O leitor participa: Arvelos Vieira, da Academia Cruzeirense de Letras e Artes: ‘A mangueira do Vardô’

11/11/2018 12:11

E a mangueira, sempre ali, ao lado, apreciando nossos passos, nossos risos e nossas traquinagens. Era a preciosidade do prof. Waldomiro May, talvez o bem mais importante que ele considerava na sua escola.”

Acredito que essa mangueira seja a mais importante de Cruzeiro e das mais antigas, pois, quando eu tinha 12 anos de idade eu já havia criado certa intimidade com ela, e ela já era assim: bonita, vistosa, florida, esbelta e produtora de boas frutas; e olha que, hoje, estou com 62 anos.

E assim já se foi meio século de amizade, infelizmente de não presença, mas de saudosas e eternas lembranças.

E por que digo saudosas lembranças? … Porque, ao depará-la, um dia em que fui à Escola Infantil e Ensino Fundamental – Educarte, situada na Rua Capital Avelino Bastos (Rua 6), 525, não suportei a emoção, não contendo as lágrimas que banharam-me a face e, com os olhos marejados, eu lutava com dificuldade para apreciá-la e entregar-me às doces lembranças de um passado distante que essa mangueira me propiciou.

Reportei-me à segunda metade dos anos 60, quando eu fui aluno da então Escola Técnica de Comércio de Cruzeiro, muito bem dirigida, com pulso firme, por um severo educador, respeitado, probo, religioso e de incontestável amor à pátria. Essa personalidade não é outra senão o professor Waldomiro May, de memória saudosa, ou, “prof. Vardô”, como o chamávamos entre nós e jamais à sua frente.

Uma escola onde o respeito era primordial. Era contumaz a formação dos alunos no pátio, em fila dupla e indiana, para a oração do Pai Nosso e o canto do Hino Nacional, com a bandeira hasteada, antes de seguirmos à sala de aula.

E a mangueira, sempre ali, ao lado, apreciando nossos passos, nossos risos e nossas traquinagens. Era a preciosidade do prof. Waldomiro May, talvez o bem mais importante que ele considerava na sua escola.

Se o aluno fosse pego trepado na mangueira, a suspensão era inevitável. Se ele fosse pego arrancando uma manga de seus galhos, a mesma coisa. Quando muito, podíamos desfrutar de uma manga se a encontrássemos caída ao solo, e, mesmo assim, era difícil, pois a disputa entre os alunos era grande. Ficar com uma manga era como ganhar um prêmio.

Enfim, tínhamos respeito não tanto pela mangueira, mas pela punição que poderíamos sofrer por atentarmos contra sua integridade física.

Dessa época me lembro dos mestres, com carinho: Mário de Oliveira (“Bafo”), Moacir Conceição, Neusa Perrenoud, Paulo de Abreu (todos já falecidos), dos vivos, me vem à memória o prof. Benedito (matemática), com quem tenho encontrado algumas vezes por ocasiões sociais na cidade, e do Pedro May, advogado e filho do prof. Waldomiro. Com certeza esqueci-me de muitos outros, aos quais peço minhas sinceras escusas, pois a memória não tem mais 12 anos de idade e nem a robustez da mangueira do “Vardo”, firme e altaneira, que me levou àss lágrimas ao reportar àqueles bons e nostálgicos tempos de grandes feitos e acontecidos.

Tenho certeza que muitos que lerão este artigo sentirão a mesma doce saudade que eu, e, de antemão, fico feliz por estar proporcionando essa viagem ao Túnel do Tempo, mas, recomendo: arrume um tempinho e vá visitar a “Mangueira do Vardô”, eu garanto que a sensibilidade aflorar-te-á à pele e o fará mais feliz ainda na sua REALIDADE COMO ELA É! …

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