Luiz Reis: ‘Água solarizada’

09/10/2019 07:54

Luiz Fernando Reis

Água solarizada

Solarização da água é um método de tratamento pouco utilizado mas bastante antigo, que se utiliza do efeito sinergético da aplicação de radiação UV e calor para eliminar patógenos veiculados pela água. É ideal para a desinfecção de pequenas quantidades de água para consumo humano, o que o torna perfeitamente adequado para aplicação ao nível residencial. A solarização não altera quimicamente a água, nem sem odor ou sabor, pois o tratamento consiste apenas em deixar a água ao Sol.

A região amazônica é especialmente privilegiada para a solarização da água uma vez que as temperaturas são normalmente elevadas e a incidência de radiação UV é mais intensa por estar próxima ao equador.

A aplicação do tratamento é extremamente simples uma vez que basta expor água ao Sol, tomando-se alguns cuidados básicos. A água deve ser colocada em recipiente limpo e transparente à radiação UV, podendo ser de vidro ou mesmo saco ou garrafa de plástico. Entre os plásticos o PVC é inadequado por ter em sua composição maior quantidade de aditivos estabilizadores contra radiação UV, que a absorvem, sendo o PET mais adequado à solarização. Garrafas PET transparentes permitem a passagem de pouco mais de 70% da radiação UV contra quase 80% transmitidos pelo vidro incolor. A pequena vantagem da menor absorção da radiação UV pelo vidro não compensa suas desvantagens, relacionadas ao peso, custo e fragilidade, pois garrafas PET são virtualmente inquebráveis, leves, de baixo custo e também quimicamente estáveis.

A radiação UV também é absorvida pela água à medida que a atravessa, assim, se a água estiver turva, a absorção será muito grande e não haverá radiação suficiente para afetar os micro-organismos. Para ser solarizada a água deve ser filtrada de modo a reduzir sua turbidez. Paralelamente, embalagens muito grandes devem ser evitadas, recomendando-se a utilização de garrafas de até dois litros.

Um método prático de verificar se a água está ou não turva a ponto de prejudicar o processo de solarização consiste em olhar através da água na garrafa, da sua boca em direção ao fundo, observando se é possível distinguir um símbolo qualquer com cerca de dois e meio centímetros de altura (pode ser uma letra, X, por exemplo).

Se a água a ser solarizada tiver ar dissolvido, e, consequentemente, o oxigênio nele contido, pela ação da radiação UV serão gerados peróxido de hidrogênio (água oxigenada) e radicais livres de oxigênio, extremamente letais aos micro-organismos. Uma prática recomendada é, ao preparar a solarização, colocar de dois terços da capacidade de água da garrafa e agitá-la vigorosamente por cerca de meio minuto, completando a garrafa em seguida.

Realizados estes procedimentos, basta submeter a água à radiação solar, durante um dia ensolarado ou dois dias nublados. Após esfriar a água está pronta para ser ingerida.

As pesquisas constataram que, mesmo vários dias após a solarização da água, não houve retorno dos micro-organismos, bem como comprovaram a estabilidade química das garrafas PET após meses de utilização no processo. Ainda, a solarização da água pode resultar na redução de custos pois elimina a necessidade do consumo de algum tipo de combustível para ferver a água.

Micro-organismos são sensíveis ao calor, é possível eliminar 99,9% deles aquecendo a água entre 50-60°C por cerca de uma hora. Assim são eliminados Enterovirus e Rotavírus, Coliformes fecais, Salmonela, Shigela, Vibrião da cólera, ovos de Ascaris, Tênias e Schistosomas, Giárdia, e outros.

Radiação ultravioleta (UV) também tem efeitos letais sobre vírus e bactérias por sua ação sobre as enzimas e o próprio DNA. Menos de 30W.h/m2 são suficientes para eliminar Coliformes e Streptococus fecais bem como Escherichia coli.

 

Luiz Reis
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