Fábio de Brito Ávila: ‘200 anos de Imigração suíça para o Brasil’ – Parte 10

18/04/2021 11:32

Fábio Ávila

COLONOS SUÍÇOS PARTEM PARA A REGIÃO DE CANTAGALO

A Cultura do Café Abre Novos Horizontes

Muitos dos colonos suíços partiram de Nova Friburgo sentido Cantagalo, ao norte do Rio de Janeiro, onde as terras eram banhadas pelo Rio Macaé. O rio era navegável e tinha condições mais indicadas para as atividades agrícolas. Nesses locais a boa fertilidade do solo significou uma melhoria da qualidade de vida para os colonos.

A cafeicultura surgia assim como opção rentável e bem mais viável porém desta vez as terras não eram oferecidas pelo Governo, pois deviam ser compradas. O bom resultado obtido em Cantagalo e em Macaé se devia ao clima mais quente que Nova Friburgo, portanto mais indicado para a cultura do café.

AUGUST STOCKLIN, UM FAZENDEIRO SUÍÇO

Um exemplo de sucesso foi o colono August Stocklin que conseguiu comprar uma grande fazenda e chegou a possuir 12 escravos. Em decorrência do preço para obtenção de mão-de-obra escrava ser alto, o fazendeiro trouxe em 1859, cinquenta colonos de Friburgo (Suíça) para trabalhar em sua propriedade.
Diz August Stocklin:
“Esses belos escritores que não conheciam cousa alguma do Brasil me fazem cócegas nas costas (me scient le dos). O fogo, sim, é que é o nosso arado; onde o fogo não passa, as plantas não são tão bonitas”.Martin Nicoulin, escritor, comenta:
“…tudo leva a supor que mesmo se a direção houvesse sido perfeita e nenhum acontecimento de origem política tivesse surgido para tumultuar a vida na Colônia, a maior parte dos imigrantes teria abandonado Nova Friburgo,”

COLONOS SUÍÇOS COMPRAM FAZENDAS NA REGIÃO DE CANTAGALO
O Ouro Verde e o Fim da Escravidão

Em 1880, com a criação da Estrada de Ferro de Cantagalo, o café seguia até o porto do Rio de Janeiro e de lá era exportado para o exterior. Chamado de “Ouro Verde” o café era o principal produto do Brasil Império.

Com o fim da escravatura e da mão-de-obra gratuita, em 1888, antigos fazendeiros locais se encontravam endividados e em sérias dificuldades. Nessas regiões, suíços que conseguiram formar um bom patrimônio compraram fazendas e se tornam respeitáveis proprietários. Na segunda metade do século XIX, o café passa a ser o principal produto de exportação brasileiro e a cidade de Cantagalo concentrava as principais fazendas cafeeiras fluminenses.

O patriarca suíço François Xavier Monnerat foi outro bom exemplo de superação. Ele chegou com sua esposa e sete filhos à vila de Nova Friburgo em 1820 e, 17 anos depois, comprou a Fazenda Rancharia em Cantagalo. Essa mesma família adquiriu a Fazenda Santana em 1900, em um período no qual já possuíam uma das maiores fortunas da região serrana.
Outro caso parecido foi o de Sebastião Monnerat Lutterbach, que manteve a produção de café e diversificou as atividades, investindo também em gado leiteiro da raça zebuína guzerá, conseguindo excelentes resultados.

O Cônego J. Conus, reitor de St. Pierre, em Friburgo, em “História da Emigração Friburguense para o Brasil – 1819 a 1820”, diz:
“… o governo fez sacrifícios enormes pela Colônia, mas os seus agentes destruíram as suas boas intenções (…) a administração era deplorável; as medidas que tomava eram más, o despotismo e a arbitrariedade reinavam por completo”

“… graças à nova Constituição conseguida pela revolução triunfante, desapareceram os opressores… (mas que) sob a administração do Monsenhor Miranda instituiu-se o partido dos intrigantes para explorar os colonos.”

“… até aqui não se encontra uma prova de que as distribuições prescritas de animais e sementes tenham sido devidamente feitas.”

“… seus agentes foram indivíduos sem consciência, que não viram em tudo isso senão um meio de se enriquecerem às custas dos pobres emigrantes”.

Familia Lutterbach na varanda da Fazenda Sant’Anna, em Cantagalo. Fonte: A Voz da Serra.

Brasão do Império Brasileiro, 1880. Fonte: Wikipédia

Plantação de Café (Ouro Verde)

Cantagalo, Rio de Janeiro, Século XX. Fonte: IBGE

Casal da Familia Monerrat. Fonte: A Voz da Serra

Cartaz da Primeira Exposição de Gado de Cantagalo

Planta da Cidade de Macaé no Século XX. Fonte: Biblioteca Nacional

 

 

 

 

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