Ranielton (Rannie) Lucarelli Dario Colle: ‘… Mas desisti’

07/02/2018 21:20

A humanidade é cheia de carências/ Necessidades criadas nesse nosso mundo/ Por propagandas e por nosso estilo de vida/ Que são reais em nosso imaginário/ Mas dispensáveis na maioria dos casos/ E que nos fazem sofrer/ Por exclusão…'”

 

… MAS DESISTI

Há dor nos meus braços ao acordar,
Uma leve indisposição passageira…
Há uma vontade de poder mudar
O rumo da vida na terra inteira
Em poucas horas…
Há então um sentimento de impotência
Ao constatar a impossibilidade de tudo
A humanidade é cheia de carências
Necessidades criadas nesse nosso mundo
Por propagandas e por nosso estilo de vida
Que são reais em nosso imaginário
Mas dispensáveis na maioria dos casos
E que nos fazem sofrer
Por exclusão…
Então, presos num ciclo de consumo,
Nos autoescravizamos e aceleramos o rumo
Da destruição de nosso planeta
Já tão explorado, modificado, em agonia usado
Por nossa falta de amor ao mundo…
Hoje tão retalhado!
São bobagens como uma nova cor de esmalte…
Criamos maravilhas tecnológicas descartáveis
De modo a estimular o comércio
E circular o capital
Mudamos a moda a cada estação
Para que as pessoas gastem e possamos ter o controle
Sobre seus corpos e seus desejos…
Alimentamos preconceitos
Sobre o imaginário com o qual abastecemos
As suas mentes… a nossa alma.
As pessoas se auto-oprimem pelo que há muito sabemos
Em busca de um padrão ideal
Que construimos e que vendemos
Como o melhor para todos…
E aí daquele que não se encaixar na engrenagem…
Será moído por seus impiedosos dentes!
Nela todos os seres
Devem servir à humanidade
Ou serão eliminados de toda a parte…
Você já viu a impiedade
Com que as boas pessoas arrancam da calçada o mato?
As vezes uma plantinha tímida num solo ingrato
Que não faz mal nenhum nem mesmo a estética
Anti-poética
Que elegemos!
Escolhemos quem deve viver e quem deve morrer!
E determinamos que apenas nossa espécie tem direito ao lazer…
Mesmo assim nem todos!
E ao animais que por acaso adotamos
Alguns devem viver para o nosso prazer…
Aos outros o inferno! Se tanto…
Pois precisamos ocupar e extinguir.
Para ter o prazer de sentir
Alguma coisa em nossos corações vazios…
Hoje a dor em meu corpo foi passageira,
E o sono sumiu com uma caneca de café…
E ouvi os pássaros, o bem-te-vi à distância…
E desejei voltar a dormir mesmo sem sono.
Entregar-me às alegrias do mundo, do consumo…
Pensei depois em, de repente, emagrecer,
Mudar o corte de cabelo
Comprar um computador novo,
E ser igual a todos os outros:
Arrancar o mato da calçada
Para fugir às críticas dos vizinhos
Pensei em vender minha alma…
Mas desisti.
Rannie, 07/02/2018

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