Marcelo Paiva Pereira: ‘As duas viúvas’

13/09/2021 06:45

Marcelo Paiva Pereira

As duas viúvas

Recomendação do autor:

 Este conto integra o gênero ‘literatura erótica’, tem descrições de cenas e possui palavras que podem ser consideradas obscenas. Se você não gostar deste gênero, recomendo que não o acesse nem o leia.

I

Aquela mulher era maravilhosa. A natureza foi muito generosa, dando a ela um corpo escultural, firme, robusto e sedutor, e uma inteligência fenomenal, superior à da maioria das pessoas. Além de linda, provocante, sensual e sedutora, era extremamente inteligente e perspicaz. Era muito bem casada, cujo marido – assim como ela – tinha graduação em nível superior e ambos exerciam suas profissões com maestria, o que os tornava um casal muito bem sucedido.

Num final de tarde ele chegou mais tarde ao apartamento em que morava com ela, em razão do serviço ter sido mais árduo, mais complicado, naquele dia. Ela, entretanto, aguardava-o ansiosamente.

— Olá, querido. Demorou hoje… O que houve? Posso saber?

— Claro, meu bem. Hoje foi um dia muito carregado de serviços. Foi difícil para todos na empresa. Nem nosso chefe escapou; quando saí ele ainda estava com alguns clientes na sala dele…

— Que bom que chegou, querido. Estou te esperando faz algum tempo… Quero você só para mim; venha, sou toda sua, quero sentir você dentro de mim…

— Espere eu tomar meu banho. Estou com todos os cheiros daquele escritório misturados em minha roupa e cabelos… Você não vai me querer assim, ou quer…???

— Vá logo!!!! Faz tempo que estou aqui, dando sopa para o vazio!!! Quero sentir sua força dentro de mim!!!

Enquanto o marido se banhava – o banho foi mais demorado do que o costume – ela se levantou, foi à cômoda defronte à cama e abriu uma das gavetas. Nela havia uma coleção de acessórios para adultos, de todos os tamanhos, cores, materiais, procedências e tipos. Um arsenal para a diversão solitária ou com outra(s) pessoa(s). Ela pegou um deles, bem volumoso, pôs as pilhas, deitou-se na cama e fez uso dele enquanto aguardava o marido sair do banheiro.

— O que é isso, querida??? Está tão carente que nem me esperou???

— Estou louca de tesão!!! Não aguento mais nenhum segundo sem sua companhia… Quero você para mim agora!!! Tire esse roupão idiota e venha para a cama, já!!!

Ele se despiu, deitou-se ao lado dela e ambos rolaram a noite toda, entrelaçados um ao outro e revezando braços, pernas, beijos e detalhes mais íntimos e profundos, acompanhados do suor e outros fluidos corporais que se misturavam entre eles enquanto se pegavam, com força e vigor, para atingir o clímax da relação quantas vezes conseguissem. Após extenuante noite ele adormeceu, enquanto ela ainda tinha fôlego para mais diversão com os acessórios…

II

Ela, entretanto, era insaciável e o marido, mesmo forte e vigoroso, não conseguia acompanhá-la no deslinde das relações. Para suprir essa falta ela tinha um amante, guardado “a chave” no coração – e na alma – desde a época em que namorava aquele que veio a ser seu marido. Telefonou a ele.

— Oi, meu querido, como vai você? Continua formoso como sempre?

— Olá, minha gata, minha felina. Vou bem, sempre em dia com minhas “obrigações masculinas”… E você? Tem alguma novidade?

— Meu marido saiu daqui há menos de duas horas; foi viajar a serviço da empresa e só voltará em três dias… Não aguento ficar sozinha, meu amor… Quero que venha agora mesmo me ver. Estou peladinha aqui, só para você…

— Está bem, meu doce. Mas, primeiro, preciso inventar uma desculpa à minha mulher. Não dá para sair sem mais nem menos e ficar três dias fora de casa…

— Mas venha, querido. Estou te esperando…

— Que barulho é esse? Há um zumbido ao seu lado, do que se trata?

