Sônyah Moreira: ‘Ressurreição’

27/06/2019 08:17

Sônyah Moreira

Ressurreição

Em latim: Resurrectio. Em grego: Anastasis.

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Imagem extraída da internet

Quando falamos em ressurreição,  imediatamente nos vem à mente a ressurreição de Cristo, sendo este fato considerado por muitos  como a base do cristianismo.

Com o devido respeito, me atrevo a escrever sobre um assunto tão polêmico e, ao mesmo tempo, apaixonante, independentemente  de professar ou não  esta crença.

Vamos nos ater ao episódio ressurreição apenas por um olhar  histórico. Deixemos de lado as crenças e religiões que, na maioria das vezes, usam doutrinas para beneficio próprio e  manipulação das  pessoas  em momentos de fragilidade e carência.

Dizer que a ressurreição do Cristo, por si só, não teria tamanho poder de persuasão, talvez!  Há dois mil e poucos anos, período em que imperava a intolerância,  dentre outras coisas, um único fato não pode ser considerado o estopim de um movimento, quiça, revolucionário para época.

Com todos os mistérios que envolvem este fato, podemos concluir alguns. Os seguidores de Jesus  não iriam cometer o sacrilégio de sumir com os restos mortais do Cristo. Se, por respeito ao mestre, ou às  leis da época,  em que  tocar em  cadáveres era uma coisa considerada impura, principalmente no  shabat, vale lembrar que eram judeus.

Por outro lado, o governo romano não queria a expansão do movimento, e, pelo  simples fato de não acreditarem  nos boatos, não roubariam o corpo. Penso mesmo,  que não se dariam a esse trabalho. Por alguns escritos encontrados,  nem os próprios discípulos estivessem totalmente convencidos da possível divindade do Cristo.

Ressurreição! Talvez a dor mais sentida por aqueles que o seguiram, que conviveram breves momentos com um homem de idéias revolucionárias demais para época, seja mesmo o fato de não haver um único osso para ser venerado. Nada restou!  Somente    textos  fragmentados escritos anos após sua partida.

A busca pela verdade levou a apropriação por vezes indevida dos fatos históricos, os abusos cometidos em nome de um homem que viveu breves 33 anos, são abomináveis.

Se a vinda de um ser divino em carne e osso foi  apenas uma experiência do Criador, esta poderá  ter sido a maior  decepção com a humanidade.

Há dois mil e dezenove anos, a pergunta que ainda persiste: valeu a pena? O objetivo foi alcançado? A humanidade conseguirá, ao menos que parcialmente, seguir os ensinamentos humanitários deixados por esse homem?

Cristo,  que seja divino,  humano, revolucionário, um homem à frente de seu tempo. Será que   foi  apenas uma bela história de ficção, muito bem contada? Será?

Dizem  que a  mentira   é uma senhora com pernas bem curtas, que costuma tropeçar e cair rapidamente.

Será que uma mentira duraria 2019 anos?

Com todo respeito aos que acreditam, e também  àqueles  que não acreditam, quer sejam, ateus, agnósticos etc.

A pesquisa pode nos  levar a crer convictamente,  duvidar, ou, simplesmente, acender a chama da fé fundamentada e sem fanatismo,  fazendo com que sejamos  mais tolerantes com as diferenças, talvez, nos fazendo enxergar  a nossa  pequeneza diante da imensidão do universo e seus mistérios.

Ressurreição! Levantar,  erguer, viver,  ou, quem sabe,  renascer. Persistir na busca incessante de nossa verdadeira origem

 

Sônyah Moreira

sonyah.moreira@gmail.com

 

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