Fábio de Brito Ávila: ‘200 anos de Imigração suíça para o Brasil – (1819 – 2019). Capítulo IV

17/02/2021 16:00

Fábio Ávila

Fugindo da Fome,

O Primeiro Movimento Imigratório Oficial do Mundo

Capa do livro “La Genèse de Nova Friburgo – Émigration et Colonisation Suisse au Brésil”, Martin Nicoulin. Fonte: Google Books

A tradição imigratória dos suíços pelo mundo teve início no século XV e se manteve praticamente inalterada até o final do século XIX, período em que mais de dois milhões de suíços passaram parte de suas vidas como militares no estrangeiro, como explica o historiador Martin Nicoulin, autor do livro “La Genèse de Nova Friburgo – Émigration et Colonisation Suisse au Brésil”.

No século XVIII, cerca de 25 mil deles se estabeleceram nos Estados Unidos, conforme atesta Martin Nicoulin: “… esses suíços seguiam os traços de peregrinos do Mayflower, procurando no novo mundo a liberdade religiosa que lhes era recusada em seu país natal”.

Distante 13 mil quilômetros da Suíça, a violenta erupção do vulcão Tambora, na Indonésia, em abril de 1815, lançou toneladas de cinzas na atmosfera e prejudicou seriamente a agricultura em boa parte do mundo.
Com isso, entre 1816 e 1817, a falta de alimentos básicos provocou uma grande fome na Suíça e em outros países europeus, estimulando ainda mais a emigração para as Américas. A Europa como um todo vivia uma crise econômica e social e no caso da Suíça, agravado por uma luta entre os cantões católicos, mais conservadores, e os protestantes, mais liberais.

NOVAS TERRAS PARA EUROPEUS
O governo português queria colonos brancos no Brasil e patrocinou o projeto de instalação e criação de uma colônia suíça perto da capital federal, o Rio de Janeiro, na Serra dos Órgãos. Nessa época já havia suíços no Brasil, a maior parte deles, em Villa Viçosa, na Bahia.
Em maio de 1810, o príncipe-regente Dom João VI sentia a necessidade de uma ocupação planejada e promulgou uma lei que passou a permitir aos estrangeiros se tornarem proprietários de terras no Brasil.
Uma medida importante ocorreu por meio de outro decreto, promulgado em 1819, desta vez dando poderes ao representante do Cantão de Friburgo, na Suíça, Sébastien-Nicolas Gachet, de trazer 100 famílias católicas, de língua francesa, para o Brasil.

O Brasil por sua vez, diante do movimento abolicionista, precisa substituir a mão de obra escrava na lavoura de café e queria também povoar um país que apresentava, na época, baixa densidade demográfica.
Nessa época, Brasil e Suíça tinham necessidades convergentes e fizeram uma aproximação inédita. Era a primeira imigração do mundo acordada oficialmente entre dois governos. Desta forma, Nicolas Gachet representou os interesses de capitalistas suíços que investiram seu dinheiro para financiar a emigração para o Brasil.

No país europeu, a publicidade nos jornais conclamava os cidadãos para uma grande saga para a “terra prometida”. O Journal du Jura, Cantão do Jura, enfatizava que o Brasil tinha uma grande vantagem em relação à Europa, pois nos trópicos se podia fazer duas colheitas ao ano. Como os agricultores na Suíça passavam por sérias dificuldades, o recrutamento de interessados pelos agentes locais de colonização era facilitado.

Decreto de 16 de maio de 1818. Fonte: Suíços do Brasil

 

“Journal du Jura” um jornais da época que publicava cartas dos colonos suíços que haviam partido para o Brasil. Fonte: Suíços do Brasil

 

Cantão de Berna. Fonte: Wikipédia

 

 

 

 

 

 

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