do quase extinto Sol, também existe racionamento de energia.

Em alguns locais, ainda é possível sentir uma leve brisa, que movem imensas pás, que produzem energia, e com isso conseguem reproduzir a claridade de um dia de Sol.

Para os moradores dessas áreas, pode-se dizer que são privilegiados. O ar, na maioria dos lugares, vem de grandes ventiladores, que produzem vento artificial.

As cidades ficam em grandes redomas de vidro. Os habitantes que não foram escolhidos para viverem neste local ficaram do lado de fora.  Sobrevivendo em cavernas subterrâneas.

Vivendo em subterrâneos, e com pouca luminosidade, perderam a capacidade de enxergar, se orientam através do olfato.

Assim como os animais, os seres humanos que vivem nas redomas, não se reproduzem de modo natural, perderam a capacidade de procriar, tudo é feito nos laboratórios. Os novos seres são separados como aptos e inaptos. Os considerados inaptos servem apenas para trabalhos braçais.

Os rebeldes que não estão em redomas, continuaram a se reproduzir, todavia, suas crias nascem com deformidades, em decorrência da poluição da atmosfera, e a contaminação por radiação de todo planeta.   Dependendo das deformidades dos corpos das crias, esses são mortos e canibalizados, apenas alguns sobrevivem, a extinção é iminente.

Esses seres que vivem fora das cidades que são protegidas pelas redomas, estão regredindo e muitos voltando à irracionalidade, ou seja, feras!

A visão assusta, mas o que estamos fazendo para que não cheguemos a isso? Nada, absolutamente, nada!

Com essas visões apocalípticas, percebemos que estamos caminhando a passos largos para a extinção completa do planeta, e com isso, podemos comprometer, não apenas a Terra, talvez, quem sabe toda a nossa galáxia.

É urgente a conscientização de todo o planeta, usar menos recursos, produzir menos lixo, tudo a natureza nos devolve de uma maneira ou de outra.

 

Sônyah Moreira

sonyah.moreira@gmail.com

Tags: