Sônyah Moreira: ‘Poderes em xeque!’

28/02/2020 15:05

Sônyah Moreira

 Poderes em xeque!

O tripé da democracia precisa mostrar que não foi montado em um brejo, que com qualquer sacolejo venha a ruir.

A autonomia das casas republicanas faz de uma nação uma democracia, e estão sendo testadas em sua essência. Ou seja, quem por nós foi colocado lá, tem o dever de cumprir e honrar a Constituição, um simples manual que exemplifica o que significa liberdade, ainda que tardia!

Em 1964, falhamos na defesa de nossa constituição, e entramos em uma cortina de ferro, que levou a nação a décadas de ditadura.

Como em toda história existem defensores e opositores das versões que constam nos livros de escola.

Para alguns, havia o perigo do comunismo, para outros, interesses escusos, forças ocultas, como disse o presidente renunciante da época.

Mergulhamos numa ditadura sangrenta, pessoas foram perseguidas, jornalistas assassinados, censura em todos os meios de comunicação, será mesmo necessário o retrocesso?

A democracia dá ao povo a liberdade de escolha de seus políticos, o erro é de quem? Nosso, claro! Se hoje, como dizem alguns, temos um Congresso, que trabalha com barganhas, a culpa é nossa, nós os eleitores da “Republica das bananas” que os escolhemos, ou não?

A leve menção a um AI 5 traz a nossa memória dias duros e sombrios de nossa breve história. Será falta de conhecimento? Governos ditadores podem levar uma nação inteira a cometer atos abomináveis, e todos sem exceção, serão culpados, os vários exemplos mundo afora que os diga!

Passados mais de um ano de uma eleição tumultuada, onde se acreditou na renovação da esperança. Promessas de menos corrupção e mais comprometimento com o povo foram feitos com efusiva demonstração de entusiasmo, não está na hora de colocar a bola no chão, e começar a mostrar para o que veio, ou não?

Tudo isso demonstra um embate de um governante, seus familiares e agregados, que muito fala e pouco ouve.

Nossa constituição de 1988 deixou clara a ideia de tripartidação dos Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) refletia uma nação que deixava para trás décadas de ditadura militar.

Cada republicano deve ter o compromisso de manter e salvaguardar com a vida se preciso for, os direitos e deveres, contidos em nossa constituição.

Lembremos que, um presidente da república, pode muito, porém, não pode tudo, e principalmente, não pode transgredir a supremacia de nossa constituição.

Conclamemos o povo para uma revolução sim, uma revolução sem armas, sem ódio, sem ataques aos poderes institucionalizados na democracia e as devidas independências.

Conclamemos o povo para a revolução do voto consciente, com escolhas melhores nas próximas eleições. E porque não estabelecer o voto facultativo e não obrigatório,  e quem sabe se com isso, sairíamos de nossos lares para votar com vontade cívica e uma pitada de patriotismo?

Conclamemos o povo, para perceber que, um país só se transforma em nação com as diferenças, sejam elas, religiosas, gêneros, ou seja, igualdade.

Precisamos de um país com menos desigualdade social, e com pessoas com o mínimo necessário para levar o sustento para sua família com dignidade.

O Estado não precisa dar esmolas camufladas de ações sociais, que mais se assemelham a grilhões dos tempos da escravatura.

A mistura de nosso DNA faz de nós cidadãos únicos no mundo, temos uma ginga invejável, conseguimos conviver com situações inimagináveis para outras nações.  Nós possuímos a característica de equilibristas.

Somos carnavalescos por natureza, fortes por herança de nossos ancestrais, não podemos deixar que o retrocesso em nossa democracia, nos deixe caminhar na contramão da tendência mundial, onde liberdade com responsabilidade está em voga atualmente. Ou não?

 

Sônyah Moreira – sonyah.moreira@gmail.com

 

 

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