Sônyah Moreira: ‘Baderna? Será? É generalizada?

25/03/2020 14:51

Sônyah Moreira

Baderna? Será? É generalizada?

Se Deus quiser, um dia eu quero ser índio;
Viver pelado, pintado de verde num eterno domingo;
Ser um bicho preguiça e espantar turista;
E tomar banho de sol, banho de sol, banho de sol, sol…

(Rita Lee, Baila comigo).

 

O termo “baderna” surgiu em 1851, quando uma bailarina italiana com o nome de Marietta Baderna, apresentou-se no Brasil, na época do segundo reinado.

Marietta Baderna Giannini ou Maria Baderna (Castel San Giovanni, 1828Rio de Janeiro, 3 de janeiro de 1892, foi uma bailarina italiana. Radicada no Brasil em 1849, suas apresentações tornaram-se populares no Rio de Janeiro; seu nome entrou para o vocabulário do português brasileiro como sinônimo de confusão.

Fiz toda essa explanação, primeiro; por gostar muito de história, segundo; para desanuviar um pouco um assunto tão  pesado nesse momento.

Baderna no sentido real, seria uma anarquia generalizada, será que no momento atual não estamos nos assemelhando a isso?

Podemos sem sombra de duvida considerar uma baderna em termos governamentais e até da própria população.

Governos mundiais estão sendo colocados em xeque, tanto em suas ações, ou, na compreensão da atual situação.  A população por sua vez, entrando em pânico, corre-se o risco de desabastecimento em todos os setores. Olha meu umbigo aí gente!

A economia se recuperará, alias tudo que é material pode ser recuperado; apenas uma única coisa nessa loucura geral não há como recuperar, pelo menos não por hora! A vida! Para isso, depois da extinção, ou, paralisação dos órgãos de nosso frágil corpo terreno, não existe volta!

O momento é de união, esqueçam partidos políticos, religiões, ou, países.  Nesse exato momento, todos, sem exceção, somos apenas terráqueos, habitantes de um único planeta, que por sinal, esta caminho rapidamente para um colapso, e por culpa de nossas imprudências, ou seja, nos seres humanos racionais.

Será que tudo isso não veio para que possamos repensar tudo em nossas vidas?

A começar pelos amores, com a proximidade da morte, pensamos que, será que o que fizemos até aqui.  Valeu a pena? Deixamos de fazer o que tivemos vontade por puro pudor, será que teremos uma nova chance?

O patrimônio amealhado ao longo de anos, servirá para alguma coisa, se caso não estivermos bem de saúde?

Será que isso tudo não quer de uma maneira dura, nos mostrar que o momento é para nos libertarmos de nossas convenções, nossa moralidade exacerbada, mostrar que deixamos de lado nossa felicidade, pensando unicamente na moral e bons costumes de uma sociedade hipócrita?

Deixamos de fazer coisas, de sonhar momentos mágicos, por simplesmente acreditar em normas antiquadas e esdrúxulas.

Vivemos a modernidade exatamente igual como na idade média, condenamos os corajosos, as Mariettas Badernas, por pura hipocrisia!

Ao descermos a sepultura tudo isso será passado, passado não vivido, emoções reprimidas, paixões deixadas de lado, momentos impossíveis de serem resgatados. Imagina um avião decolar com os assentos vazios, sem volta, não há como repor tudo isso.

Quando voltarmos à normalidade, e iremos voltar, pois a humanidade não será banida do planeta, pelo menos não nesse momento, vamos pensar diferente, obvio que não no sentido literal de baderna, de descompromisso, porém, no sentido de viver intensamente cada momento que a vida nos colocar em nossos caminhos.

Vamos voltar aos tempos da “Baderna”, todavia, no sentido de liberdade de viver, e não de distúrbios generalizados de desordem pública, que isso tudo, não possa de nenhuma maneira, comprometer, ou, prejudicar os outros.

Viver, conviver, aproveitar, e claro, depois de tudo isso, curtir  sem reservas a companhia de pessoas queridas e amadas de forma certa, ou, talvez, até erradas.

Na contramão de tudo que possa se dizer,a verdade é que,  não sabemos o exato momento de nossa despedida, afinal, independentemente de qualquer pandemia, somos seres finitos. Ou, não?

Um dois três e,… Já. Sem drama, mas, porque não pensar, que agora possa ser o ultimo momento! VIVA!

Beije muito, abrace muito, ame das diversas formas possíveis e imagináveis, afinal, como disse nossa musa do Rock brasileiro, Rita Lee:

“Sexo é imaginação, amor é poesia, amor é cristão, sexo é pagão”.

Amor sem sexo é amizade!  Amor é latifúndio, sexo é invasão!

Lógico que, mais que lógico, depois dessa baderna generalizada, ou não,  chamada PANDEMIA!

 

Sônyah Moreira

sonyah.moreira@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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