Sônyah Moreira: ‘Sem limites pra sonhar’

23/11/2020 07:47

Sônyah Moreira

Sem limites pra sonhar

“Na convivência, o tempo não importa. Se for um minuto, uma hora, uma vida. O que importa,

é o que ficou deste minuto. Desta hora…Desta vida.”

(Mario Quintana)

 

Acredito que os sonhos nascem junto com a nossa chegada ao planeta Terra. Dizem que trazemos dentro de nossos arquivos todas as diretrizes para a caminhada terrena. Será?

Serão sonhos ou, quem sabe, missões, resgates, compromissos? Vai saber…

O fato é que de nada temos certeza! É provável que a maioria das pessoas tenha sentido a impressão de ter conhecido alguém em um primeiro encontro. Uma empatia e uma vontade imensa de dizer: “Que saudades!” ou mesmo uma aversão, uma antipatia inexplicável, um asco sem a menor explicação.

Chega a ser hilário ao percebermos que um lugar nos parece familiar sem nunca termos conhecido tal sitio! Talvez, esteja aí algum resquício de que possamos realmente ter uma alma imortal, eterna!

Escrevo estas conjecturas sem compromisso com qualquer denominação religiosa, haja vista me considerar agnóstica, portanto, espero não afrontar nenhuma das inúmeras crenças existente no mundo moderno.

Em 2017, tive o privilégio de visitar Lisboa, Portugal, e lá tive a nítida impressão de que até o cheiro do lugar era familiar e isso me remeteu ao passado; se breve, ou longínquo, não sei! Na época pareceu um filme. A visão que tive de tempos de outrora para mim era real.

Essa experiência, compartilhei com minha filha. Estávamos no Castelo São Jorge, palco de uma guerra na defesa e na construção de Portugal. Voltei ao passado, se em sonho, ou em devaneios, não sei! Todavia, tive a impressão de ter estado lá em outras eras, senti a angústia e as paixões existentes naquele campo astral.

Ao passear pelos muros da fortificação, vi imagens de outrora, pessoas com vestimentas de época, o glamour e o romantismo de uma era longínqua!

Para alguém agnóstico como eu, isso parece realmente devaneios, sonhos, ou, talvez, uma vontade imensa de voltar ao passado, onde os valores eram mais arraigados, ou mais primitivos, onde o grupo era, “Um por todos e todos por um”. As paixões primitivas, boas ou más, eram fortes como os vulcões, incontroláveis! O mundo moderno está nos transformando em máquinas insensíveis, ou até indiferentes.

Vivemos em tempos em que nossos sonhos são deixados de lado, temos limites pra sonhar!

Quem sabe tudo isso esteja na esfera dos delírios, quem sabe a necessidade de sair da realidade e ir para o mundo imaginário, é o que nos faça permanecer lúcidos, sem transpor de vez a linha imaginária da sanidade.

A vontade de ultrapassar essa linha da sanidade e da insanidade é um clamor ardente! Talvez, isso seja resultado das lembranças de nossos compromissos, de nossos sonhos, de nossos amores impossíveis. As lembranças das batalhas vividas como guerreiros e heróis, que vaga em nossos sonhos. Lembranças   de morrer e matar por uma causa. Quem sabe?

O tempo não importa, o que verdadeiramente importa é a intensidade de sentir o momento, é a vontade de saber qual seria, ou qual é nossa missão, e o que verdadeiramente nos trouxe de volta a essa vida.

Sem limites pra sonhar! Sonhar um amor impossível! Sonhar uma viagem! Sonhar em levar seus ideais aos limites de sua existência!  Sonhar para apenas viver! Se uma, duas, três, ou mais vidas, não importa! O tempo é infinito, o universo grandioso, somos apenas um grão de areia na imensidão de um mundo, onde faltam sonhos e amores eternos e, talvez,  etéreos, como o sopro de nossa breve experiencia terrena!

Talvez, as vidas passadas possam ser sentidas, ou lembradas em notas musicais, ou num perfume eterno de uma flor.

Sem limites pra sonhar, só assim é que, se pode entender, enfrentar, ou sentir o amor…Divino, ou carnal, ou mortal como nós…!

 

Sônyah Moreira

sonyah.moreira@gmail.com

 

 

 

 

 

 

Tags: