Na Seção Entrevistas ROLianas, Celso Ricardo de Almeida bate um papo com o escritor Adilson Zotovici

26/01/2021 13:42

“Poesia para mim é a forma imediata de comunicação entre a alma de quem a escreve com a de quem a lê.” (Adilson Zotovici – poeta e autor do livro “Versos a Maço e Cinzel”)

 

Entrevistador:  Celso Ricardo de Almeida

Objetivando divulgar e apresentar os escritores de nosso imenso Brasil, o colunista Celso Ricardo de almeida traz para um bate-papo, através da coluna Entrevistas ROLianas,  o escritor de São Bernardo do Campo-SP ADILSON ZOTOVICI

Natural de São Paulo-SP, Zotovici é casado há 45 anos com Vivian Saccomanno Zotovici.

Estudou Marketing, foi representante comercial, industrial e, atualmente, pequeno empresário do ramo de terraplenagem.

Iniciado na Sublime Maçonaria há quase 30 anos, na Loja Maçônica Chequer Nassif-169 em São Bernardo do Campo-SP, onde permanece até hoje e exerceu todos os cargos e funções, destacando o de Orador em várias oportunidades e foi Venerável Mestre por duas administrações.

Foi homenageado pela Câmara Municipal de São Bernardo do Campo como destacado Maçom da região.

Participou da criação das “Paramaçônicas” da Grande Loja do Espado de São Paulo. Foi Delegado Distrital e posteriormente Delegado Regional do ABC do Grão Mestre da Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo entre outros cargos e funções.

Escreveu diversos textos, cerimoniais, roteiros para encontros maçônicos. É criador e realizador do projeto ELO, colaborador, com seus poemas, por muitos anos de vários importantes veículos de comunicações eletrônicos de divulgação da cultura maçônica, tais como no saudoso JBNEWS de Santa Catarina, no CHICO DA BOTICA do Rio Grande do Sul, do “Acácia 13” de São Paulo, no Grêmio Salvador Allende do Grande Oriente Lusitano de Lisboa Portugal entre outros.

Autor de livretos de poesias, com poemas publicados em diversos livros de vários escritores, autor do livro “Alma em Versos” (1999), coparticipação no livro “Momentos de Reflexão” e, recentemente, no livro e confraria “Maçons em Reflexão II” (2020). Autor do livro Versos a Maço e Cinzel (2020).

Nesta conversa foi falado sobre sua obra, o processo criativo e sobre poesia de forma geral.

Quer saber como foi? Então confira a entrevista a baixo.

CELSO RICARDO – Para iniciarmos o nosso bate-papo, conte-nos um pouco sobre a sua trajetória literária, como procedeu ao seu despertar literário, seus primeiros textos, como você se apaixonou pela literatura, pela poesia, enfim, fale-nos sobre você e a poesia!

ADILSON ZOTOVICI – Desde muito jovem tenho interesse pela literatura, mormente “poesias”, notadamente as rimadas, uma vez que assim, as palavras parecem ter vida.

CELSO RICARDO – Levando em consideração que a poesia é sua grande paixão, permita-nos pedir para você conceituá-la. O que é poesia para você? Como a define?

ADILSON ZOTOVICI – Poesia para mim é a forma imediata de comunicação entre a alma de quem a escreve com a de quem a lê.

CELSO RICARDO – Seus poemas têm alguma particularidade? Você obedece algum estilo literário?

ADILSON ZOTOVICI – Tem um pouco de história, lirismo e que há anos tenho minha preferência em escrevê-los em sonetos.

CELSO RICARDO – Você tem alguma técnica para construir seus poemas? Você inicia a construção de um poema simplesmente com uma ideia, com uma palavra ou com uma imagem, ou necessita de mais outros procedimentos ou inspirações?

ADILSON ZOTOVICI – Inicio um poema baseado num tema que me chama muito a atenção, que desperta um sentimento e a vontade de gravar em letras meu pensamento. Desenho o assunto em minha mente e passo para o papel, de uma só vez, depois, abandono o trabalho por um tempo e o esqueço (às vezes por horas, dias, semanas ou meses), voltando a ele posteriormente quando então o critico e o realizo.

CELSO RICARDO – Em sua avaliação quais os pontos fortes e os fracos de seu trabalho?

ADILSON ZOTOVICI – Quando jovem, comecei escrevendo sobre temas românticos, identificando-me posteriormente, com a riqueza dos temas oriundos da Sublime Instituição Maçônica, da qual faço parte há quase trinta anos, onde creio que dado os assuntos inesgotáveis, dediquei-me deveras a eles, e outros eventuais temas mas, que para mim, satisfazem.

CELSO RICARDO – Quais os temas ou assuntos que você mais gosta de transformar em poesia? Tem algum em específico?

ADILSON ZOTOVICI – O cotidiano, como relatei, sirvo-me da essência dos inesgotáveis e culturais temas maçônicos que além do prazer, creio, vão ao âmago das questões, norteados em toda uma rica história e conhecimentos passados por aqueles quem nos antecederam. Esporadicamente, escrevo algum tema político ou romântico.

CELSO RICARDO – Em linhas gerais, o que te inspira a escrever?

ADILSON ZOTOVICI – A grandeza e a premência do tema e seu conteúdo, o compartilhamento e a convicção da comunicação para com o leitor. Destaco que passei a escrever em poemas, notadamente em sonetos, os temas maçônicos que acreditei e acredito, serem uma forma rápida, sucinta, sutil e graciosa, de passar uma ideia, um pensamento, alguma cultura, uma informação, em que o público alvo leia na íntegra e que à vezes, ainda que restrito a algum especifico assunto, absorva,  critique e o compreenda.

CELSO RICARDO – Você consegue escrever em qualquer lugar, qualquer ocasião ou necessita de algum preparo, de alguma rotina literária?

ADILSON ZOTOVICI – Quando vem a ideia, escrevo em qualquer lugar, aliás, parece imperioso que assim o faça. Todavia, gosto muito de escrever durante a madrugada.

CELSO RICARDO – Aproximadamente quantas poesias você tem escritas?

ADILSON ZOTOVICI – Infelizmente algumas poesias perderam-se, mas, creio que ainda, contando os livros, brochuras, arquivos, tenho mais de duas mil poesias.

CELSO RICARDO – Tem algum autor nacional ou internacional que te inspira? E por quê?

ADILSON ZOTOVICI – Alguns, mas, destaco Augusto dos Anjos e o grande Fernando Pessoa, que leio, releio e não canso de ler.

CELSO RICARDO – Recentemente, no final do ano passado (2020), você fez o lançamento virtual, do livro, Versos a Maço e Cinzel, conte-nos sobre esse livro e qual foi à inspiração para escrevê-lo?

ADILSON ZOTOVICI – Escrevo poesias e as envio a grupos específicos, jornais e informativos eletrônicos nacionais e internacionais, que as tem publicado habitualmente. Vinha fazendo através do tempo, brochuras com poesias que distribuía a amigos e o último livro antes do acima citado, intitulado “Alma em Versos” foi editado há dez anos. Alguns irmãos de maçonaria que me acompanham há muito, aficionados dessa arte, que são verdadeiramente os maiores responsáveis pelas divulgações dos poemas através de suas redes de comunicações, tais como Pedro Albani, Marco Perottoni, João Shinagawa, Justo Chacon, Sinval Silveira, Francisco Domingues, Anestor Silva, entre outros, que muito grato, os considero parte primordial do meu entusiasmo em escrever sempre, vinham incentivando-me com veemência, para que colocasse em livros tradicionais ou mesmo virtuais nosso trabalho, argumentando que, dado o conteúdo das obras, era importante maior acesso a mais leitores, até mesmo oferecendo ajuda para que o fizesse. Assim, com o incentivo deles e notadamente com o apoio e participação de eruditos irmãos como o professor poliglota Newton Agrella, de meus filhos Dalton e Kleber, minha filha Fernanda Arquiteta Urbanista e ilustradora, e minha esposa Vivian, a qual tem participação efetiva desde o início, ouvindo, criticando e revisando a linguagem,  realizamos o “VERSOS A MAÇO E CINZEL”, que é uma coletânea  de um certo período, que em suas 260 páginas conta com perto de 400 poemas.

