Gonçalves Viana: ‘Folha morta’

14/07/2017 12:45

Gonçalves Viana: ‘FOLHA MORTA’

 O samba-canção composto por Ary Barroso, como uma homenagem à cantora Dalva de Oliveira

 

Arthur Nestrovski, nascido em 1959, é compositor, violonista, crítico literário e musical, escritor e editor. Nomeado diretor artístico da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) em 01/2010. Em 2012, foi nomeado também diretor do Festival de Campos de Jordão.

Graduado em Música, pela Universidade de York, Inglaterra, em 1983, obteve seu PhD em Literatura e Música pela Universidade Iowa, USA, em 1990. De 1992 até 2003, foi crítico de música clássica do jornal Folha de São Paulo; e de 1999 a 2009, editor da PubFolha. De 1991 a 2005, professor na pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUC/SP. Abandonou a carreira universitária para dedicar-se mais intensivamente à música.

Desde então gravou CDs solos: Jobim Violão e Chico Violão, os discos de composições Tudo o Que Gira Parece Felicidade e Prá Que Chorar (com o cantor Celso Sim), o DVD O Fim da Canção.

E mais recentemente (2016) o CD Pós Você e Eu, com a cantora Lívia Nestrovski (sua filha). Nesse CD apresentam 11 canções, entre composições próprias, e de autores como Ary Barroso e Arrigo Barnabé, além de Schubert e Schumann.

Pois bem, estava ele e a filha apresentando as músicas do CD, no programa Sr. BRASIL de Rolando Boldrin, exibido na TV Cultura, em 12/03/2017, quando chegou a vez da música de Ary Barroso, Folha Morta. Sobre esta, eles contaram a seguinte história:

Dalva de Oliveira era muito jovem e trabalhava como lavadeira, mas gostava de cantar e acalentava o sonho de tornar-se uma cantora profissional. Inscreveu-se no programa  Calouros em Desfile que Ary Barroso apresentava na Rádio Tupy no Rio de Janeiro. Dalva ficou arrasada, quando foi gongada pelo irreverente e irascível animador. Mas não desistiu e perseguiu seu sonho até conseguir ser uma grande cantora.

Ary havia lançado o seu programa de calouros em 1937, na Rádio Cruzeiro do Sul (Rio de Janeiro), levando-o em seguida para a Tupy, onde instituiu o gongo, tocado para desclassificar os candidatos ruins. Dizem que poucos conseguiram manter o gongo silencioso, entre eles, Ângela Maria e Lúcio Alves.

Mas, um dia, quando Dalva havia já se tornado uma estrela de primeira grandeza, Ary quis homenagear a cantora, talvez para compensar a gongada que lhe havia dado, quase 20 anos antes, (1952), com um samba-canção feito exclusivamente para ela, Folha Morta. Foi um enorme triunfo. Quatro anos depois acabou por ser um sucesso ainda maior, no vozeirão rouco, mas redondo de José Bispo Clementino dos Santos, mais conhecido por Jamelão.

                                                                                           

 Gonçalves Viana

 

 FOLHA MORTA

Sei que falam de mim

Sei que zombam de mim

Oh! Deus, como eu sou infeliz.

Vivo à margem da vida

Sem amparo ou guarida

Oh! Deus, como eu sou infeliz.

Já tive amores,

Tive carinho

Já tive sonhos,

Os dissabores

Levaram minh’alma

Por caminhos tristonhos.

Hoje sou folha morta

Que a corrente transporta

Oh! Deus, como eu sou infeliz.

Eu queria um minuto apenas

Pra mostrar minhas penas,

Oh! Deus, como sou infeliz…

(Ary Barroso)

 

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