— É meu acessório, que estou usando. Faz um pouco de barulho, mas pensei que você não o ouviria… Estou doidinha para te ver… Quero você por inteiro…

— Aguarde-me. Chegarei aí assim que puder. Beijos “lá” e “acolá”, também…

— Beijão, bem suculento “nele”, querido… estou no seu aguardo…

O amante dela também era casado, mas a mulher dele, mesmo muito bonita (assemelhada à amante), perdia em alguns atributos que a outra tinha de sobra. A inteligência era um deles. Para ele era muito bom que assim fosse.

— Querida, surgiu um problema. Tenho que viajar com urgência.

— O que houve, querido? Algo sério?

— Aquele amigo meu, a quem já me referi a você outras vezes, pediu a mim para ir ao apartamento dele. De lá vamos para outro Estado para solucionarmos uma crise numa empresa terceirizada por uma prefeitura do interior.

— Você sabe qual é?

— Ele não me deu detalhes. Estava nervoso, apreensivo. Não sei ao certo o que ele tem a dizer. Vou arrumar minha mochila e partir. Verei você daqui há três dias.

— Vai partir sem se despedir de mim? Quero um beijo…

Ele a tomou nos braços, conteve-a neles e a beijou com ímpeto, dela arrancando o calor dos seus lábios e fazendo-a afogar com o beijo dele… Um beijo forte, profundo e, talvez, visceral… Desceu à garagem, entrou no carro e saiu em direção do apartamento da outra, que o aguardava, peladinha e amparada pelos acessórios que colecionava…

— Finalmente meu gato chegou!!! Pensei que não viesse mais…

— A estrada estava um pouco congestionada. Também tive que “arrancar os lábios” da minha mulher… Caso contrário, não conseguiria sair a tempo. E você, minha felina, abriu a porta toda peladinha para me receber. Quanta ousadia…

— Eu sabia que era você. Se não fosse, jamais atenderia a porta sem estar vestida. Mas, chega de conversa. Vamos logo para o que nos interessa!!! Estou toda molhada, excitada, com tesão à flor da pele!!! Quero você dentro de mim, vamos logo para a cama.

Ambos se deitaram e rolaram naquela cama por todos os lados, removeram – e remoeram – a roupa de cama, os travesseiros foram ignorados, o colchão era submetido à pressão dos mais diversos movimentos e ambos se deliciavam em todas as posições e diversões que a libido, o desejo mútuo e a lascívia da relação pudessem oferecer. Acessórios? Todos!!! Tudo era permitido entre esse casal, que não media esforços para atingir o mais elevado êxtase do clímax que dava causa.

III

No dia seguinte levantaram perto do meio-dia e saíram para almoçar. Era preciso uma farta refeição para suprir toda a energia e vigor físico consumido naquela noite, em que ambos se “devoraram”, numa conivente disputa sexual, na qual ela e ele queriam descobrir quem era mais resistente ou mais firme…

Aproveitaram a tarde para passear pela cidade. Era muito grande, de configuração metropolitana, e oferecia muitos ambientes. Foram ao cinema e, no início da noite, tiveram a vontade de ir a uma casa de swing. Ela, entretanto, quis voltar ao apartamento para trocar de roupa.

— Meu lindão, como estou neste vestido? O que acha?

— Você está deliciosa e perigosamente sexy e provocante. Curto, justo, com decotes grandes, acentua seus atributos de mulher e é fácil de vesti-lo e dele se despir… Está ótima para irmos à casa de swing. Vamos?

— Sim, meu gato!!! Vamos, porque estou “faminta”…

— Imagino…

Chegaram na casa de swing em boa hora, ocasião em que se encontrava cheia e com vários casais pelo ambiente, alguns apenas caminhando pelas passagens labirínticas, outros se entrelaçando em cabines semiabertas, ainda outros em local aberto aos olhares alheios, enfim, havia de tudo lá. Os dois escolheram dois casais, com eles foram a uma sala aberta e fizeram tudo o quanto a vontade exteriorizava.

— Nossa, como você é grande e volumoso… Não dá para engolir tudo isso…

— Dá sim. Minha mulher o engole todas as noites, quase se afoga com ele, mas engole tudo, sem dó nem piedade…

— Dê-me ele aqui, na minha mão. Vou mostrar a você se engulo tudo ou não…

Enquanto isso, o outro a possuiu por trás, enquanto o amante a possuiu pelas entranhas dentre as pernas… Ela deu conta dos três, com notório e elevado desejo. Adorou o sabor daquele que era o mais bem dotado deles (ela engoliu tudo) e fez revezamento de homens e de posições com eles…

— Agora é sua vez, meu gato. Quero que enterre seu corpo dentro de mim… Quero que me arrombe, sem se arrepender…

— Vou arrasar e bem fundo. Inclusive, vou “detonar” sua lascívia peristáltica!!!

