Novo post em Blog do Guaçu Piteri: ‘Cronicas da Copa’

19/06/2018 11:46

Crônicas da Copa

por Guaçu Piteri

 

I – México vs Alemanha

Liguei a televisão, ontem, para torcer pelo México. Não se trata de dor de cotovelo pelos sete a um de 2014. Como a maioria dos brasileiros, considero a derrota frente a Alemanha, página virada. Minha inclinação pela equipe Asteca decorre de outros fatores: em primeiro lugar, da natural tendência humana em defesa dos mais fracos, na linha do confronto bíblico entre Davi e Golias; em segundo, da afinidade com colegas mexicanos que conheci na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos.

O cenário protagonizado pela fanática torcida mexicana no jogo de ontem, desfraldando bandeiras, cantando o hino com comovente emoção, e, encerrando sua frenética participação com milhares de vozes entoando “Cielito lindo”, trouxeram-me à lembrança um jantar na casa de um colega mexicano no começo dos anos 1960, Chena – era esse o nome do colega – recebeu-nos na porta, de sua casa, na companhia  da esposa e de dois filhos menores. Na garage, a primeira surpresa. Um adesivo no vidro traseiro do carro onde se lia: “hecho en Mexico por mexicanos”. Eu logo percebi que a noite seria de exaltação patriótica e não me enganei: Na parede da sala, em posição de  destaque, despontava, soberana, a bandeira do México. Após os cumprimentos, nosso anfitrião nos convidou a permanecermos de pé para ouvir o hino nacional de seu país. Findo o ritual cívico, tomamos assento para saborear coquetéis típicos e deliciosos pratos da rica culinária mexicana. Depois dessa explícita demonstração de amor à cultura e de afirmação do orgulho nacional, percebi que Chela e eu éramos os únicos convidados ao jantar. Mas, se o leitor acredita em coincidência ou na força do destino, como fonte mágica da nossa aproximação, lamento decepcioná-lo. Nosso encontro, naquela noite, teve origem em desesperado telefonema que fiz, num sábado à tarde, ao colega Chena, à época, secretário do “Círculo dos Estudantes Latinos em Cornell” e responsável pelo cadastro dos membros da entidade. Veja como tudo começou:

– Hermano, lembra-se da estudante que foi apresentada na nossa reunião, hoje de manhã?

– La ingeniera peruana? Si, me acuerdo. Muy guapa y inteligente, la chica;

– Como ela se chama?

– Su nombe es Chela…

– Preciso conhecê-la. Estou loucamente apaixonado por ela…

– Como puede ser pasión hermanito, si recién la vistes, por prmera vez, hoy dia en la mañana?

– É amor à primeira vista, meu caro? O amigo pode me ajudar?…  Por favor?

Chena me passou o telefone de Chela, e, com a colaboração de sua esposa, pôs-se a preparar o encontro que resultou no início da linda história de amor que culminou com nosso casamento.

Pode haver razão mais forte para a profunda gratidão que tenho pelos nossos queridos irmãos mexicanos? Afinal, o casal Chena, foi o cupido que me deu a querida e inesquecível esposa.

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