Sônyah Moreira: ‘Capitanias herediárias’

28/02/2019 16:02

Um pouco de história não faz mal a ninguém! Essa maravilhosa benesse teve início em 1532. D. João III pediu aos seus aspones que lhe trouxessem um mapa da recém-descoberta colônia, pátria amada…”

Um pouco de história não faz mal a ninguém! Essa maravilhosa benesse teve início em 1532. D. João III pediu aos seus aspones que lhe trouxessem um mapa da recém-descoberta colônia, pátria amada…

Com o mapa em mãos, o rei faz a  divisão das belas capitânias hereditárias, ou seja, para todo sempre. “O que seja eterno enquanto dure”, foi de  apenas 16 anos, até  meados de 1548.

Um belo dia, o rei acordou de mau humor e retomou as capitanias, tipo assim, estatizou. Quem havia investido toda a sua  fortuna,  ficou a ver navios e muitos morreram na completa  miséria. Coisas de Brasil! Talvez,  seja esta a razão  de  algumas maldições, vai saber!

Fiz esta pequena viagem no tempo em nossa curta história, para chegar aos dias atuais, em nossa mais ilustre capitania, a belíssima Capital Federal.

Nossos funcionários federais, aqueles eleitos meses atrás, simplesmente, marcam ponto de presença e se desembestam como gados para o aeroporto. Precisam voltar aos seus estados de origem para compromissos; em pleno carnaval! Faz-me rir!

A herança do sistema de capitanias hereditárias pode ser sentido até hoje, através do coronelismo e das famílias que seguem mantendo o poder em certos estados.

Tudo culpa de D. João III! Alguns têm coronéis bem populares e sobrenomes centenários, e a hereditariedade persiste desde aquele tempo. Passam-se os currais aos netos, bisnetos e assim por diante.

Será que precisaremos de mais 500 anos para purgar nossos carmas? Que maldição é essa, que entra governo, sai governo, e nós, o povo, continuamos a pagar a conta?

Em qual empresa do setor privado marcamos o ponto de presença e nos ausentamos? Onde está a honestidade tão apregoada em seus discursos de campanha?

Pagamos  salários vultosos, e continuamos a ser os  palhaços. Detalhe: caso algum coronel seja confrontado por um palhaço descontente dentro de um avião comercial, ele, descaradamente, e sem a menor cerimônia, pede à aeronáutica que o leve à sua capitania em um de nossos aviões da FAB!

Estou aqui pensando: quanto custa o querosene para levantar o vôo de uma bosta daquela? Perdoem-me, mas estou incomodada com o colarinho de palhaço, está me sufocando; talvez o defunto fosse menor! Assim como o sistema de capitanias, o ser palhaço também passa de pai pra filho.

É ou não é uma farra? Opa! Ou melhor, é  carnaval!

E o palhaço, o que é? É ladrão…

 

Sônyah Moreira – sônyah.moreira@gmail.com

 

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