Robôs podem matar humanos? Infelizmente sim e Itapetininga já tem seu primeiro caso.

03/09/2019 10:21
Sergio Peiretti

Sérgio Peiretti

É unânime entre os especialistas que no futuro teremos cada vez mais dispositivos conectados e um exponencial aumento de robôs, que deixarão de ser exclusividade das grandes fábricas para se tornarem um item, se é que os chamaremos assim, em nossos lares e ambientes de trabalho.

A expectativa é que até o final do ano de 2020, 25 bilhões de dispositivos estarão conectados e assumindo tarefas antes de rotina dos humanos.
Carros autônomos, aspiradores de pó, máquinas de lavar, assistentes virtuais que cuidarão de diversas tarefas do nosso cotidiano e até mesmo nossas casas estarão conectadas no que se chama “Internet das Coisas”.

Nesse conceito estarão os robôs, que com a conectividade expandirão sua capacidade de automação, permitindo que eles se liguem a supercomputadores quânticos e compartilhem uma inteligência artificial de grandes possibilidades, para que tomem decisões infinitamente mais rápidas que um cérebro humano.

Mas quais as consequências dessa capacidade quase inimaginável de futuro? Poderão os robôs imitar a ficção científica e tomar o controle da humanidade que estará demasiadamente dependente deles?

Para imaginar um cenário futurista assim, só mesmo uma mente genial como a do escritor russo Isaac Asimov que habilidosamente escreveu sobre a futura convivência entre humanos e autômatos e em sua obra, a coletânea “Eu, Robô” de 1939. Nela ele criou as 3 leis da robótica, que incrivelmente lançou as bases para o convívio entre humanos e máquinas no mundo real, sendo elas: 1) um robô não pode ferir um humano ou permitir que um humano sofra algum mal; 2) os robôs devem obedecer às ordens dos humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a primeira lei; e 3) um robô deve proteger sua própria existência, desde que não entre em conflito com as leis anteriores.

É inevitável falar nesse assunto sem lembrar também de filmes como O Exterminador do Futuro de 1984, onde as máquinas adquirem consciência e resolvem exterminar os humanos que acabam se tornando uma ameaça à existência deles.

Mas na atualidade, um robô pode ferir um humano? Sim, pode, mas não (ainda) por vontade própria e sim por uma falha humana.

Não vamos entrar aqui no assunto de robôs militares criados especificamente para matar pessoas e talvez seja o assunto de outro artigo.

Diferente dos filmes de ficção, os robôs atuais ainda não possuem essa capacidade de assumir o controle de suas tarefas por livre e espontânea vontade, ainda precisam dos humanos para programá-los e pelo menos por enquanto, não são capazes de se rebelar e desobedecer aos comandos dos seus controladores.

Mas por sua natureza fria e nesse caso não se trata de um perfil psicológico, eles podem causar acidentes, ferir e até matar pessoas, mas sem a maldade cibernética dos seus congêneres de Hollywood e sim por falha de seus criadores humanos.

Ainda são poucos os casos de pessoas mortas por robôs pelo mundo, mas nossa cidade de Itapetininga infelizmente já faz parte dessa triste estatística.

Abaixo, os casos mais conhecidos no mundo:
A primeira morte de um humano causada por um robô que se tem notícia, ocorreu em 25 de janeiro de 1979, quando um trabalhador chamado Robert Williams morreu atingido pelo braço de um robô numa linha de produção de uma fábrica da Ford em Flat Rock, Michigan.

Em 2007, 9 soldados sul-africanos morreram quando uma arma antiaérea robô começou a disparar sozinha por uma falha na programação, além deles, mais 14 soldados ficaram feridos.

Em 1981 Kenji Urada, funcionário da Kawazaki Heavy Industries, em Akashi, no Japão, foi morto por um robô enquanto realizava reparos no mesmo. Por um defeito, a máquina ligou e pressionou o pobre Kenji contra outra, causando a sua morte.

Um robô paletizador responsável por empilhar caixas em paletes de uma indústria na Califórnia, matou em 2009 a funcionária Ana Maria Vital, de 40 anos. Quando uma caixa ficou presa no dispositivo, Ana tentou retirar, mas o robô agarrou o corpo de Ana e torceu como se fosse uma caixa, causando sua morte instantânea.

Na Alemanha em 2015, na fábrica da Volkswagen em Baunatal, um funcionário foi morto enquanto configurava um robô, que o agarrou e o jogou contra uma chapa de metal, causando ferimentos graves que o levaram a óbito.

Ramji Lal, de 24 anos, morreu esfaqueado em 2015 por um robô da Fábrica de Metais SKH, em Manesa, Índia. O robô pegou uma chapa de metal de maneira incorreta e quando Ramji tentou posicioná-la corretamente, o braço robótico se moveu rapidamente golpeando o abdômen do homem que morreu no hospital.

Em Itapetininga, SP, Brasil, no ano de 2017, Eduardo da Silva Andrade, de 39 anos morreu golpeado por um robô na fábrica Castrolanda Cooperativa Agroindustrial Ltda. Ao ingressar em uma área de risco da máquina para ajeitar um pacote, o robô se moveu repentinamente e atingiu Eduardo na cabeça causando a sua morte.

Wanda Holbrook, uma especialista em manutenção de 57 anos foi morta por um robô na fábrica Ventra Ionia Mains, em Michigan em 2017. Um robô carregou uma pesada peça e soltou sobre Wanda que morreu instantaneamente. O marido de Wanda processou 5 empresas envolvidas na construção do robô.

Como vimos, os robôs assassinos já existem, não no contexto das telonas, mas ainda por consequências de falhas humanas.

Ainda não existe também um consenso sobre a culpa e a punição penal nesses casos, mas já existem discussões a respeito em muitos países.

Talvez quando forem realmente autônomos e obedientes das 3 leis da robótica, os acidentes sejam menos frequentes.

 

Tags: