Gonçalves Viana: ‘Marcia Maria… Marcia Maravilha… Marcia Mah’

01/12/2018 21:43

Pois é! Aqui em Sorocaba temos também a nossa musa, a nossa diva, aquela que reina absoluta no coração de todos os sorocabanos: Márcia Mah!”

Pois é! Aqui em Sorocaba temos também a nossa musa, a nossa diva, aquela que reina absoluta no coração de todos os sorocabanos: Márcia Mah!

Hoje, consagrada pelos vários CDs e DVDs já gravados, pelas participações em muitos festivais e espetáculos musicais e, sobretudo por uma turnê realizada em 2015, por várias cidades portuguesas pelo selo europeu MIMS (Music In My Soul), tornou-se unanimidade cultural em nossa região.

Quando, em 2006, ela lançou o seu segundo CD “Choro Canção” – o primeiro foi “Apanhado”, em 2000 – onde gravou clássicos do gênero com o Grupo Casa de Marimbondo. Fiquei extasiado com esse CD que até hoje frequenta meus aparelhos de som. Na época escrevi um comentário sobre o disco:

UMA OBRA-PRIMA

“Cesse tudo que a Musa antiga – e as demais também – canta, que outro valor mais alto se alevanta”. ¹

Sim, e esse valor maior é a nossa querida Márcia Mah, que traz na voz toda a brejeirice daquilo que é a maior manifestação da nossa música popular: o Choro!

Ademilde Fonseca

Márcia não fica devendo nada àquela que foi um dia chamada de “Rainha do Choro”, Ademilde Fonseca; ouso mesmo dizer que a suplanta.

Nas décadas de 40 e 50 do século passado, quando não existia a praga da TV e nem da Internet, as Rádios tinham seus programas de auditório e cada um deles tinha a sua rainha. As fãs, chamadas de ‘macacas de auditório’, brigavam entre si por seus (as) ídolos (as). Era ferrenha a disputa entre Emilinha Borba, Marlene, Ângela Maria, as irmãs Batista (Linda e Dircinha), etc.

Emilinha Borba

E cada uma das estrelas tinha um epiteto carinhoso, pelo qual eram conhecidas: Emilinha Borba era a “Favorita da Marinha”; Izaurinha Garcia, a “Personalíssima”; Elizeth Cardoso, aDivina”; Dalva de Oliveira, a “”Estrela Dalva”; Ângela Maria, a “Sapoti” e assim por diante.

Para Márcia Mah, que sintetiza todas essa cantoras – que marcaram profundamente minha infância e juventude – há que se inventar um adjetivo superior a todos esses acima citados e que faça jus ao seu real valor.

Ao seu mais recente CD – Choro Canção / Casa de Marimbondos – devemos ouvi-lo genuflexos, em estado de êxtase e devoção, como söe acontecer quando ouvimos uma grande Diva.

Marisa Monte

Ela também nada fica a dever às cantoras contemporâneas que se aventuraram no gênero, caso de Gal Costa, Marisa Monte e outras.

Amo demais esse gênero musical – o choro – genuinamente brasileiro e, agora passo a amar mais ainda Márcia Mah. Sou seu eterno “macaco de auditório”. A benção, minha Rainha!                                                

         

         Gonçalves Viana – viana.gaparecido@gmail.com

 

  1. Em tempo, Marcelo Candinho, Alexandre de Souza, João Nilton e Rodrigo Moura, os músicos que juntamente com a Márcia compõe o Casa de Marimbondo, são simplesmente divinos.  

                                                                            

Míriam Cris Carlos

Mais tarde descobri que não sou o único que tem esse sentimento em relação à Márcia. Miriam Cris Carlos², no livro “Arteiras Sorocabanas”, escreveu o seguinte texto:

Impossível ouvir a Mah sem um silêncio pleno de reverência e estupefação. Impossível não notar que, da menina miúda, um som aos poucos se agiganta e engole todos os espaços possíveis. Sua voz potente gruda-se aos nossos ouvidos, pendura-se em nossas roupas, penetra pelos poros como dedos longos a nos tocar, suaves. Quem ouve a musa Mah é fatalmente invadido por um som quente, adocicado e negro. Da MPB ao Erudito, do Samba à moda de viola, do Rock ao Jazz e ao Blues, tudo explode, tudo renasce, tudo vira veludo, na voz de Márcia Mah.

Edgard Steffen

Edgar Steffen³, como muitos outros, também se manifestou sobre Márcia Mah:

Falar de Márcia é como falar dos sons da natureza, é lembrar os pássaros que, ao se manifestarem, encantam sem esforço. Márcia canta das notas mais difíceis aos sussurros, com pura arte que exala em canção. Mas uma grande cantora vai além de sua extensão ou técnica vocal, uma grande cantora também possui atributos, muitas vezes, intangíveis como carisma, presença e domínio de palco, gestual e o poder de emocionar a cada música, que canta como um pássaro raro com seu talento natural e o encantamento de artista. Assim, é sempre uma experiência sensorial escutar essa cantora tão especial que é Márcia Mah.

NOTAS;

1-  CAMÕES, Luiz de. “Os Lusíadas, Canto I – estrofe 3

2-  Miriam Cris Carlos, Escritora e Pós-doutora em Comunicação Social e Semiótica.

3–  Edgar Steffen, Diretor criativo da MSG.net.br e editor da Plataforma RAIZ.

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