Leandro Campos Alves: ‘O canto de um bêbado’

10/08/2020 20:48

Leandro Campos Alves

O canto de um bêbado

Foto: freepik – Homem Louco e Bêbado. Autor: luis_molinero – br.freepik.com

Olá, me chamo Carlos.

Ontem eu estava em uma festa com os amigos, e entre um bebida e outra, a noite foi passando e não percebi que a madrugada estava batendo à nossa porta. Kkkk.

Digo à porta da nossa boemia, afinal, entre amigos não procuramos mulheres, paixões e aventuras, apenas contamos piadas e causos, assim é a noite de encontro entre amigos. E foi exatamente numa destas noites que eu fiz de meu melhor amigo, meu apoio inconsciente de delação.

Já era madrugada beirava quatro horas da manhã, a esta altura já tínhamos tomado todas, era uma piada e um gole a mais. Pensando bem eu estava praticamente lúcido, pelo motivo principal que levava o nome de “Dona Maria” exatamente. Ela provavelmente estava me esperando em casa, e ai de mim se chegasse de madrugada cheirando perfume de mulher ou cambaleando sobre as pernas, por este fato sempre fui um dos mais controlados entre os amigos.

E foi este fato que me levou a maior gafe da minha vida, pois ao ver as horas eu avisei aos companheiros que já estava de partida, pois do bar que estávamos até em casa eu teria que dirigir meu carro por uma rodovia estadual. Até aí normal, pois não seria a primeira vez que eu faria este percurso depois de beber, porém um dos companheiros daquela noite era meu compadre que morava uma quadra abaixo da minha casa, e ele realmente tinha passado um pouco do limite na bebida, por este motivo meu compadre ouvindo que eu estava de saída me pediu um favor.

Ele pediu que eu fosse na frente e se eu visse a polícia na rodovia, era para avisá-lo pois ele iria logo atrás.

Parecia que ele tinha adivinhado que ¨os homens¨ estariam naquela noite à espreita na rodovia, pois logo que eu os vi reconheci o sinal deles me ordenando a parar. Parei como se nada estivesse de errado, foi quando o policial pediu-me para fazer o teste do bafômetro. 

Logo pensei:

“Tranquilo, afinal eu tinha bebido muito pouco e estava praticamente lúcido.”

Triste ilusão! Tão logo soprei aquele troço os policiais avisaram que teriam de prender meu veículo, pois o bafômetro tinha acusado que eu tinha bebido além da conta. 

Comecei a tentar mudar aquela situação tentando convencer os policiais que eu estava bem, mas nada adiantou. Falei mil vezes que era para eles me liberarem e nada. Realmente eu estava numa situação muito ruim, ainda mais lembrando que se eu pedisse socorro para minha esposa seria pior e se não chegasse em casa, estaria frito.

No ato da confusão com os policiais, logo eu soltei a minha gafe.

“__Olha, senhores policiais, se acham que estou bêbado, esperem meu amigo que está vindo logo atrás para ver o que é estar bêbado de verdade.”

Não deu outra. Meu carro ficou detido e meu compadre passou duas noites preso por dirigir embriagado e por desacato a autoridade.  

Ainda somos amigos, mas sempre nas rodinhas entre nós este acontecimento é relatado da boca de meu compadre que é meu amigo, porém… Ele nunca mais pediu minha ajuda para escapar dos homens da lei. 

 

Leandro Campos Alves

Crônica finalista nacional 2014 pela Academia de Letras de Teófilo Ottoni

 

 

 

 

 

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