— Quero que me possua com toda a sua força… Sem piedade… Sou sua, toda sua…

Ele a “detonou” como pediu, enquanto os outros dois satisfaziam suas entranhas, seus lábios e garganta, ávidas pela presença massiva daqueles lindos corpos viris, volumosos e resistentes, quase indestrutíveis de tanto vigor que mostraram ter.

As mulheres dos outros dois foram deixadas de lado pelos maridos, mas não perderam a noite nem a oportunidade: decidiram provar uma à outra, com acentuados desejos que se traduziram numa relação picante, excitante e recíproca. Descobriram o sabor da intimidade feminina e o provaram com os mesmos estímulos com que seus maridos possuíam a amante daquele outro.

Foram horas seguidas naquela casa de swing, cujos casais puseram para fora mais do que imaginavam. Depois que a amante dividiu a intimidade com aqueles três, ela se embrenhou com as outras duas mulheres, e pediu ao amante para fazer o mesmo com os maridos delas. Tudo aconteceu naquela noite. Exaustos e fisicamente “detonados”, ele e a amante retornaram ao apartamento dela ao raiar do dia…

IV

No início da noite ele e ela se encontravam no apartamento dela, ainda exaustos da frenética e excitante noite na casa de swing. Nunca imaginaram que transariam tanto e com tanta vontade com aqueles casais. O esforço físico, a virilidade e a libido foram postas à prova durante todo o período em que a lascívia os fez dividir a intimidade. A exaustão pediu a conta.

— Minha gata, estou exausto. Tem algo para comer? Estou me sentindo muito fraco…

— Tem sim, meu querido. Vou à cozinha preparar o jantar para nós. Enquanto isso, descanse. Eu chamo você quando estiver à mesa.

— O. K. aguardarei. Enquanto isso, vou fumar um cigarro. Posso?

— Claro. Pode fumar, sim. Depois eu abro a janela para sair o cheiro.

A amante foi à cozinha preparar o jantar e ele ficou no quarto, deitado e fumando o cigarro. De repente ele a chama com voz forte, pede para voltar logo ao quarto. Ela chegou assustada.

— O que houve? Você está suando frio, tremendo…

— Chame um médico agora. Deve ser infarto…

Ela chamou uma ambulância, que chegou a tempo de leva-lo ao hospital. Foi medicado e permaneceu internado por duas semanas, enquanto se recuperava. Na véspera da alta médica, porém, foi acometido de fulminante infarto, sem tempo de ser socorrido pela equipe médica que o assistia. Assim faleceu o amante da formosa e sedutora mulher…

V

No velório estavam presentes a viúva, a amante e vários amigos dele. A viúva se aproximou de um dos colegas de trabalho do finado marido e perguntou por aquele amigo que o marido sempre se reportava e frequentava a casa dele. Ele disse que o referido tinha viajado para resolver uma crise numa outra empresa, alguns dias antes do falecimento do marido dela e não retornou a tempo do velório…

Aquela formosa e exuberante mulher perdeu seu amante e dele se tornou “viúva”, mesmo sem ter sido seu cônjuge. Sem outro parceiro à altura do vigor e virilidade dele, retornou aos braços do marido, que nunca soube das aventuras dela com o amante nem com outras pessoas.

Quanto à viúva, retornou ela ao apartamento onde convivia com o marido e, livre dele, chamou para si os cinco amantes que tinha e com os quais dividia a intimidade com muito mais vontade do que quando experimentava o marido… Era tão ou mais fogosa do que a amante do marido e, de idiota e burra, não tinha nada!!! Tinha, isso sim, o desejo insaciável de provar todos os homens que quisesse.

Este foi o conto das duas viúvas: enquanto a primeira – a amante – voltou para os braços do marido, menos viril do que o amante que faleceu, a viúva deste acolheu seus cinco amantes, com os quais sempre dividiu a intimidade todas as vezes que o marido ia para a casa da outra para provar a intimidade apenas dela…

 

Marcelo Augusto Paiva Pereira

 

 

 

 

 

 

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