Letícia Mariana resenha a obra ‘Poetizando’, da escritora Rozz Messias

30/11/2020 17:01

Letícia Mariana

“Os versos são numerados e em ordem alfabética, isso me trouxe uma sensação de paz, organização literária e muito aconchego.”

Antes de qualquer crítica, gostaria de elogiar, acima de tudo, a inteligência e a bondade da escritora Rozz Messias, a querida Rozemar que, de forma natural e muito solícita, quis enviar a sua obra poética para resenha, sem pedir nada além da minha palavra, palavra que encantou alguns autores e, de fato, este prêmio é maior do que qualquer medalha, diploma, troféu ou bem material. Dinheiro algum compra a oportunidade de dizer, aqui neste Jornal, tudo o que essa autora disse, a poetisa – ou poeta – que eu tanto tinha curiosidade em conhecer.

Como vocês observam na foto, o livro tem uma diagramação simples, contudo, é um simples que chama a atenção pelos detalhes. Sou muito crítica com artes de capa, e apesar de ser minimalista, tal arte é de muito requinte e bom gosto, assim como a poesia pede e sempre pediu. Por mais que a poesia traga críticas sociais, a sonoridade poética também é muito refinada, e o livro da Messias faz jus à tradição.

Logo na abertura, os leitores são presenteados com uma frase de Manoel de Barros sobre poesia, mostrando o possível valor literário que Rozz nos proporcionará. O que mais deveríamos esperar? Certamente, é hora de buscar um café – ou chá – para degustar as páginas, mentalmente e fisicamente, de forma surpreendente. Sim, não preciso nem continuar para afirmar que o resultado é positivo. O livro já se mostra magnífico antes do início!

O prefácio é curto e não há assinatura, logo, suponho que foi a Messias que escreveu, e quando é assim, prefiro chamar de prólogo. Ignorando isto, a dedicatória é maravilhosa, bem curta, e diz assim:

“Aos poetas brasileiros, que veem beleza em cada fato, rimando alegrias e transformando tristeza em melodia…”

Os versos são numerados e em ordem alfabética, isso me trouxe uma sensação de paz, organização literária e muito aconchego. Eles retratam a dor do amor – ou de amar – na visão de homens e mulheres, e tal distinção fica clara quando percebemos os artigos diferentes nos poemas.

Por mais que a obra tenha uma poesia muito bela, os poemas originais foram os que mais me chamaram a atenção. Uma peculiaridade incrível da Rozz é criar versos duplamente rimados – e eu já explico melhor sobre isso – mas adianto que é surpreendente, e não me recordo de outro livro assim. Modéstia à parte, já li muito sobre poesia e poemas, e nunca vi algo igual.

Gostaria de apresentar alguns versos de “Humana”, aquela poesia que nos enche de tranquilidade, pois sua intensidade nos comove, nos move e nos mostra que não estamos a sós.

“(…)

Não há mais rancor

Não vejo flor

Nem desamor

Tudo raso, superficial

Amoral, sempre igual

Hoje estou rasa

Sou apenas humana!”

Sobre a originalidade de Rozemar, quando lemos o poema Grupos, nós nos deparamos com “versos g”, exatamente! Somente palavras com a letra g, e o contexto é impecável! Além da crítica, claro, muito pertinente em qualquer época.

“(…)

Gringos, galegas, geeks

Gostosões, guapos, gloriosos

Grupos globalizados.”

Rozz é poetisa desde a adolescência, participa de 35 Antologias de contos e poemas, foi premiada duas vezes no Concurso Literário de Colombo e faz parte das Academias Academia de Artes, Ciências e Letras do Brasil (ACILBRAS) e Academia Independente de Letras (AIL).

Minha Confreira na ACILBRAS, é com muita honra que apresento seu trabalho poético, e se me permitem, leitores, não direi mais nada, pois prefiro deixar que a leitura de POETIZANDO os guiem. Garanto que a ressaca literária, como dizem por aí nas redes sociais joviais, será fatal.