Guaçu Piteri: ‘ Um ‘Carlito’ argentino nascido na França’ (artigo de Amaury)

18/12/2016 00:12

Cultura Hispano-americana

 

Um “Carlito” argentino nascido na França

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      Transcorreu segunda-feira, no passado dia 12, deste festivo mês de dezembro, o aniversário de nascimento de um dos mais consagrados artistas do século XX.  Festejado como um dos maiores cantores das Américas, o grande ídolo da canção argentina, Carlos Gardel,  durante certo tempo de sua gloriosa carreira foi também reconhecido pela crítica e  pelo público sob o  carinhoso apelido de Carlito. Chamava-se na verdade, Charles RomualdGardes e era nascido em Tolouse, cidade da alta Garona francesa, em 11 de dezembro de 1890.

 

            Vale esclarecer que seu tipo físico, seu perfil psicológico e o gênero de arte que adotou para figurar triunfalmente no firmamento musical da transição dos séculos XX, e seguintes, nada tinha a ver com outro gênio da época, que figura ao mesmo nível no Panteão da Glória: Charles Chaplin. Este era “Carlitos”, com “s” final no apelido artístico e embora haja brilhado nas telas como ator, compositor e comediante, diferia de Gardel, na imagem que passava ao grande público. Carlitos/Chaplin, era um personagem jocoso que posou de palhaço em diversas películas, elevando à alturas sublimes aquele tipo soberano das lidas circenses. Gardel , por sua vez, criou um personagem diferente: elegante, metropolitano, era um galã, transportando para a atmosfera portenha o mesmo charme da adolescente Hollywood e, para o mundo, todo o envolvente glamour da Buenos Aires de então.

Gardel aportou em Buenos Aires aos dois anos de idade, com a mãe Berthe Gardes, passadora de roupas, que havia sido contratada por uma socialite francesa. Foi um moleque travesso, mas muito inteligente e de excelente caligrafia, Cursou o Colégio Dom Bosco e desde cedo foi atraído pelos encantos da música. Engajou-se num grupo de “comparsas cantantes” e, menino esperto , teve oportunidade de ouvir grandes cantores líricos do início do século XX, no estupendo teatro Colón. Vem de então sua extrema sensibilidade para a “alma” musical que integrou às suas interpretações recheadas de sentimento, na sua trajetória pelo canto popular. Começou a cantar ritmos criolos, sambas e composições simples, em bares e botequins. Aprimorou sua estampa reduzindo o próprio peso de 118  para 75 quilos e vestia-se como um dandy, Formou em 1911, uma dupla com José Razzano, junto a quem começou promissora carreira profissional. O sucesso o acompanhava com notável fidelidade.

Em 1923, viaja para a Espanha, onde suas apresentações alcançam marcante êxito.  No ano seguinte, sua fama se estende enormemente com a realização de um primeiro concerto radiofônico, ao vivo, direto de Buenos Aires. Em 1928, cinco anos após, desembarca uma vez mais na Europa. Conquista Paris, sua voz, sua imagem, seus gestos e sua cativante simpatia causam verdadeiro furor. Contratado pela cinematográfica Paramount, atua, com o esperado destaque, no filme Luces de Buenos Aires, lançado em 1931, em ampla rede que abarcava cinemas da Europa e das três Américas. No ano de 1933, depois de uma rápida passagem pela capital Argentina, é novamente chamado à Hollywood, onde atua, como estrela de absoluta primeira grandeza , nas películas Cuesta abajo, El dia que me quieras, Tango bar, El  Tango em Broadway. A grande maioria de seus tangos, apreciadíssimos, era de autoria de seu amigo, Alfredo Lepera, compositor de uma veia poética inesgotável e de exuberante inspiração. Autor invejado e bafejado pela benção de divinas musas do Olimpo, Lepera morreu ao lado de Gardel, na catástrofe de Medellín – semelhante a que pranteamos recentemente – às três horas da tarde de 24 de Junho de 1935.

Em 2003, a ONU por meio da UNESCO, declarou Patrimônio Cultural da Humanidade, a voz de Carlos Gardel, elogiável iniciativa que ombreou o imortal intérprete à Beethoven, Enrico Caruso, Maria Callas, Mozart e outros raros nomes que ornamentam um seleto elenco de divindades eleitas por ouvidos super exigentes.

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