Poetisa Sandra Albuquerque estreia no gênero conto com ‘Um inesperado amor de verão’!

08/01/2021 10:33

Sandra Albuquerque

Navegante de todos os mares poéticos, Sandra Albuquerque, com um toque de provocação, desfralda suas velas literárias para o gênero conto

UM INESPERADO AMOR DE VERÃO

Era manhã de verão. E os primeiros raios solares refletiam as sombras dos galhos na janela, por trás das cortinas, embaladas vagarosamente, pela suave brisa.

Ao longe, se ouvia o cântico dos pássaros.

Embaixo dos lençóis alvos e sedosos se movia um corpo quente e esguio.

Era o despertar da Sue.

Todas as manhãs, como um ritual, a história se repetia: os dedos longos tocavam o despertador e apertavam o soneca; uma, duas, três ou mais vezes. E quando não havia mais jeito, a reação era dar um salto da cama, colocar seu roupão  de banho e deliciar-se na banheira repleta de rosas vermelhas e óleos vegetais aromáticos.
As horas passavam-se e ela enxugava delicadamente cada parte de seu corpo; e após colocar a lingerie eleita do dia e suas meias finas, lá estava seu traje social.
Afinal, Sue, uma empresária bem sucedida, jamais repetiria seu look.

E num belo domingo de sol do verão passado, Sue resolveu fazer diferente e abrir mão de sua big piscina e foi ao clube.

Ao chegar lá, divinamente bela, com seu maravilhoso traje de banho; ao deixar seu longo blusão branco cair e ao debruçar na poltrona, ajeitou seu chapéu e abaixou seus óculos e, ao olhar por cima, deparou-se com alguém acenando para ela com uma taça oferecendo um drink. Ela aceitou, num simples gesto feito com sua cabeça, e o garçom, ao aproximar-se, trouxe juntamente com o drink uma rosa vermelha e um bilhete, contendo um endereço, um telefone e a seguinte mensagem: “Vamos?”

Sue, intrépida, partiu para o desconhecido, e ao chegar no “Seis Estrelas”, se entregou sem sequer saber seu nome; um tremendo frisson a fez esquecer do tempo e foi vencida pelo cansaço do prazer.

Ao despertar, era manhã do novo dia.  Um requintado café colonial a aguardava na mesa, e ao lado, na cabeceira,  apenas um bilhete escrito: “Foi bom enquanto durou. Já ia me esquecendo: Meu nome é Bob. Adeus!”

E Sue saiu dali, sorridente, pois havia vivido a fantasia de um inesperado amor de verão.

(Autora:  Poetisa Sandra Albuquerque)
Rio de Janeiro, 06 de janeiro de 2021.
Direitos Reservados à Autora:
Lei 9.610/98
Foto do Google

 

Inaugurando sua fase contista, Sandra apresenta o conto acima por meio de um belíssimo vídeo, preparado por Jorge Monteiro:

 

 

 

 

 

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