Nicanor Filadelfo Pereira: Poesia: ‘Navio de horrores’

12/05/2019 10:07

Nicanor Filadelfo Pereira

 Navio de horrores

Navio Negreiro – Rugendas

Albatroz, albatroz! Dizia o libertário:

Tu que pairas sobre os mares tenebrosos

Não atentas, sequer, ao vil calvário

Da negra gente, em prantos dolorosos?!

 

Que horror!… E que infindas amarguras

Transporta o infame lenho, mar a fora.

A desgraça que ao hades se afigura,

Que a vida, em meio à dor, tanto devora.

 

Ao som do pranto, cantigas e clamores,

Estala a chibata em dorsos nudos,

O infernal concerto dos horrores.

 

Ascende aos céus, ó Ícaro albatroz,

Implora a Deus, peço, os seus favores:

Que extirpe de nós essa lembrança atroz!

 

Nicanor Pereira – 20/11/2014 – 21:47

nicanorpereira@gmail.com

(Inspirado em Navio Negreiro de Castro Alves)

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