O Leitor Participa: Silvana Lemes de Souza, de São Paulo (SP): ‘Como o meu’

12/01/2019 22:02

Quero um amor sereno/ Para que eu possa zelosamente/ amá-lo no meu ritmo,/ No meu compasso e/ possa sentir a brisa suave de sua harmonia.”

 

                               COMO O MEU

 

Eu quero um amor tranquilo,

um amor que me faça respirar compassadamente,

para que eu possa contempla-lo sem pressa,

Para que eu possa acaricia-lo sem restrições,

Para que eu possa senti-lo sem tabus.

 

Quero um amor manso

Para que eu possa tocá-lo sem reservas

e possa usufruir do seu regaço

sem me preocupar com o tempo.

 

Quero um amor sereno

Para que eu possa zelosamente

amá-lo no meu ritmo,

No meu compasso e

possa sentir a brisa suave de sua harmonia.

 

Quero um amor doce

Para que eu possa me deliciar do seu sabor

E inebriar-me do seu néctar até que me farte,

sem medo de adoecer.

 

Quero um amor meigo

Para que eu possa olha-lo  sem a obrigação de tocar,

Apenas olhar para ele e sorrir

e que meu sorriso

possa encontrar aconchego acolhedor em seus olhos.

 

Quero um amor comedido

Para que eu possa ter a liberdade

de dizer o que sinto, sem a preocupação

de ter minhas palavras censuradas.

 

Quero um amor equilibrado

Para que eu possa receber na medida que doar,

Para que eu possa sentir, na intensidade que amar,

Para que eu possa desejar na medida em que ele puder retribuir.

 

Quero um amor cuidadoso,

Para que eu possa zelar com carinho

e também possa ser zelada com afago, apreço e calor.

 

Quero um amor alegre,

Para que eu possa sorrir, mesmo quando deva chorar,

para que eu possa cantar,  mesmo que a voz se cale em virtude da idade,

 

Quero um amor sadio

Para que eu possa usufruir dele

e ao mesmo tempo deixa-lo

que usufrua de mim

No seu tempo,

na sua medida,

no seu compasso.

 

Quero um amor justo

Para que possa compreender seu cansaço

E possa respeitar seu descanso,

na medida em que ele compreender que também sou humana.

 

Quero um amor sábio

Para que possamos

conviver,

compreender,

aceitar e enxergar um no outro

o aconchego para os dias cansados,

o cobertor em dias de frio,

o refrigério nos dias de calor,

A água pura e cristalina

purificando os corpos um do outro.

O colo aconchegante

em dias de angustias,

a fala mansa

em tempos turbulentos.

 

Quero um amor lógico

Que compreenda que quando se ama, se quer ser amado.

Quando se doa, também se quer receber,

Quando se dedica, também se deseja exclusividade.

 

Quero um amor raro

Como esse que trago em meu peito

e que dói dentro de mim a espera de um amor

que saiba recebe-lo com apreço

e que possa acolhe-lo até o nosso último respirar

e que possamos

ver nossos cabelos clarearem com o tempo,

nossos olhares

ficarem nublados,

nossas pernas

ficarem cansadas,

nossos corpos

ficarem sem forças,

mas que nossos corações

desejem um ao outro

e que se  não tivermos o privilégio

de partirmos juntos,

que nossos espíritos sejam fortes o suficiente

para que possamos nos encontrar

e nos reconhecermos na outra vida.

 

Quero um amor assim,

Assim como o meu!

 Silvana Leme de Souza – vanamiletto@gmail.com
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