CELSO RICARDO – O livro tem um título um pouco diferente/enigmático, “Versos a Maço e Cinzel”, o que significa esse título e o que significou para você esse livro?

ADILSON ZOTOVICI – O “Maço”, também conhecido como martelo ou marreta e o “Cinzel”, como buril ou talhadeira, são ferramentas ou instrumentos alegóricos utilizados pelos maçons, para o desbaste simbólico das asperezas da pedra bruta que originalmente somos, buscando o brilho que temos e que se encontra oculto. Intitulamos o livro “Versos a Maço e Cinzel”, em razão de nele estar consignados poemas que além do entretenimento que se espera de um livro de poesias, trazem um entendimento maior sobre a filosofia maçônica, que foram escritos segundo o trabalho que efetua o maçom, também chamado de “pedreiro livre”. Esse livro, não só para mim, mas, para muitas pessoas envolvidas em sua historia, significa uma feliz realização, que é possível sempre, realizar aquilo que buscarmos com efetividade e com perseverança.

CELSO RICARDO – Como já mencionamos na pergunta anterior, o livro foi lançamento em uma reunião virtual, algo até então nova e pouco utilizada, visto que até então as maiorias dos lançamentos de livro eram realizados em encontros presenciais. Como foi essa experiência e você acha que isso tirou a importância ou o glamour o evento?

ADILSON ZOTOVICI – Bem! Na verdade eu preferiria o lançamento presencial, onde o contato direto com os leitores, revendo antigos e novos amigos é realmente muito prazeroso, uma festa, que jamais se esquece. Todavia, o lançamento deste livro foi postergado por um tempo, na esperança de que a pandemia de 2020 tivesse um fim breve. Com o livro pronto nas embalagens, pessoas que chamo carinhosamente de coautores e, baseado no sucesso do  lançamento oficial “virtual” “pioneiro” de um livro dessa espécie que tive a honra de participar, de iniciativa do sapiente e vanguardista escritor Celso Ricardo de Almeida, intitulado “Maçons em Reflexão II – Qual o Segredo da Maçonaria ?”, dado sua organização e participação de várias pessoas de todos os cantos do Brasil e do mundo, entusiasmamo-nos e assim o fizemos logo em seguida, nos mesmos moldes, o que para nós foi também um sucesso, trazendo-nos muita alegria, ficando todo e intenso glamour de um lançamento de livro, da forma que o momento permitiu, possibilitando outrossim, a participação de pessoas que viriam presencialmente e outras que, com certeza, não poderiam estar presentes dado sua distância domiciliar, locomoção etc.

CELSO RICARDO – E falando em Covid19, em 2020 no auge do confinamento, com quarentena e outras coisas, como foi a sua produção literária? Você escreveu mais? Como você adaptou o escrever com esse período de dificuldade mundial?

ADILSON ZOTOVICI – Com o confinamento, sendo um pequeno empresário, deslocando-me ao trabalho raramente, tive ainda mais tempo para escrever. Mas, a preocupação com esse vírus que atinge toda humanidade, acabou por desviar-me um pouco, do grande e habitual entusiasmo de escrever, dado termos contraído esse mal, que felizmente, sem consequências drásticas, mas, lamentavelmente perdendo algumas pessoas amadas. Por outro lado, pela preocupação e até mesmo com a intenção de atenuar a angústia que assola o público alvo, e meus amigos, a “produção” de poemas, aumentou significativamente exatamente com temas a isso ligados, o que na verdade, não me apraz.

CELSO RICARDO – Para as pessoas que se interessaram pelo seu livro, como elas podem adquiri-lo?

