Sônyah Moreira: ‘Tolerância’

19/04/2020 14:18

Sônyah Moreira

Tolerância

“Possam os homens lembrar-se de que são irmãos”

Voltaire (1694-1778).

 

Se a tolerância é perigosa e em que povos ela é permitida? Ousaria perguntar aos que estão á testa do governo e os destinados aos grandes postos a examinarem com ponderação  se devemos de fato temer que a doçura produza as mesmas revoltas que a crueldade faz nascer; se o que aconteceu em certas circunstâncias deve acontecer  em outras; se os tempos, a opinião, os costumes são sempre os mesmos.

Outros tempos, outros cuidados. Seria absurdo nos dias atuais dizimar a Sorbonne por ter requerido outrora que a Donzela de Orleans fosse queimada; por não ter reconhecido a autoridade e a figura de um rei?

Vamos agora no limiar de nossos devaneios voltar aos acontecimentos atuais de nossa República das bananas! O rei tem o poder da caneta? Nomeia e destitui os escolhidos e com ameaças! Empunha com arrogância uma simples ferramenta de escrita, e detalhe, sem o glamour de penas de ganso usadas em tempos passados!

Divergir de ideias nos faz perceber, que a unanimidade de pensamentos pode nos levar ao colapso de sistemas, será isso um motivo plausível para se substituir alguém?

Saiamos de nossa pequena esfera e examinemos o resto de nosso globo. Vingança é um tipo de justiça selvagem; quanto mais a natureza de homem a ela recorrer, tanto mais deve a lei extirpá-la. (Bacon (1561-1626).

Ninguém faz o mal pelo mal, porém, para auferir  alguma vantagem, ter prazer, satisfazer a honra, ou massagear seu ego.

A vingança, ou, demonstração de poder poderá causar mal a uma sociedade inteira. Ouso supor que um ministro esclarecido e magnânimo, um ser humano sensato, poderá elevar os interesses de seu rei, ou não? Vejam, as escolhas de ministérios de uma nação, deveria ser feita com aspectos técnicos e com interesses de melhorias coletivas.

Portanto, como a tolerância pode ser admitida nas divergências de ideias? Os fanáticos da populaça, diriam que, devemos seguir o mestre sem questionar, olhos vendados, abeirar-se do abismo, morrendo por ideais. Ora! Se nem mesmo os senhores autoritários no escuro de suas alcovas são tão altruístas!

Houve um tempo em que se julgou necessário emitir decretos contra os que pensavam diferentes de doutrinas estabelecidas pelo Estado. Voltamos a essa época?

O país divide-se ao meio, como um estrategista de guerra, dividir para governar, será esse o fim de uma nação? Direita e esquerda digladiando-se, diante de olhos famintos pela cobiça e egocentrismo de governantes interessados apenas em compor sua fortuna, aboletados em palácios sustentados pela plebe.

Voltemos a razão, baixar as armas é preciso. As controvérsias são uma doença epidêmica, maior que qualquer peste aniquiladora da humanidade. Enfim, o que deve   ser interesse do Estado é que os filhos da Pátria, subsistam de maneira a suprir as necessidades de suas famílias com dignidade, mesmo que modesta.

A humanidade o exige, a razão o aconselha e a politica não se pode assustar com isso!

Tolerância é um direito natural que a natureza indica a todos os homens.

“Não faz o que gostarias que te fizessem” (Voltaire)

 

Sônyah Moreira     sonyah.moreira@gmail.com

Fontes:

Tratado sobre a tolerância (Voltaire 1694-1778).

Sobre a potencialidade da alma (Santo Agostinho 354-430

Ensaios de Francis Bacon (1561-1626)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tags: