Sônyah Moreira: ‘Plano Cebolinha’

07/06/2020 20:35

Sônyah Moreira

Plano Cebolinha

Durante a ditadura militar, o Brasil sofreu as consequências da negligência do governo na Saúde como forma de impedir que o regime caísse em descrédito. É o caso da epidemia de meningite, que ocorreu entre 1971 e 1974. Tendo como foco São Paulo, a crise sanitária teve uma média de 1,15 mortos por dia, com auge em 1972 (14%).

O mais grave desse surto era consciência do governo em relação à letalidade da doença, mas um encobrimento da situação pela linha dura, que se aproveitava da vitória na Copa anos antes. Isso porque o país não podia cair com a derrota do sistema de saúde.

O que começou a mudar (lentamente) quando Geisel assumiu, mudando a diretriz do governo para a Abertura Pendular. Em 1975, provou-se que a melhor maneira de diminuir as mortes era o diagnóstico precoce e o tratamento.

Segundo os epidemiologistas, a o surto ganhou vida nas periferias de Santo Amaro, bairro populoso da cidade de São Paulo, progredindo para os centros em múltiplas ondas despercebidas, atingindo um momento em que absolutamente todas as regiões da cidade registrassem casos, com riscos entre os mais pobres. Diante do aumento da pobreza na Ditadura, as favelas cresciam anualmente, e as condições de vida pioravam.

Naquele ano, a população já sabia que a situação era crítica, e exigia ação rápida do governo. No entanto, as autoridades do Ministério da Saúde negavam a existência da doença. Enquanto isso, as secretarias do estado de São Paulo tentavam conter a situação, com medicina preventiva e testes de novas vacinas.

Pressionado, o governo paulista passou a adotar uma vacina usada por militares dos EUA no Vietnã, que ao ser testada em crianças em São Paulo. No entanto, foi em vão: só existiu imunidade a partir dos dois anos de idade. Isso gerou mutações na distribuição da doença, atingindo pessoas adultas.

Diante da sobreposição, o surto estava cada vez mais descontrolado, até atingir, sem que a capacidade da unidade federativa fosse suficiente, 563 casos a cada 100 mil habitantes, segundo a obra O livro da meningite, uma doença sob a luz da cidade, de José Cássio Moraes e Rita Barradas Barata.

Com isso, diversas faixas etárias passaram a fazer parte dos principais grupos de risco, enquanto nenhum governo fazia ações concretas de controle sanitário, como massivas campanhas de vacinação ou regulação dos ambientes de trabalho.

A partir de 1974, a situação estava tão crítica, que era impossível fingir que não estava acontecendo. A Linha Dura saiu da presidência em favor do Gen. Ernesto Geisel, que criou a Comissão Nacional de Controle da Meningite, para a vigilância e aconselhamento de como prosseguir.

Se a ditadura não tivesse acobertado a crise, ela não teria sido difícil de controlar a partir de 1974. Em 1976, o número de contágios já era seis vezes maior ao ano anterior, e uma operação gigante de vacinação se tornou necessária.

Em apenas quatro dias, agentes vacinaram mais de 10 milhões de pessoas. No entanto, o esforço em impedir a disseminação do surto continuava: não existia uma comprovação da vacinação ou o registro das ações do Ministério. Além disso, os dados foram originados através de pesquisas posteriores do IBGE, por amostra domiciliar.

Estima-se que 93% da cidade tenham sido atingida pela campanha, o que possibilitou, dado o atraso nas ações do governo, que os casos começassem a diminuir apenas em 1977 (ano em que a incidência do Tipo A ainda era maior que a calculada), possibilitando o retorno da rotina normal da capital.

Plano cebolinha, porém, detalhe encontraram vacina! Hoje essa pandemia, esse inimigo invisível, que adentra nossos lares, não tem ainda um diagnóstico preciso, nem se sabe  ao certo como ele se locomove!

Plano cebolinha! É o governo que aí está, elaborando planos infalíveis da não divulgação de dados, para que a imprensa, sua pseuda-arqui-inimiga, não tenha ibope!

Plano cebolinha! Infantil demais isso! Com milhares de mortos por um vírus desconhecido, um país de joelhos, pessoas morrendo de muitas outras doenças, morrendo de fome, e, morrendo de medo do desconhecido.

Me permita, o sr.  Mauricio de Souza, usar de sua criação, o personagem Cebolinha, para descrever as estratégicas infantis de nosso atual governo, em divulgar números ao cair da noite, pelo simples fato de não dar ibope ao seu inimigo imaginário, a imprensa!

Na fábula de Mauricio de Souza, Cebolinha, levantava-se diariamente para planejar um plano infalível para derrotar somente sua arqui-inimiga Monica. Infantil! Sim, e porque, não dizer, lindo.! Porém, a realidade é deverás cruel, não existe espaço para conto de fadas!

Se, nos anos de chumbos, pelo quais passou nossa grande nação, isso foi impossível, imagine agora no século XXI! Com a gama de informações que circunda o planeta! Bravo! Temos internet!

Que infantil, que atitude grotesca!

Estamos morrendo como moscas, há um simples borrifar de inseticida qualquer; a coisa é séria.  Se cuidem, e não somente de você, o mais importante é, cuidar de quem pode ser muito mais vulnerável que você.! Nesse momento, o mais importante é quem, você pode contaminar, pois, de repente, você não tenha nenhum problema. Mas e seu próximo? Essa é a questão! Responsabilidade, com o próximo.! Nesse país imenso, onde a máxima poderia ser um por todos, e, todos, por um!  Estamos cada um por si, e se, houver realmente um Deus, um criador! Esse sim! Será por todos!

Detalhe! Não estamos mais em uma ditadura! Que nos livremos com a ajuda das divindades desse mal! Ou! Pelo menos, que as pessoas se informem, um pouco melhor do que foram os nossos anos de chumbo. As ditaduras em nosso continente latino-americano! Foram cruéis, aliás, os mais cruéis no mundo!

Uma referência, com todo respeito ao nosso Mauricio de Souza, um país como o Brasil, não pode se sustentar em um plano cebolinha. Somos muito maiores que, apenas uma fábula! Será, que um governo acéfalo, nos levará de volta aqueles dias sombrios, em pleno século XXI?

Os dados sobre o surto de meningite constam nos anais de nossa história, as manobras ditatoriais da época, com objetivo de desinformar a população, um negacionismo da doença por parte dos generais. Estamos nós, novamente as voltas com um governo com a mesma estratégia mirabolante.

Somos um Continente! Um país imenso chamado Brasil!

Acorda Brasil! O sono é leve, porém, o pesadelo pode ser longo e eterno!

Amanhã cedo, vou jogar aquele coelhinho no lio! Tenho celteza, que vai dal celto!

 

Sônyah Moreira

Sonyah.moreira@gmail.com

 

*Fontes: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/surto-de-meningite-na-decada-de-70-o-desastre-da-ditadura-militar-brasileira.phtml

*Cebolinha (criado em 1960),  personagem de Mauricio de Sousa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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