Sônyah Moreira: ‘O picadeiro e os equilibristas’

07/03/2018 17:00

“Era uma vez um circo, enorme, repleto de micos e palhaços; os micos eram surdos, mudos e cegos; os palhaços por sua vez, eram equilibristas e possuíam a característica de    rirem  de si mesmos.”

 

Era uma vez um circo, enorme, repleto de micos e palhaços; os micos eram surdos, mudos e cegos; os palhaços por sua vez, eram equilibristas e possuíam a característica de    rirem  de si mesmos.

O que mais nos chama atenção é a falta de ordem, disciplina, organização; tudo é feito de meio que de qualquer jeito, não existe hierarquia, sabe aquele ditado: “Manda quem pode, e obedece quem tem juízo!”. É mais ou menos isso, muitos gostam de se valer do grupo ao qual pertencem,  usando uma frase antológica, “sabe com  quem está falando?”

Existem  dentro desse enorme circo, vários picadeiros, todavia, ficaremos focados apenas no  picadeiro central, que  é destinado apenas aos escolhidos, parte de um grupo restrito. Este grupo é composto por figuras com alguns  apelidos,  digamos, interessantes; assim, por exemplo, como:  boca mole, amante, nove dedos, o vampiro, sim, este último,  atualmente é o principal,  ele ocupa o magnífico lugar de  mandatário do picadeiro.

O mais interessante nesse picadeiro,  é que, todas as despesas ficam por conta dos micos e palhaços equilibristas, esses pagam somas vultosas, salários altíssimos, para  que essas figuras façam  os espetáculos, diga-se de passagem; de péssima qualidade, todavia, já se acostumaram, digamos,    foram bem amestrados,  para aceitar a má qualidade das apresentações.

Conta a história, que anos atrás, o picadeiro era ocupado por um grupo que usava botinas e cassetetes. Dizem  os mais velhos, que esses tempos eram sangrentos,  que não havia liberdade, a imprensa local era monitorada. Tempos, em que crianças, vestiam-se como crianças, porém, podiam brincar de mocinho e bandido e usar revolver de espoletas, bons tempos aqueles! Hoje, as crianças, usam armas de verdade, e matam! Outro fato relevante dessa época era que havia programas de humor, que retratavam a situação do picadeiro central, é, hoje, ta difícil concorrer com a realidade, não há espaço para isso, o real, suplanta  a ficção!

O picadeiro é enorme, assim como os problemas resultantes de sua grandeza, não pensem que tudo é descontrolado, não! Existem leis,  e com braços até longos, feitos exclusivamente para atingir apenas os micos e palhaços equilibristas.

Acostumados às palhaçadas, ouvimos incessantemente,   de um, que já fez parte  do grupo seleto do picadeiro central, dizer que: “Não há uma pessoa mais honesta  do que eu neste picadeiro”,  neste momento as gargalhadas, são ouvidas há quilômetros, é uma piada. O dito cujo, diz ainda  que,  faz parte dos  micos e palhaços equilibristas, chama a todos de  “companheiros”.  E como ele gosta de sair em passeatas e fazer espetáculos em cima de carretas; Há momentos, que fica   impossível segurar o riso, é quando  esta ilustre figura  se compara com vultos históricos, mártires, líderes de  crenças religiosas, é um pandego!

Há  preocupações em relação a ele,   que, com certeza, deve  sofrer de esquizofrenia, mania de perseguição, problemas mentais, o que o leva a crer,  que é  um  injustiçado, desde seu   nascimento.  Penso que talvez, seja um daquele tipo de  louco e bêbado fronteiriço, sim, está fora não entra, e se entrar não sai! Oh! Coitado!

A maioria dos  micos e palhaços equilibristas  gostaria  de possuir uma terça parte das somas milionárias, que são  pagas aos magistrados que defendem  essa, e algumas outras ilustres figuras, os valores  são  deverás, invejáveis, para nós meros micos.

Mas vejam! Toda esta narrativa, de picadeiros, loucos, bêbados e equilibristas,  são  pura ficção! Não  poderia existir um lugar no planeta com estas descrições, como poderiam  sobreviver?  Acalmem-se, trata-se apenas  de uma historieta das mais absurdas, e quiça, uma verdadeira  loucura,  talvez, quem sabe, digna de um premio, somente  pela riqueza de detalhes.

Caríssimos! Se caso exista qualquer semelhança com personagens, ou mesmo  lugares, não passam de mera coincidência, trata-se de uma obra fictícia, absolutamente sem nenhuma preocupação com a  veracidade dos fatos!

Respeitável público! Aplausos para o  palhaço equilibrista, ou seja, o povo. Opa! Cuidado! A corda ta bamba!

A voz de  nossa saudosa Elis Regina( 1945 – 1982), que o diga!

“Louco, o bêbado com chapéu-coco;
Fazia irreverências mil pra noite do Brasil, meu Brasil”

Chora a nossa pátria, mãe gentil. Não há de ser inutilmente, a esperança.

Choram Marias e Clarices no solo do Brasil;

Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista tem que continuar!”

(Aldir Blanc /João Bosco).

 

Sônyah Moreira  –  sonyah.moreira@gmail.com.br

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