Pietro Costa: ‘Esfinge’

06/04/2021 19:51

Pietro Costa

Esfinge

Inebriado eu me sinto

Não pelo teor alcoólico

Propriamente dito

 

Mas pelas doses abrasantes

E shots extenuantes

De dores e amores

Pelo que é e faz sentido

Não pela Cerveja, Vinho

Uísque, Cachaça, Absinto

E tudo o mais que é servido

No pé-sujo ou no grã-fino

 

Inebriado eu me sinto

É pelo poema sorvido

Pela música tocada

Pelo arranjo inventado

Pela noite enluarada

Pelo eclipse avistado

Pela estrela iluminada

Pelos teus olhares famintos

Esfíngicos

A decifrar meus abismos

A acolher minhas taras

 

Bem-aventurado é o poeta

Amante da linguagem

Que escreve fora das margens

Pela vida afora, todas as horas

Fluindo, trocando confidências

Tocando, destilando carícias

Entre angústias e alegrias

Superlativas

 

Somente a poesia nos salva

Sem ela, somos almas penadas

Marcas sem memória e glória

Nadas semânticos, cacofonias

Devorados por um estilo de morte

Seres mergulhados na fobia de vida

Submersos na maré de inglória sorte

 

Se a poesia não nos decifra

Somos afetos sabotados

Vírgulas sem pausa e causa

Parágrafos sem nexo

Desafetos do sexo

Ideias repetidas.

Traductora: Damelis Castillo

 

Embriagado me siento

No por el tenor alcohólico

propiamente dicho

más por las dosis abrasantes

y choques extenuantes

de dolores y amores

 

Por lo que es y hace sentido

No por la cerveza, vino

whisky, caña, absinto

ni todo lo que es más servido

en los botiquines o en los pubs

 

Embriagado me siento

Es por el poema absorbido

Por la música tocada

Por el arreglo inventado

Por la noche de luna llena

Por el eclipse avistado

Por la estrella iluminada

Por tus miradas hambrientas

de esfinges

para descifrar mis abismos

y acoger mis taras

 

Bien aventurado es el poeta

Amante del lenguaje

Que escribe fuera de los márgenes

por la vida afuera, a todas horas

fluyendo, cambiando confidencias

tocando, destilando caricias

entre angustias y alegrías

superlativas

 

Solamente la poesía nos salva

Sin ella, somos almas en penas

Marcas sin memoria ni gloria

Nada semánticos, cacofonías

devoradas por un estilo de muerte

Seres sumergidos en la fobia de vida

Sumergidos en la marea sin gloria ni suerte

 

Si la poesía no nos descifra

Somos afectos saboteados

Comas sin pausa ni causa

Párrafos sin nexo

Desafectos del sexo

Ideas repetidas.

 

Pietro Costa

Pietro_costa22@hotmail.com

 

 

 

Clipe poético com tradução para o Espanhol, em parceria com a multiartista venezuelana Damelis Castillo:

 

 

 

 

 

 

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