Pedro Novaes: ‘Campanhas e promessas’

12/09/2018 21:13

Pedro Israel Novaes de Almeida: ‘CAMPANHAS E PROMESSAS’

Resultado de imagem para eleições 2018As campanhas eleitorais conseguem alegrar uns e irritar outros.

Começam recatadas, enunciando linhas gerais da atuação pregressa do candidato, tentando associar as virtudes do postulante ao atingimento dos quereres dos eleitores. Assim seguem, até que surgem os primeiros resultados de pesquisas eleitorais.

Os candidatos com maior intenção de voto, até então desprezados, passam a ser objetos de tentativas de desconstrução de imagem. Os ataques variam da lembrança de fatos controversos a insinuações sem comprovação.

Cada ataque tem, como destinatário, um grupo definido de eleitores, e podem versar sobre um desvio de verbas, já noticiado pela imprensa, ou a um levantar da saia da professora, no curso maternal. No Brasil, a pecha mais buscada tem como conteúdo o fato do candidato ser ateu.

No vai-e-vem das campanhas, o ambiente acaba degradado, uma seguida busca do rabo alheio, acompanhada da ocultação do próprio rabo. Os ataques ficam confinados aos postulantes a cargos majoritários.

Enquanto isso candidatos a cargos legislativos são transformados em grandes feitores de obras públicas, tarefa que não lhes compete. Observadores ficam com a impressão de que serão participantes de um rinque de lutas marciais, pois todos prometem lutar por alguma providência oficial.

Passada a fase inicial dos ataques, que persistem com menor alarde, vem a risível fase das promessas, agora perpetradas sob forte desespero dos candidatos menos cotados. Aqui, até corruptos prometem combater a corrupção, e sonegadores apontam para o rigor fiscal de seus mandatos.

Buscando o apoio da considerável quantidade de sessenta milhões de devedores, inscritos nos serviços de proteção ao crédito, alguns podem prometer uma limpeza generalizada de nomes. Ocorre que são garantidos os direitos dos credores, e a providência pode substituí-los pelo credor público, lançando as dívidas à integralidade dos eleitores.

O Brasil é um dos poucos países onde a honestidade é uma promessa de campanha. Outrora, um candidato proclamava, aos quatro ventos, que “nesta calça nunca entrou dinheiro do povo”, ao que os eleitores respondiam: – “calça nova ! “.

As promessas, nada comedidas, dizem respeito à fartura de hospitais, segurança absoluta, educação exemplar, extinção do IPVA e multas de trânsito, além da criação de milhões de empregos. As carências população tornam atrativa qualquer promessa, ainda que diga respeito a uma obrigação descumprida do Estado.

As promessas são multiplicadas e cada vez mais demagógicas, à medida da aproximação do dia da eleição. É fácil, aos eleitos, justificar o não cumprimento do prometido, em virtude da crise ou pela atuação radicalizada da oposição.

A parcela mais ilustrada dos eleitores utiliza as promessas para descartar candidatos, como indicativo de que são ilusionistas ou mentirosos.

Entre uma e outra promessa, a população tenta aproveitar os ilegais favores, prestados por alguns candidatos. Tenta receber, de maneira antecipada, por um benefício que já foi ou será pago pelos cofres públicos.

pedroinovaes@uol.com.br

O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

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