Sônyah Moreira: ‘Estado laico?’

22/11/2019 19:59

Sônyah Moreira

 Estado laico?

Em toda a história da humanidade, sempre que o império, governo, realeza e afins se misturam com a religião, a tendência é a intolerância.

Acredito  que é melhor um ateu religioso, do que um religioso ateu!

Envolver o divino, quer seja Deus, Alá e mais uma infinidade de nomes inventados pelos humanos  e  misturá-los com  o governo,  isso  acarreta problemas em toda a sociedade. Um país se transforma  em  nação quando respeita  as diferenças de seu povo.

Falar em nome de Deus, como se Ele houvesse passado uma procuração em cartório, se iguala aos antigos faraós egípcios, que se autodenominavam descendentes diretos dos deuses, ou seja, voltamos ao passado de manipulações grotescas.

Ao entrar com livros sagrados desta  ou daquela religião nos palácios governamentais, exclui-se parte do  povo de um país, ou seja, se comungas de minha fé, tens meu apoio!

As discriminações  das  religiões de matrizes  indígenas ou africanas transformam cidadãos  comuns  em juízes inquisidores com palitos de fósforos acesos junto às fogueiras da intolerância.

Outra preocupação que nos invade a alma é o fato de dizer-se fervoroso e religioso e defender  o  uso de armas  que matam indiscriminadamente. Isso é, no mínimo, ilógico, pra não dizer,  incoerente!

Na maioria das religiões, o apreço a vida humana é defendido e enaltecido como um pilar da grandiosidade do amor ao próximo.

O uso indevido de livros sagrados de qualquer que seja a denominação religiosa pode  transformá-los  na  mais mortal  das armas: a palavra!

As diferenças que temos,  sejam elas  culturais, crenças, ou  status social,  deixam de existir no mesmo instante de nossa morte. A igualdade, mesmo que ignorada ao longo de toda a existência  de uma pessoa, mostra  seu infinito  poder  na podridão cadavérica.

O Estado  sempre deve ser  laico, os seres humanos nascidos com a missão de liderar nações jamais deveriam se autodenominar desta ou daquela vertente religiosa.

Além disso, a  coesão ideológica favorece as   articulações  políticas  de grupos interessados em poder absoluto, os chamados ditadores, que usam  de  discursos inflamados  como se fossem   os cavaleiros  do apocalipse  incitando  as divisões. Vale lembrar uma frase célebre “Dividir para conquistar” Caio Júlio Cesar (100 a.C – 44 a.C), Imperador romano.

O poder que possui  palavras intolerantes,  ditas em púlpitos religiosos com a eloqüência de fanáticos,     podem levar uma nação para guerras sangrentas. E tudo,  em nome de Deus!

No campo de batalha, generais e soldados, religiosos ou não,  e  de ambos os lados, ao serem alvejados mortalmente,  compartilham  suas patentes e suas crenças,  em um mesmo fedor nauseabundo  da podridão de seus corpos, ou seja, exatamente  igual. Nas guerras, tal qual a visão do inferno de Dante Alighieri (1265-1321), todos sofrem.

– Ah! E o outro lado?

– Além morte? – Sim!

– Bom! Deixemos este polêmico assunto,   quem sabe,  para uma  próxima crônica!

Que assim seja! Amém!

 

Sônyah Moreira

 sonyah.moreira@gmail.com

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