Sandra Vasconcelos entrevista o músico cruzeirense Júlio Bittencourt

04/08/2021 22:22

A luz da cultura, da música e da poesia presente no Jornal Cultural Rol

Cruzeiro (SP): A ‘Cidade Menina’

Cruzeiro é um Município Brasileiro do Estado de São Paulo. Está situado em uma região montanhosa repleta de recursos naturais.

Cruzeiro surgiu ao lado da linha da Central do Brasil, construída em 1890.

O traçado do Município segue um trajeto quadriculado feito pelos engenheiros da Rede Ferroviária. O núcleo urbano da cidade de Cruzeiro está a 8 km da Rodovia Presidente Dutra (BR – 116).

Cruzeiro fica próxima das divisas com o Estado do Rio de Janeiro e Minas Gerais e a meio caminho dos principais centros consumidores do país: São Paulo e Rio de Janeiro.

Em 2 de outubro de 1901, houve a emancipação política e administrativa de Cruzeiro. A “cidade menina” como ainda é chamada, tem suas terras emolduradas pelos belos contornos da Serra da Mantiqueira, maciço de rara beleza e rico em recursos naturais.

Cruzeiro é uma cidade de lindas mulheres e de homens inteligentes.

Belvedere ‘Santo Cruzeiro’

Vários são os pontos turísticos que fascinam e encantam os visitantes da cidade.

O Belvedere ‘Santo Cruzeiro’ é um deles. Erguido em um Promontório na entrada da cidade, em outubro de 1963, em homenagem às Santas Missões, pregadas pelos padres Redentoristas.  Esse símbolo da fé e da Cristandade, foi oferecido à população Cruzeirense, pela direção da FNV (FÁBRICA Nacional de Vagões). Logo ali a alguns metros de distância vamos encontrar o IMB (Instituto Musical Bitencourt).

O IMB foi criado em 2002, pelos músicos Júlio Bittencourt e Luciano Bittencourt com a intenção de levar conhecimento e cultura para a região. Com sede própria consiste em um complexo com várias salas de aula, estúdio de gravação de CDs, auditório para palestras, shows e workshop.

O objetivo do IMB é oferecer conhecimento e prática musical levando ao estudante a oportunidade de se tornar um profissional competente e apto a se realizar em qualquer área musical.

É nesse ambiente mágico de musicalidade e alegria que encontramos o nosso entrevistado.

Júlio Bitencourt

JR – Bom dia Júlio. JR-Qual é a sua formação profissional?

JB- (JÚLIO BITTENCOURT) –   Bom dia, me formei primeiramente em educação física, por mais estranho que pareça, nessa época eu já era musico profissional, mas não existiam faculdades com o curso de bateria no Brasil, e como gostava de esportes, essa foi minha escolha naquele momento.

Logo que me formei, passei no ano seguinte na Universidade Livre de Música Tom Jobim em SP, atualmente ela se chama EMESP, e além disso estudei com grandes músicos como Duda Neves, Eduardo Nazário, Toniquinho (baterista da Jazz Sinfonia na época) etc.

Luciano Bitencourt

JR- Quando foi criado o IMB e quem o criou?

    JB- O IMB foi criado por mim e pelo meu irmão Luciano Bittencourt em 2001 e no ano seguinte chegou o BJ Bentes, um baixista que praticamente se tornou um irmão, trabalhando ao nosso lado no desenvolvimento da escola.

JR- Qual o objetivo do IMB?

    JB- O Objetivo principal era trazer uma forma nova de ensino, antes era praticamente conservatórios de música e se limitavam muitas vezes a música erudita, o repertório rico de música popular e o jazz ficavam para trás. Além disso nosso sonho era se transformar em um polo cultural com música, teatro, exposições de arte, poesia e muito mais. Hoje podemos dizer que estamos neste caminho e bem avançados para nossa região.

Universidade Livre de música Tom Jobim

JR- Qual é a Localização do IMB?

        JB- O IMB fica na cidade de Cruzeiro SP, na rua sete de setembro 947 no bairro do Jardim América.

JR- Quais as escolas que você frequentou?

   JB-  Escola de bateria do Duda Neves, Universidade Livre de música Tom Jobim e USP.

JR- Em quais lugares costuma fazer shows?

   JB-  Hoje podemos dizer que alcançamos o Brasil de uma forma geral com turnês, mas frequentemente estamos no projeto terças musicais no IMB jazz Club (em nossa escola) e nos clubes de jazz em Penedo RJ.

JR- Quais os cursos existentes atualmente no IMB?

    JB-  Atualmente temos: Bateria, violão, guitarra, Ukulele, baixo elétrico e acústico, piano, teclado, canto, percussão, bateria infantil, violino, cavaquinho e viola caipira.

JR- Quantos CDs você gravou? Qual o seu preferido?

    JB-  Gravamos 9 Cds; é difícil dizer apenas um, mas o “CORES” tenho um orgulho muito grande e o YellowSaxmarine que gravamos em parceria com saxofonista Leo Gandelman com música dos Beatles em jazz.

Borboun Jazz Festival em Paraty,

JR- Você já participou de festivais? Quais?

   JB- De muitos festivais como Borboun jazz festival em Paraty, no próprio Borboun Street em São Paulo, Ilha Bela, Campos do Jordão, São Lourenço, São Luiz (Maranhão) em Teresina (Piauí) etc.

JR – Há quanto tempo você é apaixonado por música?

  JB-  Eu venho de uma família musical, então desde cedo ela está em minha vida, mas comecei a investir mesmo, a partir dos 17 anos, hoje faz 30 anos que estou aprendendo sempre.

