Sônyah Moreira: ‘História escrita a lápis?

05/04/2019 10:56

Sônyah Moreira

‘História escrita a lápis?

Vocês, assim como eu, que estudamos em  décadas passadas,  hão de concordarem  comigo, pelo menos em parte, visto que não conseguiremos unanimidade, pois tal feito  seria uma utopia.

Tenho acompanhado os debates em torno de nossa breve história, e percebo que, em nosso país, ela é contada de acordo com a visão de quem está no poder.

Quando houve o levante para a derrubada da Monarquia, nossa História contou que a nobreza era desprezível, e o regime republicano seria a solução e o melhor dos regimes governamentais, também foi golpe?

Tá tudo muito bem, tá tudo muito bom, o magnífico regime republicano civil caiu, e, em seu lugar, surge um presidente militar com viés republicano, ora que confusão, foi golpe?

Agora depois de décadas de presidentes civis, onde a chamada democracia reinou, esquerda, direita, centro direita,  vou ver,  e por ai afora, nossa,  deu nó na cabeça.

Pronto!  A esquerda assumiu o poder!  Lá vamos nós reescrevermos nossa curta história, o governo militar foi golpe, ou não foi golpe,  os governantes foram ditadores, não foram? Houve abusos, não houve? Uns dizem que chegaram ao poder através do clamor do povo, outros culpam  as tais, “forças ocultas”. Que dilema!

Meu! Não podemos estar mudando nossa história ao bel prazer de quem está no poder, à educação intelectual já está demasiadamente frágil, como fica a cabeça desses jovenzinhos em relação aos nossos 500 anos de história? Eles adotam inclusive o folclore alheio, sabem de cor e salteado o dia do Halloween. Saci Pererê, quem?

Não podemos apagar o que está escrito, mesmo que tenha sido a lápis! Um país sem memória está fadado a não ter futuro,  e correndo risco diariamente de cometer os mesmo erros do passado.

A história mesmo que sangrenta e  vergonhosa em alguns episódios, é o que nos forjou até aqui. E, querendo ou não, é  responsável por nos transformar em uma nação gigantesca, que por mais que “forças ocultas” tentem nos derrubar,  não conseguem.

Não podem querer amenizar,  ou agigantar os eventos, precisamos respeitar o passado,  bom ou ruim. Os livros didáticos não podem ser modificados de acordo com o regime, ou a patente de governantes, militares, civis ou nobres.

Ao apagar a memória de um país, a consequência é catastrófica e favorável  para o surgimento de salvadores da pátria. Os discursos inflamados,  que buscam  no íntimo de seu povo o extinto selvagem com discriminação de raças, religiões e tudo que difere da opinião de quem estão com o poder nas mãos.

Em toda a história sempre haverá o lado bom e o lado ruim, devemos ser apenas  fiel aos fatos, nem muito ao mar, nem muito ao ar!

É urgente ensinar nossas crianças que  a cidade de   Salém,   pertence ao estado de Massachusetts, nos  EUA.

 

Sônyah Moreira  –  sonyah.moreira@gmail.com

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