Marcelo Augusto Paiva Pereira: ‘Urbi et orbi: por um novo urbanismo’

25/06/2020 12:39

Marcelo A. Paiva Pereira

Urbi et orbi: por um novo urbanismo

As cidades ao redor do mundo são o lugar no qual nossa espécie se realiza, na razão das nossas atividades. São fonte da civilização e seguem o modelo de urbanização dissipada. As grandes cidades, em especial, carecem de um novo enfoque urbanístico.

As condicionantes da urbanização são o padrão de urbanização, natureza do sistema viário e o meio ambiente, que repercutem na localização das atividades, uso do território, demanda de insumos e na descarga de resíduos.

Na época atual são padrões de urbanização o modernizado e o precário, dos quais o primeiro implanta toda a infraestrutura e os equipamentos públicos para o conforto dos habitantes nas regiões centrais, enquanto o segundo destina-se aos loteamentos periféricos e irregulares, em que falta a urbanização ou a possuem inadequadamente.

Deles decorrem gravames ambientais relativos ao uso e ocupação do solo, como a descarga de resíduos e a contaminação da água, assim como seu fornecimento, o de luz e gás aos habitantes, que dependem da localização de suas moradias para se beneficiarem destes insumos.

Também prejudicam o sistema viário, que se torna ineficiente para suprir toda a demanda almejada pelos habitantes, no aguardo por mais oferta de transporte público ou por soluções do poder público para reduzir os congestionamentos na malha viária da cidade.

Um desenvolvimento urbano mais apropriado deve remover os moradores da periferia e realoca-los em regiões urbanizadas (consolidadas), mediante a recuperação de edifícios ou de trechos urbanos subutilizados, e implantar áreas públicas adequadas e edifícios populares de uso misto (habitações HIS, comércio e atividades institucionais).

Paralelamente será oportuna e conveniente a gentrificação, que é a recuperação de trechos urbanos muito degradados, mediante a construção de novos espaços públicos e privados, mais modernos, destinados às classes econômicas mais favorecidas.

Ao se trazer a população da periferia ao centro e às áreas circundantes e gentrificar os trechos urbanos degradados ocorrerá o adensamento populacional, evitará a expansão urbana horizontal e a degradação do meio ambiente natural, e tornará compacta a cidade.

A cidade compacta é o contraponto da cidade dissipada, contribui para o desenvolvimento sustentável do meio ambiente natural e das cidades, tem o escopo de fomentar o uso dos espaços públicos para o convívio urbano de todos, introduzir as pessoas menos favorecidas na economia de mercado e aumentar o PUB (produto urbano bruto), inclusive às cidades mundiais (megacidades de influência internacional).

As grandes cidades devem ser revistas em suas dimensões regional (espaço de urbanização), infraestrutural (projetos e programas de sustentação) e ambiental (efeitos da urbanização), sem perder o foco da compactação urbana e do aquecimento da economia de mercado. Enfim, cidade e mundo (urbi et orbi) aguardam por um novo urbanismo. Nada a mais.

Marcelo Augusto Paiva Pereira.

Arquiteto e urbanista.

 

 

 

 

 

 

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