João Francisco Brotas: ‘Caretas a cegos’

16/05/2019 08:40

João Francisco Brotas

Artigo: ‘Caretas a cegos’

Caro leitor é muito  difícil a caminhada no conturbado mundo  que vivemos. Principalmente quando estamos  dispostos a construir um ambiente melhor, ainda  que seja num espaço diminuto, no local de trabalho ou no  próprio seio familiar.

Quanta  ingratidão estamos sujeitos receber  de pessoas que estão próximas de nós! De indivíduos que  não têm olhos de ver e nem ouvidos de ouvir! Eles podem receber  carinho fraterno, um lar para se recolher, comida quente e até roupa passada. Mas, sendo muito egoístas, sentem-se  merecedores de tudo e não valorizam aquilo que lhes está sendo dado, com muito amor e carinho. Então, podemos perguntar: o que fazer  quando nos deparamos com a ingratidão e desaforos? Tentamos ensinar os ingratos, mas nem sempre isso é possível.

Numa peça  de teatro em que participei, um dos personagens dizia:  “Forçar o entendimento para quem ainda não está preparado para  entender, é como fazer ‘caretas  a cegos‘,  é um esforço  inútil”.

Analise esta situação, como exemplo: você dá apoio a  um animal indefeso, fraco, todo sujo e com algumas fraturas. Depois de um certo  tempo, ele vai se fortalecendo, as fraturas se solidificando e um dia, quando sente-se  uma fera, ataca quem dele cuidou, como se dissesse: “agora não preciso mais de você, posso me  virar sozinho”.

A  ingratidão  é irreparável, quando o ingrato só ouve o próprio egoísmo. E quem   tenta explicar, falar a quem não quer ouvir, passa por vilão, por inconveniente,   perverso e manipulador. Tudo isso porque o dedo é colocado em sua chaga, pois ele sabe bem lá no íntimo, que  um dia o acolhemos indefeso, sujo, fraco, e agora, sentindo-se forte, em vez de retribuir o amor recebido, rebela-se.   Muitos cantam os versos da música “Vou festejar” de Jorge Aragão, achando a melodia bonita:

“Você pagou  com traição, a quem sempre lhe deu a mão”

Mas, é assim  mesmo!

Dizem que  levar um burro  à beira do lago é fácil,  mas obrigá-lo beber água é algo  muito difícil, quase impossível.

Por isso, é imprescindível ficarmos atentos com o que acontece  ao nosso redor, em nossa cidade, em nosso país. Pois, se continuarmos sonhando com a “felicidade” só no futuro, e sem tentarmos construí-la de modo inteligente, estaremos alienados por muito  tempo e quando acordarmos, poderá ser tarde demais.

Então, todo esforço para  mudar será como fazer caretas  a cegos, um esforço  inútil.

 

João Francisco Brotas
jfrbrotas@gmail.com

 

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