José Coutinho de Oliveira: ‘Idealismo II’

27/02/2018 17:30

José Coutinho de Oliveira – Idealismo II

Vimos hoje retificar e ampliar o assunto publicado na semana passada. Realmente o idealismo foi proposta de Platão ou certamente de Sócrates. Para Sócrates o que vemos é uma projeção, uma sombra daquilo que está no mundo das ideias, no mundo intelectual. Em algum momento Sócrates terá dito então que o mundo da doxa, opinião, é como uma prisão, comparando-o a um aprisionamento numa caverna onde só se vê  vultos. A episteme, a ciência estaria no mundo das ideias, no mundo dos significados. Dessa forma parece que para Sócrates realmente o real, em última instância seria subjetivo. No livro “Filosofando”, de Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins, editora Moderna, pg. 155 vemos que Sócrates comparava assim  o mundo das ideias ao mesmo mundo defendido por Parmênides, ou seja, a crença na imobilidade das coisas, de que enfim o movimento não existe. O mundo visível seria o mundo heraclitiano, ou seja, aquilo que muda constantemente. Aristóteles discorda de Platão e defende que o mundo visível é real, de res, coisa, por isso, realismo. Parece que Sócrates defendia a tese de que todo aquele que se liberta da doxa, se liberta das correntes da prisão das ilusões, está pronto para governar. Para Sócrates existia também a ideias suprema, o agathon que ele comparou ao sol. Hoje podemos traduzir agathon por concórdia. Sócrates defendia assim que o governo estivesse nas mãos dos libertos formando o que ele talvez quis dizer por sofocracia. Nós particularmente defendemos o parlamentarismo ou pariatocracia, de pariato, de pares, nesse modelo os presidentes às vezes e os 1os. Ministros são eleitos indiretamente pelo poder legislativo. Quanto a Kant podemos dizer que foi quem divulgou o númeno, “o pensado”, em grego, designação que Platão talvez tenha dado à coisa-em-si, a coisa em sua concretude, res ipsa para Anton Amo, filósofo de Gana, (1703-1759). Resta-nos descobrir agora o que Aristóteles teria dito sobre o “númeno”.

José Coutinho de Oliveira
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