JR- Quais instrumentos você toca, além de bateria?

    JB-  Tive aulas de piano aos 10 anos de idade e adoro poder tocá-lo, mas não me considero pianista, habitualmente estou com ele em minhas mãos.

JR- Qual a sua música preferida?

    JB-   Tenho várias que realmente adoro, mas o que me fascina é a criação, e a preferida será a próxima a ser composta.

JR- Conte-nos sobre qual foi a aula mais difícil ou desafiadora que você ministrou.

    JB-  Eu amo dar aulas e considero um desfio muito grande ser um professor, tive vários alunos desafiadores no caminho, mas considero dar aulas a uma aluna surda o que mais me fez repensar formas de entender e sentir a música. Essa história teve um final feliz, pude vê-la tocando com outros músicos e participando de um grupo musical.

Júlio Bitencourt, tendo ao lado Sandra Vasconcelos

JR- Na sua opinião qual é o instrumento/ técnica vocal mais difícil de tocar/aprender e por quê?

  JB-   Instrumentos, como o nome diz são canais de expressão musical e cada um tem sua peculiaridade, cada pessoa se adapta melhor em um deles, o mais difícil na música é a verdadeira expressão do ser humano através dela, sem envolvimentos de “egos” atrapalhando a conexão com a música.

JR- O que você considera ser a chave para o SUCESSO do aprendizado?

    JB- O “sucesso” no aprendizado é conseguir que o aluno sinta amor pela música, quando isso acontece todo restante se torna parte de um caminho, hoje esta é a maior dificuldade, os alunos querem rapidez e facilidade de uma forma superficial e tem dificuldades de lidar com desafios de concentração.

Hermeto Pascoal

JR- Cite três artistas com os quais você amaria compartilhar o palco.

    JB-    São muitos, mas deixo aqui três: Hermeto Pascoal, John Coltrane e Keith Jarret.

JR- Divida conosco uma história engraçada ou interessante sobre a sua profissão.

  JB-  Histórias engraçadas temos várias, mas algumas incontáveis  (risos). Essa aqui aconteceu no aeroporto em São Paulo. Estávamos indo para um festival de jazz em Goiás e levaríamos o baixo acústico no avião, um caso raro, porque o contratante tem que pagar uma passagem para ser levado no acento ao lado do baixista. Até aí tudo bem, ou quase.

Na chegada, a moça nos perguntou qual o nome do passageiro (no caso o baixo acústico). Ficamos sem palavras, ela colocou Sr. Tchello primeiro nome violão (risos).

Seguimos na empreitada artística para o festival, mas na passagem do Raio X a polícia pediu para abrir o baixo, mas não a capa, e sim o tampo de trás do instrumento que só quebrando poderia ser feito.

Claro que não quebramos o baixo, tivemos que correr por todo aeroporto levando para um Raio X gigante no subsolo e depois de todo atraso seguimos para o avião.

Ao chegar, descobrimos que todos passageiros nos esperavam de saco cheio pelo atraso, e para piorar era o público que iria nos ver no festival de jazz.

Conseguimos, depois de umas risadas e desculpas sair bem e inteiros depois da apresentação, mas foi uma história inesquecível.

CD Love Supreme

JR- Que segredo você guarda para o sucesso que faz?

   JB-    O segredo é fazer com muito amor, com o tempo entendemos que o objetivo é servir a música e assim todo resto se transforma em segundo plano, somos “instrumentos “ dessa força divina e transformadora.

JR- Que música você não se cansa de ouvir?

  JB- Algumas são para sempre né, o CD LOVE SUPREME de John Coltrane, é um deles, o Kind of Blue do Miles Davis, as músicas do Tom Jobim enfim muita coisa, ouço música todos os dias quase o dia todo.

JR-  Gostaria de aprender mais algum instrumento?

  JB-  Eu adoraria aprender vários outros, mais estudar seriamente um instrumento já demanda uma entrega muito grande nessa vida.

JR- Qual músico mais o inspira?

    JB-  Também tenho uma lista de músicos incríveis que realmente inspiram, mas hoje em dia a busca espiritual através da música é o que mais me motiva a ser uma pessoa melhor e tocar bem.

JR- O que o faz feliz?

  JB-   A música, e exercer uma honestidade musical, poder tocar o que eu amo.

JR- O que significa sucesso para você?

   JB-  Está incluso na resposta anterior: viver a arte plena sendo eu mesmo.

JR- O que gostaria de compartilhar com o mundo?

    JB- Gostaria de compartilhar minha música, o valor da arte como saúde, acredito que as pessoas não fiquem doentes apenas pelos problemas físicos, a falta de arte diminui e mutila muitas vidas.

JR- Quais valores são mais importantes para você?

JB- Acredito que o AMOR. Talvez nem precisaríamos de religiões se seguíssemos as palavras de Jesus como filosofia.

JR- Como músico, o que espera do futuro?

JB-     Não podemos esperar muito do futuro, acredito que precisamos colocar a mão na massa e transformar nosso hoje, sem grandes expectativas para amanhã, fazer nosso melhor hoje!!

JR- Gostaria de dizer mais alguma coisa? Fique à vontade.

JB-    Agradeço demais a oportunidade desta entrevista e poder compartilhar com outras pessoas meus pensamentos, sou fã do seu trabalho é uma grande artista, grande beijo e TJAZZ!

JR – MUITO OBRIGADA! DEUS TE ILUMINE SEMPRE!

 

 

 

 

 

 

 

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