José Coutinho de Oliveira: ‘Agnosia’

09/09/2016 00:19

foto-jose-coutinhoJose Coutinho de Oliveira – AGNOSIA

Se na teologia temos o mistério na filosofia temos a agnosia, ou seja, limite do conhecimento, limite a partir do qual também tudo é incognoscível.
A mais famosa agnosia é a de Sócrates que terá dito que “nada sabia” outros dizem que tal frase na verdade é de Anaxarco.
Agnosia quer nos parecer tenha dois significados, ou seja, pode sinalizar uma advertência ao iniciante, ou seja, o filósofo depois de muito ter estudado chegou mesmo na dúvida e não na certeza, atitude que sem sombra de dúvida expõe a pessoa a menores problemas pois ela se torna mais humilde.
Agnosia poderá também resumir uma filosofia, ou seja, o ceticismo.
Ceticismo que à primeira vista parece uma descrença mas não é pois é uma filosofia e toda filosofia é uma crença, portanto o cético só crê depois de muito refletir.
Os céticos praticavam o que ele chamavam de “epoché”, ou seja, quando a pessoa se reserva no direito de não opinar que é parecido a seu turno com o “wu wei” (inação) do taoísmo, ou seja, ensinamento que recomenda a seus adeptos a não interferirem no rumo das coisas.
Lao Tsé seu fundador recomendava ainda que substituamos a força pela sutileza.
Lao Tsé pregava também um ceticismo quando preferia que as pessoas permanecessem ingênuas e simples, como crianças.
Hoje vemos que a sabedoria infantil no cristianismo quer dizer uma supersabedoria.
Mas em todo caso Confúcio diferia de Lao Tsé pois desejava educar o homem por meio do conhecimento.
Hoje sabemos que a vida também depende da lógica, ou seja, o ceticismo não pode chegar ao ponto de repeli-la.

José Coutinho de Oliveira

jocodeol@gmail.com

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