Jose Coutinho de Oliveira: ‘Tessalônica’

02/09/2017 19:38

Jose Coutinho de Oliveira: ‘Tessalônica’

     Importante porto marítimo da Macedônia grega, conhecida hoje por Salonik. Assim se refere a ela o Curso Bíblico da escola “Mater Ecclesiae” do mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, pg. 49: “Conforme o seu costume, Paulo, ao chegar em Tessalônica, foi primeiramente procurar os judeus na sinagoga, anunciando-lhes o Evangelho por três sábados consecutivos. Diante do pouco êxito obtido, Paulo voltou-se para os gentios da cidade, que aderiram fervorosamente ao Evangelho.”

Pois bem, o que me estimulou a escrever o presente artigo foi um princípio encontrado na 1ª carta aos tessalonicenses 5,21 onde Paulo exortava-os que julgassem ” todas as coisas e que retivessem o que fosse de bom.” Eis aí a nosso ver o conhecimento que Paulo tinha de filosofia, ou seja, o ecletismo. Pois bem, hoje vejo que podemos aplicar esse mesmo princípio ao confrontar Platão com Aristóteles, ou seja, nem só o primeiro, nem só o segundo.

Hoje vivemos com muitas ideias que foram lançadas por Aristóteles, não podemos nos enganar todavia que tudo o que Platão defendia foi revogado. Podemos e devemos nos valer de Platão para relançarmos novos modelos civilizatórios. Não sabemos se ele falou em criminalidade quase zero mas o fato é que Will Durant no livro ” A filosofia de Platão” da Ediouro, pg 79 diz que  na república platônica ninguém ” teria uma casa particular com trancas e cadeados que barrem o ingresso de alguém que deseje entrar.”

Hoje vemos ao confrontar as duas filosofias que não devemos ser nem tão idealistas nem tão realistas, não sem motivo que Alberto Magno e Sto. Tomás de Aquino lançaram o realismo moderado.

Segundo o livro Filosofia da Educação, editora ática, 1994, pg 134, Aristóteles achava que ” as ideias não existem fora das coisas.” Para Platão quando enxergamos algo o que enxergamos na realidade não é o real mas uma projeção, uma projeção do arquétipo que está no mundo das ideias, tópos noetós em grego, na mente divina. Baseando-nos em Aristóteles enfim podemos dizer que não podemos querer que as coisas aqui na terra sejam tão perfeitas quanto são no céu; que não devemos esperar todavia que um anjo venha do céu tratar de um doente quando o remédio está ao nosso alcance. Não podemos nos iludir todavia também que todos venham colaborar conosco. Precavenhamo-nos das armadilhas. E ao encerrarmos anotemos o que nos diz o papa Pio XI na encíclica “Divini illius magistri”, seção VI, c, de 31/12/1929 sobre a sã filosofia: “talvez tivessem encontrado o necessário, se não houvessem buscado o supérfluo”, de Sêneca, epístola 45.

José Coutinho de Oliveira

Graduado em Letras e Pedagogia

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