Pedro Novaes: ‘FORA  TEMER’

13/07/2018 23:20

 Pedro Israel Novaes de Almeida: ‘FORA  TEMER’

Resultado de imagem para fora temer!         Tornou-se comum a expressão “Fora Temer”.

Antes de significar o resultado de uma avaliação pessoal, repete um modismo, proferido até pelos que pouco ou nada sabem a respeito da real situação do país e sua conjuntura política. Qualquer presidente, governador ou prefeito, cujo mandato envolva uma crise econômica, com reflexos no dia a dia dos cidadãos, tende à impopularidade, sempre incentivada por setores políticos de oposição.

Temer herdou uma situação política e econômica altamente desfavorável, coadjuvada por um legislativo justificadamente impopular. As condições em que foi alçado ao cargo rendeu-lhe ferrenha e nada dissimulada oposição.

A chamada “base aliada”, em sua maioria fisiológica, parece mais preocupada com os reflexos eleitorais de qualquer reforma, do que com a real necessidade de sua elaboração. Até o PMDB, seguindo secular característica, como aglomerado de tendências, as mais diversas, cuidou de abrigar, em seu seio, nichos oposicionistas.

Temer iniciou seu governo resguardando a condução da economia, tornando-a a porção menos vulnerável a interferências partidárias. Era, de fato, o problema mais urgente do país.

Iniciou a propositura de reformas, cujo ânimo legislativo acabou atropelado por denúncia formulada pelo Procurador Geral da República. Tal denúncia possibilitou o crescimento de setores políticos fisiológicos e populistas, e a queda do presidente só contornada por farta distribuição de verbas e favores oficiais, prejudicando o soerguimento da economia, em cujo rumo engatinhávamos.

A reforma da previdência, necessária e indispensável a qualquer governo sério e consequente, foi proposta distribuindo poucos sacrifícios a poderosas corporações, e enormes ônus a porções mais indefesas da população. Foi a primeira vítima do burburinho político.

O marco inicial da gigantesca impopularidade presidencial surgiu na ridícula cena de um assessor palaciano correndo, levando uma mala recheada de dinheiro. Outros assessores foram objeto de denúncias as mais diversas, pertinentes a desvios de recursos públicos.

A fragilidade de Temer foi realçada na greve dos caminhoneiros, só contida pelo exacerbado ânimo oficial de contê-la, a qualquer custo. Nasceu, então, a ridícula e insana tabela de preços dos fretes, de efeitos e consequências nefastas.

Defensores do presidente alegam que era impossível estabelecer um governo sério e exemplar, em meio a tanta fisiologia e descaramento legislativo. Outros, muitos, alegam que o ambiente político desfavorável jamais subsidiou tantas e repetidas trapalhadas.

Temer não foi um presidente exemplar, mas deixa alguns legados na economia e nas poucas reformas que conseguiu, a fórceps.  A cento e oitenta dias do fim do mandato, o Fora Temer passa a ser uma expressão irresponsável, que só geraria convulsões e catástrofes, às vésperas de um pleito que elegerá um novo presidente.  Fica Temer !

pedroinovaes@uol.com.br

O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

 

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