Fábio de Brito Ávila: ‘A volta ao mundo volta ao passado’

21/08/2020 17:29

Fábio Ávila

A volta ao mundo volta ao passado

Estava no mês de junho de 2003… Lembrei-me que em uma semana estaria na Cidade Luz, Paris, a mais bela Metrópole do Planeta. Sentia-me emocionado.

Em Paris vivi a solidão em sua plenitude, amei desesperadamente, caminhei como um peregrino e encontrei muitas razões para minha mera existência. De Paris segui para o Mundo…

Visitei toda a  velha Europa. Cheguei às portas do Oriente e tomei tapetes voadores a partir da belíssima Mesquita Aya Sophya ; em Istambul, na antiga Konstantinopolis. Passeei pelas ruelas de Veneza, mergulhei em águas gregas, pisei em solo africano e percorri os mistérios da Índia.  Atravessei toda a Tunísia; da capital Tunis a Sousse; de Sousse a Djerba, de Djerba a Matmata…

Passei dias inesquecíveis em Puerto Rico ; em Buenos Aires, Nova Iorque, Dakar e Sydney. Embebedei-me na pitoresca ilha de Torcello, próximo a Veneza.  Desci as ramblas em longas discussões amigáveis em Montevideo. Tomei várias pingas em uma noite fria e estrelada em Visconde de Mauá e estive errante nas Montanhas da Córsega, em locais inusitados.  Tomei banho de cachoeira em águas mineiras da Serra da Canastra.

Subi às ruínas de Macchu Picchu. Pisei nos paralelepípedos de Quito onde o vulcão coberto de neve eterna se apresentava, ao fundo, através de belíssimas palmeiras equatorianas. Derramei lágrimas em Barcelona, amei uma madrilenha, passei frio em Leningrado e tomei vodkas, em pequenas doses, em Moscou.

Decepcionei-me com um amigo de infância em Londres, roubei a noiva de um outro amigo em Schaffhausen, na Suiça; perdi a mala em Bruxelas, fui roubado em Lisboa logo após a revolução dos Cravos em 1974.

Pisei em solo africano no Senegal, busquei raízes no Marrocos ;entendi o continente negro em Abidjan, na República da Costa do Marfim, e mergulhei na arte popular togolesa em Lomé, na capital daquele país esquecido do Planeta.      A Cidade Luz foi generosa comigo. Ensinou-me a pensar na Universidade Sorbonne. Ofereceu-me o ventre de uma gaulesa. Levou-me ao fascínio e ao desespero!

No dia 14  de julho de 2004,na Terra da Garôa, busquei reunir as informações colhidas nesta longa viagem iniciada em 11 de dezembro de 1972. Havia subido montanhas, atravessado rios, cruzado oceanos, respirado os ares dos trópicos e naquele momento aguardava a volta de meu filho Yannick Marcos Rafael que tinha se distanciado de meu cotidiano havia seis anos. Foi um ônus caro, resultado de minha incompreensão das complexidades em relações humanas.  Abri, portanto, as portas de meu universo a poucas pessoas que me foram oferecidas pelo Destino. Vivia em um momento de energia vital ao desenvolvimento de uma personalidade egocentrada, imatura e cheguei à conclusão de que a busca da felicidade se resumia em ter uma vida errante, sem rumo definido.

Deixei , embora de forma fugaz, meu sincero agradecimento a outras descobertas em idas e vindas à Baixada Santista, à histórica cidade fluminense de Paraty, à também histórica cidade paulista de Itu; às gêmeas São Felix e Cachoeira ,no Recôncavo Baiano, à pretensiosa Brasília e ao desfigurado Centro Histórico de São Paulo.

Um Deus me acuda ao Deus que me proteja!!!

 

 

 

 

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