Gonçalves Viana: ‘Pablo’

25/01/2020 21:31

Gonçalves Viana

Pablo

Certa vez, observando uma foto de Pablo Picasso, fiquei impressionado com o olhar dele. Um olhar metálico, magnético, penetrante. Deve ser o olhar com o qual parece adentrar no âmago das coisas que pintava. Seus numerosos e rumorosos casos amorosos, nos leva a pensar ser bem apropriado o infame trocadilho que fizeram com o seu nome.

Eu particularmente adoro os quadros produzidos nas suas fases iniciais, denominadas de “azul” e “rosa”, onde existe um lirismo pungente que me emociona muito.

Já no “cubismo”, incensado pelos críticos e entendidos de arte, que reputam ser a sua melhor fase, a mais genial, chego a concordar quanto à genialidade, mas esteticamente…

Les Demoiselles d’Avignon (1907)

Mas, realmente ele é genial, pois como comentei no início deste texto, o seu olhar parece penetrar no cerne daquilo que foca e nos traz uma imagem distorcida, talvez, pelo realismo impregnado nela. Com “Les Demoiselles d’Avignon”, pintado em 1907, Picasso deu o pontapé inicial nesse que foi um dos mais importantes movimentos artísticos do século XX, o cubismo. Nesse quadro ele traz à superfície os recônditos da alma das alegres garotas daquele famoso bordel.

Assim também acontece com o famoso mural “Guernica” que ele fez sobre a guerra, onde retrata o bombardeio por aviões alemães pagos pelo Generalíssimo Franco, o ditador espanhol. Guernica era um vilarejo basco que na hora do ataque estava com as ruas cheias de gente.

Guernica

Agora, se eu fosse Dora Maar, um de seus numerosos casos, processaria Picasso por retratá-la, ao que parece, após ela ter sido atropelada por uma jamanta, que espalhou desordenadamente seus olhos, boca, orelhas e nariz pelo rosto disforme.

Interessante que, esse mesmo canal – o olhar de Picasso – quando nos fixamos no quadro com certa concentração, faz com que o percorramos no sentido inverso e consigamos ver a realidade através da distorção do objeto ou pessoa focada.

Doutra feita, quando participei com alguns amigos de um evento, que não me lembro qual, só recordo que após a ingestão de muitas bebidas alcoólicas, fiquei com a percepção alterada pelos eflúvios etílicos, pude então entender como Picasso enxergava as coisas que pintava.

 

Gonçalves Viana

   viana.gaparecido@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

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