ADILSON ZOTOVICI – Tenho um e-mail “livrodoadilson@gmail.com”, que o interessado pode enviar seu pedido informando o nome e endereço completo, que logo ao recebê-lo, responderemos informando a forma de pagamento e a conta para depósito e despacha-lo, ao preço de R$ 40,00 mais despesas de envio (aproximadamente R$ 8,30 ).

CELSO RICARDO – Publicar um livro no Brasil hoje é uma ação quase que impossível, visto as dificuldades de conseguir um financiamento público, o que induz aos escritores a financiarem com recursos próprios as suas obras, que na maioria das vezes não tem o retorno financeiro almejado. Para publicar o seu livro, você encontrou alguma dificuldade? Como foi o processo para a publicação de seu livro e o que você espera sobre as políticas culturais nacionais?

ADILSON ZOTOVICI – Para autores independentes, publicar um livro é uma façanha, a não ser com recursos próprios e, para esses, há editoras que indicam o “passo a passo” para sua realização. Quanto a retorno financeiro, não me parece um bom investimento vez que, tenho a impressão que há um pequeno número de pessoas que leem atualmente, mormente livros de poesias. Há muito não vejo incentivo cultural oficial.

CELSO RICARDO – Quais são as formas que você faz a divulgação de suas poesias e do seu livro? E você considera esse meio de divulgação eficaz?

ADILSON ZOTOVICI – A vários grupos específicos que acabam sendo multiplicadores, jornais, Lojas maçônicas, informativos de bom alcance como exemplo, o “tradicional Chico da Botica” do Rio Grande do Sul, nos mesmos moldes, do saudoso “JB News” de Santa Catarina, que fazem um belo trabalho de difundir a cultura maçônica. Para acesso a leitores distantes muito bom, para venda de livros, não tenho ideia.

CELSO RICARDO – Você acha que as redes sociais e os meios eletrônicos de forma geral são uma ameaça ao livro impresso?

ADILSON ZOTOVICI – Os livros virtuais são realidade e ocupam grandes espaços. Há que se adaptar a essa realidade, mas, creio que o livro impresso nunca se extinguirá, pois, como eu, conheço muitas pessoas que não se sentem tão confortáveis (ainda) com livros virtuais e que ao manipularem e folhearem livros impressos, sentem-se como se estivessem na história, sem contar o prazer de portá-los, vê-los apostos numa estante, numa biblioteca, numa mala de viagem, num lugar de honra, que é o seu lugar.

CELSO RICARDO – Você já recebeu algum e-mail ou mensagem de seus leitores? E qual foi o seu sentimento?

ADILSON ZOTOVICI – Tenho sempre recebido de várias partes do Brasil e de fora, e o sentimento, além de gratidão, é de grande satisfação, não por elogios ou observações, mas, pela alegria do contato, do retorno, do compartilhamento, de saber que estão lendo e vivendo as singelas letras, o quem por si só, acaba por incentivar-me ainda mais a escrever e aprender com suas ponderações.

CELSO RICARDO – Como você avalia a procura pelos leitores de livros com a temática poética? Você classifica que os livros poéticos são bastante lidos ou necessita melhorar e caso necessite, o que podemos fazer para mitigar isso?

ADILSON ZOTOVICI – Creio que a procura com temática poética é restrita e aos livros de poesias, e especialmente de temática maçônica são raros. Talvez o incentivo das administrações centrais em conjunto com as Lojas Maçônicas, por gente da área, possa vir a estimular a leitura, despertando esse hábito.

CELSO RICARDO – Para finalizarmos, deixe aqui uma mensagem aos leitores, principalmente incentivando-os a lerem livros de poesias.

ADILSON ZOTOVICI – Meus amigos! A boa leitura, além do exercício mental necessário à boa saúde, trará também cultura, o entendimento e a paz espiritual que sempre buscamos, especialmente bons livros de poesias que em seu lirismo, buscam atingir o âmago de determinados assuntos ou temas, proporcionando momentos de descontração, de saudade, de alegria, de felicidade, do saber. Agradeço a todos desejando uma boa viagem ao mundo da poesia.

 

 

 

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